Quem é a Kraken Technologies e por que ela está de olho no Brasil?
Plataforma criada pela britânica Octopus Energy mira um dos maiores mercados de energia elétrica do mundo

A britânica Octopus Energy, maior fornecedora de energia elétrica do Reino Unido, nasceu com uma proposta incomum no setor. Em vez dos sistemas de gestão tradicionais, desenvolveu desde cedo a própria plataforma, e assim nasceu o Kraken, software que reúne faturamento, atendimento e dados de consumo, hoje comercializado pela Kraken Technologies.
Com o tempo, o software também foi licenciado para outras empresas, e hoje conta com mais de 90 milhões de contas no mundo. Embora nascido na energia elétrica, o Kraken mira utilities e já chegou aos setores de saneamento e telecomunicações. Em 2025, a Octopus anunciou a separação da Kraken, que passará a operar como empresa independente.
O que torna o Kraken diferente?
Um diferencial do Kraken é integrar os dados dos clientes em uma só plataforma, sincronizada em tempo real com medidores de consumo e geração. Com todos os dados no mesmo ambiente, o faturamento é totalmente automatizado, sem cruzar informações entre softwares.
O grande volume de dados também permite mapear o padrão de consumo de cada cliente e sua reação a variações de preço, assim, a tecnologia pode criar diferentes modelos de precificação na própria plataforma. Com isso, a empresa pode implementar tarifas conforme o padrão de cada cliente, mais dinâmicas, acompanhando o mercado, ou com preços fixos, cobrando um prêmio pela estabilidade. Novas ofertas chegam ao mercado mais rápido e podem ser ajustadas conforme as necessidades dos clientes. Pode ainda atuar na gestão de recursos distribuídos por meio da integração direta com equipamentos inteligentes, e se comunicar com dispositivos nas residências, como baterias e carregadores de veículos elétricos.
Onde o Brasil entra na jogada?
O mercado de energia brasileiro é uma grande oportunidade para qualquer empresa de tecnologia do setor elétrico. O país tem cerca de 90 milhões de unidades consumidoras, o equivalente a toda a base do Kraken. A maioria está no mercado regulado, atendido por distribuidoras que, muitas vezes, usam sistemas legados e pouco integrados. Para essas empresas, a Kraken já traria benefícios, sobretudo no atendimento ao cliente e na modelagem de regras setoriais e tributárias complexas.
O que ainda limita esse potencial é a medição. Poucas unidades consumidoras no Brasil contam com medidores inteligentes, e, sem dados detalhados de consumo, o Kraken não pode ser explorado por completo. Porém, à medida que esses medidores forem instalados, a combinação entre medição detalhada e uma plataforma como o Kraken pode destravar uma leva de inovações em produtos e serviços para o consumidor brasileiro.
Outro fator que pode ampliar o espaço para o Kraken são as próximas fases da abertura do Mercado Livre de Energia. Com milhões de pequenos consumidores escolhendo seu fornecedor, surge a oportunidade de modernizar a venda de eletricidade. Nesse ambiente, as comercializadoras precisarão de ferramentas ágeis, simples de usar e com acesso fácil a dados, tanto para criar e lançar produtos quanto para gerir carteiras com milhões de clientes, e é aí que a Kraken quer se posicionar.
