Quatro pregões após a eleição, Ibovespa ainda não encontra força; dólar volta a subir
Bolsa brasileira segue pressionada por juros e incerteza fiscal; Wall Street cai com tecnologia e petróleo recua

O Ibovespa ronda a estabilidade nesta quinta-feira, 29, ainda pressionado por bancos, Petrobras e Vale, enquanto o dólar voltou a subir. O mercado divide as atenções entre as dúvidas sobre a política fiscal brasileira e uma bateria de indicadores dos Estados Unidos. Por volta das 11h (horário de Brasília), o principal índice da B3 registrava ligeira alta de 0,21%, aos 171.360 pontos depois de abrir o dia em queda.
O dólar comercial subia 0,34%, cotado a R$ 5,359. O movimento ocorre após o Ibovespa cair 2,68% na quarta-feira, 28, ampliando a pressão sobre os ativos brasileiros diante das incertezas fiscais após a eleição.
Fábio Murad, consultor da Wiser Asset, avalia que o resultado fiscal doméstico oferece algum alívio, mas ainda é insuficiente para compensar um ambiente externo de juros elevados.
Bancos e Petrobras pressionam o Ibovespa
Entre as ações de maior peso, Vale (VALE3) cai 0,37%. Petrobras recua acompanhando a baixa do petróleo no exterior, com PETR4 em queda de 0,97% e PETR3 cedendo 0,71%.
Os bancos também operam majoritariamente no vermelho. Bradesco (BBDC4) cai 2,18%, BTG Pactual (BPAC11, do mesmo grupo controlador da EXAME) recua 1,60% e Itaú (ITUB4) perde 0,33%. Banco do Brasil (BBAS3) fica próximo da estabilidade, com alta de 0,06%.
Ambev (ABEV3) recua 2,83% após divulgar os resultados do terceiro trimestre. A companhia registrou lucro líquido ajustado de R$ 4,39 bilhões, crescimento de 14,3% em um ano, e anunciou um programa de recompra de até 190 milhões de ações, equivalente a cerca de R$ 2,9 bilhões pelo preço de fechamento da véspera.
Na ponta positiva, Gerdau (GGBR4) sobe 2,66%, Metalúrgica Gerdau (GOAU4) avança 2,54%, CSN (CSNA3) ganha 2,08%, WEG (WEGE3) sobe 1,86% e Suzano (SUZB3) avança 1,68%. Entre as maiores quedas aparecem Ambev, Bradesco, Multiplan (MULT3), Motiva (MOTV3) e B3 (B3SA3).
No Brasil, o Índice Geral de Preços Mercado (IGP-M) subiu 1,47% em outubro, depois de avançar 1,57% em setembro. O indicador acumula alta de 4,97% no ano e de 5,24% em 12 meses, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV).
PIB dos EUA cresce 3,4% e reforça cautela com juros
O Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos cresceu a uma taxa anualizada de 3,4% no terceiro trimestre, acima dos 2,2% registrados no período anterior e da projeção de 3,2% dos economistas consultados pela Reuters.
Os números foram divulgados um dia depois de o Federal Reserve (Fed) manter a taxa de juros entre 3,75% e 4% ao ano. A combinação de crescimento forte e inflação ainda distante da meta de 2% mantém no radar a possibilidade de novo aperto monetário em dezembro.
Dado fiscal brasileiro alivia parte da pressão, diz Murad
Murad, da Wiser Asset, afirma que os indicadores dessa quinta apresentam forças opostas para os ativos brasileiros. De um lado, a atividade americana mais resistente mantém a perspectiva de juros elevados. Do outro, o resultado das contas públicas brasileiras trouxe uma surpresa positiva.
No exterior, "o PIB dos EUA cresceu (...) superando as projeções consultadas. Uma economia mais forte reduz a urgência de estímulos pelo Fed. Para a bolsa brasileira, isso significa maior concorrência dos investimentos americanos e pressão sobre o custo de capital, que reduz o valor atribuído aos lucros futuros das empresas."
"Isso ajuda a entender por que a melhora fiscal não garante alta imediata da bolsa. Para sustentar uma recuperação, o mercado precisa enxergar continuidade no equilíbrio das contas e redução dos juros longos. Até lá, a acomodação dos preços continuará convivendo com volatilidade", acrescenta.
Wall Street cai com tecnologia sob pressão
As bolsas de Nova York abriram em queda nessa quinta-feira. O Dow Jones recuava 0,48%, aos 52.223 pontos, enquanto o S&P 500 caía 0,54%.
A pressão é maior sobre as empresas de tecnologia. O Nasdaq perde 1,68% e o Nasdaq 100 recua 1,70%, enquanto investidores avaliam os dados fortes da economia americana e os balanços das grandes companhias do setor.
Amazon, Intel e outras empresas ainda divulgam resultados, mantendo a temporada de balanços no centro das atenções em Wall Street.
Petróleo cai mais de 2% e pressiona Petrobras
Os preços do petróleo recuam nesta quinta-feira. O West Texas Intermediate (WTI), referência de preços americana, cai 2,22%, a US$ 100,50 por barril, enquanto o parâmetro global Brent perde 1,64%, a US$ 113,43.
A queda da commodity ocorre após a forte volatilidade provocada pelas tensões no Oriente Médio e ajuda a explicar a pressão sobre as ações da Petrobras no pregão brasileiro.
Bolsas da Europa sobem perto de 1%
As principais bolsas europeias operam em alta hoje. O Stoxx 600 avança 0,99%, enquanto o DAX, de Frankfurt, sobe 1,31%. O CAC 40, de Paris, ganha 1,22%, o FTSE 100, de Londres, sobe 0,70% e o FTSE MIB, de Milão, avança 0,38%.
A temporada de balanços e as decisões dos grandes bancos centrais seguem no radar dos mercados da região.
Bolsas da Ásia fecham mistas com Japão em alta e China em queda
Os mercados asiáticos encerraram a sessão sem direção única. No Japão, o Nikkei 225 avançou 1,10%, enquanto o S&P ASX 200, da Austrália, ganhou 0,50% e o Nifty 50, da Índia, subiu 1,05%. Na China, o índice de Xangai caiu 0,82%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, perdeu 0,59%.
