Quem é Andy Burnham, trabalhista que assumirá o governo do Reino Unido nesta segunda

O Reino Unido terá um novo primeiro-ministro nesta segunda-feira, 20. O trabalhista Andy Burnham assumirá o cargo após a renúncia de Keir Starmer e se tornará o sétimo premiê britânico em pouco mais de uma década.
Ex-prefeito da Grande Manchester, Burnham promete reposicionar as prioridades do governo, com foco no alto custo de vida, na retomada do crescimento econômico e na melhoria dos serviços públicos.
Ainda nesta segunda, ele fará seu primeiro discurso em Downing Street e anunciará os integrantes do novo gabinete.
Quem é Andy Burnham?
Aos 56 anos, Burnham ganhou projeção nacional como prefeito da Grande Manchester, cargo que ocupou desde 2017 e que lhe rendeu o apelido de "Rei do Norte". Sua chegada ao comando do governo britânico marca uma rápida reviravolta política: há poucas semanas, ele retornou ao Parlamento ao vencer a eleição suplementar no distrito de Makerfield.
Sua candidatura ganhou força após as derrotas do Partido Trabalhista nas eleições locais de maio, que ampliaram a pressão sobre o então primeiro-ministro Keir Starmer. Em 22 de junho, Starmer anunciou a renúncia ao cargo e à liderança do partido, afirmando que não era mais a pessoa adequada para conduzir os trabalhistas até a próxima eleição geral.
Burnham recebeu o apoio de 322 dos 403 deputados trabalhistas, número suficiente para praticamente inviabilizar o surgimento de um adversário na disputa interna. Como nenhum outro candidato conseguiu reunir o mínimo de indicações exigido, ele foi confirmado para assumir a liderança do partido e, consequentemente, o cargo de primeiro-ministro.
Em comunicado divulgado após consolidar sua candidatura, Burnham afirmou estar "profundamente grato" pelo apoio recebido e disse que o Reino Unido precisa de uma nova abordagem política baseada na descentralização do poder, no fortalecimento das economias locais e na promoção do crescimento em todas as regiões do país.
Quais serão as prioridades do novo governo?
Em seu primeiro discurso como premiê, Burnham deverá defender uma política "mais estável e responsável", voltada para questões que afetam diretamente a população, como inflação, moradia, produtividade e qualidade dos serviços públicos, segundo informações antecipadas por seu gabinete divulgadas pela Reuters.
O novo primeiro-ministro herdará uma série de desafios econômicos e políticos. Entre eles estão o crescimento fraco da economia britânica, o aumento do custo de vida, a crise nos serviços públicos, o avanço do partido Reform UK, liderado por Nigel Farage, e a necessidade de controlar os gastos públicos sem ampliar impostos, de acordo com a Bloomberg.
Uma das primeiras decisões será a definição do ministro das Finanças. A atual ministra do Interior, Shabana Mahmood, aparece como favorita para assumir o posto, embora Burnham tenha evitado confirmar os nomes do novo gabinete antes da posse.
As propostas de Andy Burnham
Entre as principais propostas apresentadas até agora, Burnham defende ampliar a descentralização do poder no Reino Unido. Em discurso na semana passada, ele propôs instalar uma unidade do gabinete do primeiro-ministro, a Number 10 Downing Street, em Manchester, como forma de aproximar o governo central das administrações locais e ampliar a autonomia regional em áreas como habitação e transporte.
O trabalhista também prometeu reforçar o controle público sobre ossetores de água e energia, embora ainda não tenha detalhado como pretende implementar essas mudanças.
Na economia, sua equipe já anunciou o cancelamento do projeto que previa um documento nacional de identidade digital obrigatório.
Segundo a Reuters, os recursos destinados à iniciativa deverão ser redirecionados para políticas de combate ao custo de vida. Burnham também deve anunciar a retomada de projetos de exploração de petróleo e gás no Mar do Norte e estuda ampliar o controle estatal sobre empresas de infraestrutura, incluindo a companhia de saneamento Thames Water.
Política externa e defesa
Na área internacional, Burnham sinalizou continuidade em relação à gestão anterior. Ele confirmou que pretende manter Jonathan Powell como conselheiro de segurança nacional e defendeu um aumento gradual dos investimentos em defesa, prometendo maior transparência sobre os custos e cronogramas dos programas militares.
O novo premiê também indicou mudanças na postura do Partido Trabalhista em relação à guerra em Gaza. Em vídeo publicado nas redes sociais, afirmou que a legenda "não respondeu da forma correta" às primeiras ações militares de Israel e disse que pretende adotar uma abordagem diferente para o conflito.
Além disso, Burnham assume o governo em meio à escalada da guerra entre Estados Unidos e Irã e terá de administrar a relação com o presidente americano Donald Trump, além de manter o apoio britânico à Ucrânia e cumprir a meta de elevar os gastos com defesa para 3,5% do PIB até 2035.
