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InvestMercadosCMDT
28/05/2026
3 min

Queda do petróleo: mercado aposta em alívio, mas analistas veem risco subestimado

Queda do petróleo: mercado aposta em alívio, mas analistas veem risco subestimado

O petróleo bruto está a caminho de registrar a segunda queda semanal consecutiva, e esse movimento diz muito sobre como o mercado está lendo o conflito entre Estados Unidos e Irã. Apesar da guerra voltar a se intensificar, os investidores ainda não estão precificando uma interrupção no pior cenário.

Só que, para analistas, esse otimismo pode custar caro. Os preços subiram mais de 3% na manhã desta quinta-feira, 28, após uma nova troca de ataques com mísseis entre Washington e Teerã.

O Brent, referência internacional, era cotado a US$ 95,01, com alta de 2,99% por volta das 8h44 (horário de Brasília), enquanto os contratos futuros do West Texas Intermediate (WTI), parâmetro de preço nos EUA, voltaram a superar US$ 91,29 o barril, com ganho de 2,94%.

Ainda assim, o recuo entre 4,49% e 5,20% acumulado na semana revela que o mercado continua apostando em uma resolução relativamente rápida para o conflito, uma leitura que especialistas ouvidos pela CNBC consideram equivocada.

Sinais contraditórios, mercado sem referência

O chefe de commodities da Investec, Callum Macpherson, descreveu a situação como "incrivelmente difícil" para os investidores. O problema central é a instabilidade dos sinais vindos de Washington e Teerã.

Progressos diplomáticos aparentes são frequentemente desmentidos em questão de horas. Na quarta-feira, circularam relatos de que autoridades iranianas teriam discutido um memorando de entendimento com áreas de acordo entre os dois lados, mas a Casa Branca logo desmentiu as alegações.

Agora o Irã acusa os EUA de violar o cessar fogo após uma nova rodada de mísseis atingir cidade portuária no país.

"É muito difícil para os mercados saberem como reagir a tudo isso", disse Macpherson. "Há consumidores, produtores e refinarias reais que precisam negociar, que precisam se proteger contra a volatilidade e comprar cargas. Os preços precisam ser definidos."

Ele reconheceu que os mercados estão "se virando por enquanto", mas classificou a situação atual como insustentável, segundo informações divulgadas pela agência.

Ormuz e o prêmio de risco que não some

Um dos nós do problema é o Estreito de Ormuz, na avaliação de Macpherson. O especialista apontou que há embarcações navegando por lá, mas poucos sinais de retorno à normalidade na rota, responsável pelo escoamento de 20% do petróleo globalmente.

Uma volta aos preços de US$ 60 a US$ 70 por barril, patamar registrado imediatamente antes do conflito, é considerada improvável no curto prazo. "Trata-se de ter confiança de que a guerra definitivamente terminou e que não haverá outro conflito", detalhou.

O analista sênior de ações da Hargreaves Lansdown, Matt Britzman, reforçou esse ponto. A faixa atual de US$ 90 a US$ 95 por barril reflete um "prêmio de risco considerável" ainda embutido nos preços.

"O mercado parece estar dividido entre a apreensão de curto prazo com a retomada das hostilidades e a esperança persistente de que ambos os lados ainda tenham incentivo suficiente para retomar o fluxo de energia", escreveu.

O estrategista de câmbio do OCBC Group Research, Sim Moh Siong, também vê pouco espaço para uma queda rápida nos preços, citando a capacidade do Irã de interromper o Estreito de Ormuz.

Na avaliação dele, danos à infraestrutura, aumento dos estoques estratégicos e um prêmio de risco estruturalmente mais elevado devem manter os preços sustentados, independentemente do desfecho diplomático de curto prazo.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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