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Sacre Investimentos
InvestMercados
26/07/2026
4 min

Quem comprou a Nutrella? Marca da Bimbo é arrematada por R$ 4,7 milhões

Quem comprou a Nutrella? Marca da Bimbo é arrematada por R$ 4,7 milhões

A Nutrella teve novo dono definido nesta sexta-feira, 24. A marca de pães foi arrematada por R$ 4,7 milhões em leilão, num desfecho que fecha um capítulo de meses de impasse entre a Bimbo e o Cade. Somada a comissão de 5% do leiloeiro, a conta da operação sobe para R$ 4,935 milhões. A identidade do comprador ainda não foi revelada. O vencedor foi registrado apenas por um código de usuário na plataforma.

A disputa, tocada pela Mega Leilões, teve dois momentos. No primeiro, só concorrentes já instalados no mercado de pães industrializados podiam dar lances, e a melhor oferta parou em R$ 3 milhões, sem vencedor. Como o edital já previa, abriu-se então uma segunda rodada, desta vez para fabricantes de outras categorias de alimentos com alcance nacional. Foi aí que o valor subiu até os R$ 4,7 milhões, ao cabo de 24 lances.

O fechamento do negócio ainda tem etapas pendentes. O arrematante tem prazo até esta-segunda-feira, 27 de julho para comprovar que tem condições financeiras, produtivas, logísticas e operacionais para tocar a marca. Cumprida essa fase, a decisão final sobre homologar ou não a compra fica com o Cade.

Entram no lote, além da marca Nutrella, uma das marcas da Bimbo no país, os direitos de propriedade intelectual, receitas, fórmulas, estoques e a base de clientes acumulada nos últimos 18 meses.

Por que a marca foi parar em leilão

Vender a Nutrella nunca foi uma escolha da Bimbo, e sim uma contrapartida cobrada pelo Cade para liberar a aquisição da Wickbold, aprovada em setembro de 2025 dentro de um Acordo em Controle de Concentrações (ACC). Pelo pacto, duas marcas teriam de sair das mãos do grupo mexicano: a Tá Pronto, já repassada à Pita Bread, e a própria Nutrella.

O acordo, no entanto, cercou o desinvestimento de condições. O interessado precisava atuar em alimentos que não fossem pães industriais, alcançar distribuição em todo o país e ter musculatura financeira A lógica por trás da trava era evitar que a Nutrella acabasse nas mãos de alguém ligado à própria Bimbo, garantindo em seu lugar um concorrente de fato.

Foi justamente esse filtro que travou o processo. Nenhum dos quatro nomes levados pela Bimbo ao longo dos meses convenceu a autarquia. A primeira interessada tropeçou logo na exigência financeira, já que passava por recuperação judicial. A última, apontada pelo órgão como fabricante conhecida de bolos e bolinhos, também foi barrada. O Cade classificou o plano de negócios entregue como "predominantemente descritivo e prospectivo" e sem indicadores que permitissem medir se a operação se sustentaria.

Com as recusas se acumulando e um atraso de quatro meses sobre o prazo excepcional já concedido, entrou em vigor a cláusula do acordo que autorizava levar o ativo a leilão aberto, sem qualquer piso de preço.

Poucos nomes cabiam no perfil

O próprio material do Cade ajuda a explicar por que os candidatos eram escassos. Em parecer de maio de 2025, ainda na fase de análise da fusão com a Wickbold, o órgão listou só duas empresas voltadas exclusivamente a bolos e bolinhos industrializados com presença de ponta a ponta no território nacional: a Selmi, casa centenária de massas e bolos por trás de Renata e Galo, e a Doceria Campos do Jordão, dona da Santa Edwiges.

Naquele mesmo texto apareciam Pandurata (Bauducco) e M. Dias Branco (Adria), reconhecidas pela distribuição capilar na panificação. Só que ambas produzem pão e, por isso, ficaram fora dos limites traçados pelo Cade. A M. Dias Branco, aliás, avisou que não entraria na disputa, o que encolheu ainda mais o grupo de empresas com fôlego para bancar a marca.

Durante meses, a Bimbo insistiu em emplacar um comprador pela via da negociação direta, esforço que dava a entender uma aposta em valores bem acima do que o leilão acabou revelando. E o capítulo pode não estar encerrado: em manifestações ao Cade, o grupo já havia contestado pontos do edital, o que deixa em aberto uma eventual tentativa de questionar o resultado.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
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