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InvestMercadosACS
29/09/2026
6 min

Quem é o novo CEO da Copasa — e o que explica a reação das ações CSMG3

Mudança no comando vem acompanhada por renovação do conselho e 'golden share' para o governo de Minas

Quem é o novo CEO da Copasa — e o que explica a reação das ações CSMG3

A Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) trocou o comando em um dos momentos mais importantes de sua história recente: a privatização. A empresa nomeou Augusto Dantas Borges, executivo com mais de 18 anos de trajetória no Grupo Equatorial e experiência em saneamento, como novo CEO.

A troca ocorre depois de uma forte valorização das ações da companhia. O papel (CSMG3) acumula alta de 29,97% no ano e de 65,11% em 12 meses. Nesta terça-feira, 29, a ação registrou forte volatilidade. Às 13h35 (horário de Brasília), o papel subia 0,43%. No final da manhã, chegou a operar em baixa.

A valorização nos últimos meses ocorreu em meio ao avanço do processo de privatização e à expectativa de mudanças na gestão. Agora o mercado já absorve parte dos ganhos recentes.

A nomeação de Dantas faz parte de uma reorganização mais ampla iniciada após a privatização. Além da chegada de um novo CEO, a Copasa reformulou o conselho de administração e a diretoria, com maior presença de executivos com passagem pelo Grupo Equatorial.

A nova administração é a primeira formada após a privatização concluída em junho. A Equatorial comprou 30% do capital da Copasa por R$ 5,59 bilhões e passou a ocupar posições centrais na gestão da companhia.

Quem é Augusto Dantas Borges

Engenheiro eletricista formado pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), Dantas construiu a maior parte da carreira no Grupo Equatorial. O executivo passou por áreas comerciais e de combate a perdas antes de chegar a cargos de liderança.

Também foi diretor na Equatorial Pará e presidente da Equatorial Maranhão. Em 2021, Dantas assumiu a Companhia de Saneamento do Amapá, primeira concessão de saneamento do Grupo Equatorial. No mesmo período, também comandou a Companhia de Eletricidade do Amapá.

Ele conta com experiência em redução de perdas, operação de concessionárias e gestão de empresas adquiridas, em um momento em que a Copasa entra em um período de investimentos elevados e maior cobrança por eficiência, controle de custos e melhora operacional.

"Nosso compromisso é acelerar os investimentos necessários, atuar com máxima eficiência e trabalhar de forma transparente com prefeituras, órgãos reguladores e mercado de capitais para levar um saneamento de excelência a cada cidadão mineiro", disse o novo CEO.

Na avaliação da GTF Capital, Dantas ficará especialmente ligado à execução da nova estratégia. A casa destaca, inclusive, a experiência do executivo na Equatorial Maranhão e na Companhia de Saneamento do Amapá como parte do histórico que pode ser aproveitado na Copasa.

Conselho também passa por renovação

O conselho de administração da Copasa também passou por uma ampla renovação e ganhou vários nomes com histórico no Grupo Equatorial. Tinn Freire Amado assumiu a presidência do conselho, enquanto Leonardo da Silva Lucas Tavares de Lima passou a ocupar a vice-presidência.

Tinn integra ainda os conselhos da Equatorial e da Echoenergia e já ocupou cargos executivos no grupo. Leonardo tem mais de duas décadas de experiência na Equatorial e atua em áreas ligadas a finanças, relações com investidores, fusões e aquisições (M&A, em inglês) e estratégia.

O conselho passou a ter nove integrantes, dos quais cinco são classificados como independentes. O mandato vai até a assembleia que analisará as demonstrações financeiras do exercício de 2027.

A GTF Capital destaca que o perfil dos novos dirigentes também ganha importância diante da migração dos contratos municipais para o novo modelo. Segundo a casa, os 43 contratos assinados até agosto, com validade até 2073, representam cerca de 37,5% da receita da Copasa.

O restante da receita ainda depende de contratos que não passaram pela migração. A GTF estima essa parcela em cerca de 62,5%, o que mantém a adaptação contratual entre os principais pontos de atenção da nova gestão.

Nova diretoria também comanda Copasa

Dantas substitui Marília Carvalho de Melo, que passa a comandar a área de relações institucionais e sustentabilidade. Além disso, Adriano Rudek de Moura passou a comandar a diretoria financeira (CFO, em inglês) e de relações com investidores.

A nova diretoria terá mandato até setembro de 2028.

Cleyson Jacomini de Sousa assumiu a diretoria comercial. Já Herbert Arnaud Dantas assumiu a diretoria de operações e, de forma interina, a diretoria de engenharia. Laura Petri Geraldino e Pablo Ferraço Andreão deixaram seus cargos na diretoria.

Após a reorganização dos principais cargos executivos e dos órgãos responsáveis pela estratégia da companhia, o mercado prevê que a próxima etapa será medir os efeitos dessa nova estrutura sobre custos, investimentos e indicadores operacionais nos próximos trimestres.

Sabesp é referência para tipo de ajuste da Copasa

A GTF Capital cita a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) como referência para o tipo de ajuste que pode ser buscado, pois a gestão indicada pela Equatorial adotou orçamento base zero na companhia paulista e reduziu as despesas operacionais de R$ 11,8 bilhões em 2024 para R$ 8,8 bilhões em 2025.

A comparação não significa que a Copasa repetirá os mesmos resultados, mas ajuda a mostrar o tipo de estratégia que pode ganhar espaço. A GTF considera que a presença de executivos de carreira da Equatorial aproxima a companhia de uma agenda de eficiência já adotada em outras operações.

A movimentação ocorre com uma alavancagem maior, visto que a relação entre dívida líquida e Lucro Antes de Juros, Impostos, Depreciação e Amortização (Ebitda, em inglês) dos últimos 12 meses chegou a 2,8 vezes no segundo trimestre, ante 2x um ano antes.

Parte desse aumento decorre do ciclo de investimentos, segundo a GTF, a qual considera que as despesas operacionais recorrentes dos próximos trimestres serão um dos principais indicadores para medir se a Copasa consegue seguir uma trajetória de eficiência semelhante à observada na Sabesp.

Estado mantém direitos com golden share

Mesmo depois da privatização, o Estado de Minas Gerais preservou direitos especiais por meio de uma golden share.
A ação especial garante ao governo o direito de eleger, em votação separada, um integrante do conselho de administração e um membro do conselho fiscal, além do respectivo suplente.

Esses representantes só podem ser destituídos pelo próprio Estado. Além disso, há regras específicas para eventuais alterações ou retirada desses direitos, assim Minas Gerais mantém presença em pontos determinados da governança, mesmo após deixar o controle da companhia.

Só que, para a GTF, "a presença de executivos de carreira da Equatorial nos dois postos reduz o risco de interferência política e aproxima a Copasa da agenda de eficiência já testada na Sabesp."

"Fica a pergunta que separa a manchete da análise: privatização de estatal com golden share, poder de veto e cadeira garantida, é privatização de verdade ou uma troca de controlador com o Estado ainda dentro?", questionou Ricardo Penha, sócio-fundador do Hub do Investidor em publicação nas redes sociais.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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