Quem controla os agentes de IA? ServiceNow anuncia ‘passaporte’ digital
Credencial verifica permissões durante a execução e tem a Nvidia como primeira parceira; lançamento está previsto para o quarto trimestre de 2026

RESUMO +
A ServiceNow anunciou o AI Passport, uma credencial digital para verificar as permissões de agentes de inteligência artificial durante a execução de tarefas. A Nvidia é a primeira parceira da iniciativa. O lançamento integra uma expansão do AI Control Tower, com recursos para identificar IA não autorizada e acompanhar custos. As três novidades têm disponibilidade prevista para o quarto trimestre de 2026.
Agentes de inteligência artificial (IA) poderão receber um “passaporte” para comprovar quais ferramentas, dados e ações estão autorizados a acessar dentro de uma empresa. A ServiceNow anunciou nesta quinta-feira, 15, o AI Passport, uma credencial digital que verifica essas permissões durante a execução das tarefas. A Nvidia é a primeira parceira da iniciativa, prevista para chegar ao mercado no quarto trimestre de 2026.
A proposta responde a uma dificuldade da expansão dos agentes de IA: acompanhar sistemas que podem escolher ferramentas e executar sequências de ações sem depender de uma aprovação humana a cada passo. Para controlar esse trabalho, as empresas precisam saber quais agentes estão em operação, quem os autorizou e até onde podem ir.
“Se as companhias não conseguem identificar os agentes, então a escala se transforma em um risco. Você não consegue governar o que você não consegue identificar. As empresas precisam ter essa governança”, afirma Nenshad Bardoliwalla, vice-presidente do grupo de gestão de produtos da ServiceNow e responsável pela organização de produtos de IA, em evento do qual a EXAME participou.
O lançamento faz parte da ampliação do AI Control Tower, plataforma da companhia para supervisionar o uso corporativo de inteligência artificial. Além das permissões, a atualização contempla identificação de agentes não aprovados, acompanhamento de comportamento e comparação entre gastos e resultados.
Como funciona o passaporte dos agentes
O AI Passport é uma credencial assinada criptograficamente, mecanismo que permite verificar sua autenticidade. Segundo a ServiceNow, ela registra o escopo autorizado de cada agente com base nas políticas, nos sistemas e nas aprovações da empresa.
A verificação ocorre durante a execução. Um agente que permanece dentro de suas permissões pode continuar trabalhando. Se ultrapassa esses limites, a proposta prevê respostas graduais: redirecionar a atividade, restringir acessos ou interromper a execução.
O objetivo é conferir a autorização antes que uma ação indevida aconteça, além de manter um registro para auditoria. O AI Control Tower reúne o histórico das ações e de quem as autorizou.
A ServiceNow afirma que o mecanismo também permite revogar permissões específicas e limitar o que um agente pode delegar a outro. Isso importa em tarefas com vários sistemas envolvidos: a autorização recebida por um deles não precisa ser transferida integralmente aos demais.
Por que a Nvidia participa
A Nvidia será a primeira parceira de lançamento do AI Passport. A proposta foi construída sobre especificações abertas, para permitir que outros fornecedores de identidade, governança e segurança emitam ou verifiquem as credenciais.
“O desafio com os agentes é que eles podem escolher suas próprias ferramentas e temos esse gap que estamos trabalhando para fechar. Precisamos das duas companhias para ajudar os nossos clientes a usar agentes com confiança”, afirma Itay Ozery, diretor de marketing de produtos de redes da Nvidia.
O mecanismo também abrange servidores de Model Context Protocol (MCP), protocolo que conecta agentes a ferramentas e fontes de informação. A intenção é verificar as permissões ao longo das diferentes etapas do trabalho, inclusive quando há componentes de terceiros.
Encontrar a IA que a empresa não autorizou
Outra frente do anúncio é a detecção de shadow AI, nome dado ao uso de inteligência artificial sem aprovação ou conhecimento das equipes responsáveis. A ServiceNow prevê identificar agentes não autorizados em operação na rede e ampliar o inventário de sistemas de IA.
A expansão do AI Control Tower inclui mais de 400 conectores prontos para descobrir aplicações em diferentes plataformas e fornecedores, segundo a empresa. Também contempla o mapeamento de acessos e o acompanhamento contínuo dos registros de execução dos agentes.
Essas informações sustentam os limites de atuação: saber que um agente existe é apenas uma parte do controle; é preciso relacioná-lo aos recursos que pode acessar e às regras que deve cumprir.
A conta da IA também entra no painel
A atualização amplia o acompanhamento de despesas por usuário, departamento e execução. A proposta é relacionar consumo, custo, qualidade e valor obtido, para ajudar as equipes a avaliar se o uso da tecnologia entrega os resultados esperados.
O novo AI Cost Management deverá reunir gastos com modelos, recursos de IA incorporados a softwares empresariais, serviços de nuvem e processadores gráficos de data centers. A integração com o AI Control Tower prevê alertas sobre possíveis estouros de orçamento.
Segundo a ServiceNow, as políticas poderão gerar respostas graduais, de um aviso à limitação de uso ou ao bloqueio. O AI Passport, a detecção de shadow AI e o AI Cost Management têm disponibilidade prevista para o quarto trimestre deste ano.
