Que horas o gringo volta? Estrangeiro retira R$ 22,7 bi da bolsa em dois meses

O investidor estrangeiro tirou R$ 22,7 bilhões da B3 em maio e junho. É a pior sequência de dois meses do ano para o fluxo de capital externo na bolsa brasileira, e o primeiro pregão de julho mostra que o movimento ainda não parou.
Maio foi o mês da fuga
Em maio, o estrangeiro vendeu líquido em 19 dos 20 pregões. O saldo do mês fechou em -R$ 14,9 bilhões, a maior saída em quatro anos. Só houve um dia de entrada, em 8 de maio, com R$ 118,78 milhões.
O maior desconto do mês veio no dia 15 de maio, com saída de R$ 2,47 bilhões em um único pregão, coincidindo com uma compra atípica de R$ 5,19 bilhões por institucionais e uma venda de R$ 3,1 bilhões por instituições financeiras. É um padrão de volume compatível com o rebalanceamento trimestral da carteira do Ibovespa, que costuma concentrar negócios grandes entre fundos e bancos. Mesmo sem esse dia, o saldo de maio continuaria fortemente negativo, em R$ 12,4 bilhões.
Junho trouxe algum alívio
Em junho, a saída de capital estrangeiro perdeu força, mas não parou. O saldo do mês foi de -R$ 7,8 bilhões, com o estrangeiro vendendo líquido em 14 dos 21 pregões. No início do mês, um pregão neutro chegou a interromper a pressão vendedora que vinha da virada de maio, mas a trégua durou pouco.
A maior saída única do mês ocorreu em 22 de junho, com R$ 2,09 bilhões retirados em um só dia. Depois de um trecho ruim entre os dias 9 e 22, o fluxo deu sinais de reversão no fim do mês: no dia 29, entraram R$ 666,52 milhões, e no dia 30, mais R$ 302,09 milhões.
Quem comprou o que o estrangeiro vendeu
A saída do investidor estrangeiro foi absorvida principalmente por institucionais e pessoas físicas. Em maio, o institucional comprou R$ 13,3 bilhões e a pessoa física, R$ 5,8 bilhões. Em junho, o padrão se inverteu em intensidade: o institucional comprou R$ 1,8 bilhão, e a pessoa física assumiu papel maior, com R$ 3,2 bilhões em compras líquidas.
Da euforia de abril à retirada
O movimento atual contrasta com o início do ano. Janeiro fechou com o maior fluxo mensal da história, de R$ 26,3 bilhões, e o ritmo forte seguiu até abril, quando a entrada superou R$ 10 bilhões pelo quarto mês consecutivo. Parte desse otimismo vinha da expectativa de gestores de que o fim de conflitos geopolíticos traria uma nova onda de capital estrangeiro para o Brasil.
O saldo acumulado no ano chegou ao pico em 14 de abril, em R$ 69,1 bilhões positivos, puxado por um dia isolado de forte entrada em 9 de abril, quando R$ 8,4 bilhões entraram na bolsa em um único pregão. Mas o próprio mês de abril já mostrava sinais de um comportamento mais tático do investidor externo, com saída concentrada nos últimos dias.
A partir de 15 de abril, o fluxo virou. Desde então, o saldo acumulado do ano caiu de forma quase contínua, mês após mês: abril fechou em +R$ 3,2 bilhões, maio em -R$ 14,9 bilhões e junho em -R$ 7,8 bilhões.
Onde está o saldo do ano
Somando todos os pregões de 2026 até 30 de junho, o estrangeiro ainda é comprador líquido na B3, com saldo positivo de R$ 33,8 bilhões. Mas esse número já é quase a metade do pico registrado em meados de abril, e a tendência dos últimos dois meses aponta para mais erosão.
E o começo de julho
O primeiro pregão de julho não trouxe alívio. No dia 1º, o estrangeiro retirou mais R$ 589,82 milhões da bolsa, mantendo a mesma direção observada na maior parte de maio e junho. Se o padrão se confirmar, julho começa como o terceiro mês seguido de saída líquida de capital externo da B3.
