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Mundo
27/05/2026
4 min

Quem é Jason Miller, aliado de Trump que apoia Flávio Bolsonaro

Quem é Jason Miller, aliado de Trump que apoia Flávio Bolsonaro

Na entrevista coletiva que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) realizou após se encontrar com o presidente Donald Trump, um norte-americano também participou. Jason Miller, um aliado de Trump, falou por alguns minutos e respondeu perguntas de repórteres — e endossou pessoalmente a candidatura de Flávio à Presidência.

"Para as pessoas do Brasil cansadas dos cartéis narcoterroristas, da tomada do país pelo CPP (Partido Comunista Chinês), e a perseguição de opositores políticos, votar por Flávio Bolsonaro pode mudar tudo", disse Miller. "Só é preciso uma eleição."

Na mesma entrevista, Flávio Bolsonaro disse que Trump não endossou sua candidatura, e que ele não teria pedido isso.

Miller disse ainda que a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe de Estado, é uma ameaça à democracia no Brasil e no mundo, e também criticou ações do governo brasileiro que ele considera contrárias à liberdade de expressão.

A trajetória de Miller

O tom e a pompa com que Miller levou à interpretação de que ele seria membro da atual administração Trump. Na verdade, hoje ele não faz parte da gestão. Mas foi conselheiro sênior de Trump e atuou em suas três campanhas presidenciais. Em 2016, era o principal porta-voz do republicano e chegou a ser nomeado como diretor de comunicação da Casa Branca, em 2017, mas desistiu antes de assumir após revelações de um caso extraconjugal enquanto sua esposa estava grávida.

Em 2024, Miller também atuou na campanha de Trump, como porta-voz, mas não passou a integrar o governo após a vitória e foi para a iniciativa privada. Atualmente, ele não integra o governo americano, mas segue próximo ao Partido Republicano e é sócio de uma empresa de lobby, a SHW Partners.

Nos EUA, a profissão de lobista, que consiste em tentar influenciar governos a adotar medidas que possam beneficiar indivíduos e empresas, é legalizada.

Em 2025, ele fechou um contrato com o governo da Índia por US$ 1,8 milhão, para ajudar o país nas relações com a Casa Branca. Nesta semana, o secretário de Estado, Marco Rubio, visitou o país, e Miller o acompanhou no começo da viagem.

No ano passado, a SHW foi contratada por empresas de tecnologia. A Scale IA, por exemplo, conseguiu um contrato com o Pentágono para atuar em defesa militar, segundo o site Politico.

Miller também se registrou para atender à plataforma de criptomoedas OKX, que voltou a operar nos EUA após pagar uma multa de US$ 500 milhões por violar regras.

Relação com a família Bolsonaro

O lobista tem uma relação de anos com Bolsonaro e seus aliados. Ele visitou o Brasil ao menos três vezes e tentou emplacar no país a rede social Gettr, que criou em 2021. Ele chama os Bolsonaro de "amigos" e tem buscado ajudá-los nas relações com Trump. No ano passado, ele celebrou as medidas contra o Brasil tomadas por Trump, como a tarifa de importação de 50%, depois revertida.

Antes da entrevista, Miller já havia postado várias mensagens a favor de Flávio, bem como ataques ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na semana passada, Miller postou uma imagem gerada por IA que mostra Moraes com uma tornozeleira eletrônica. "As paredes estão fechando. Talvez não tenha sido uma boa ideia banir a Trump Media e o Rumble no Brasil?", escreveu, após um tribunal da Flórida intimar Moraes a responder a um processo em que o STF é acusado de cercear as redes americanas.

Em 2021, ainda no governo de Jair Bolsonaro, ele foi detido para questionamentos pela Polícia Federal ao tentar sair no Brasil. O caso teve relação com o inquérito das fake news, aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele foi liberado para embarcar após três horas. A suspeita era de que o Gettr estaria sendo usado pela direita brasileira para planejar atos contra a democracia.

AutorRafael Balago
FonteExame
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