Quem é Pedro Alliana, vice que assume após renúncia de Peña no Paraguai?
Número 2 de Santiago Peña construiu carreira no Partido Colorado, governou Ñeembucú e presidiu a Câmara dos Deputados antes de chegar ao Executivo nacional

A renúncia do presidente do Paraguai, Santiago Peña, nesta quinta-feira, 5, abre caminho para a posse do vice, Pedro Alliana, como novo chefe de Estado do país. Peña anunciou que deixaria o país após a crise envolvendo o Ueno Bank e após o partido dele, Colorado, confirmar que apoiaria um impeachment no Congresso.
Aos 52 anos, Alliana reúne uma trajetória como governador, deputado e dirigente da mesma legenda.
Política e basquete
Nascido em 19 de fevereiro de 1974, em Pilar, capital do departamento de Ñeembucú, Hércules Pedro Lorenzo Alliana Rodríguez trabalhou como comerciante antes de ganhar projeção na política. Sua primeira tentativa de chegar ao Executivo municipal não teve sucesso: em 2006, disputou a prefeitura de sua cidade pelo Partido Colorado e perdeu.
Antes de ocupar os principais espaços da política paraguaia, Alliana teve uma passagem pelas quadras, jogando basquete e chegou a defender a seleção nacional. Mais tarde, sua trajetória passou a se concentrar na administração pública e na atuação partidária.
Em 2008, conquistou o governo de Ñeembucú, onde permaneceu até 2012. A passagem pela administração regional abriu caminho para o Congresso: Alliana foi eleito deputado em 2013 e reconduzido ao cargo nas eleições de 2018. Durante sua atuação parlamentar, foi escolhido quatro vezes para presidir a Câmara dos Deputados.
Sua influência também cresceu dentro da Associação Nacional Republicana, nome oficial do Partido Colorado. Ele assumiu a presidência da legenda em 2015 e teve sua permanência prorrogada em 2020. Em 2023, venceu a eleição para vice-presidente na chapa de Peña.
Em 2018, Alliana chegou a ficar internado no Brasil, no Hospital Sírio Libanês, onde tratou uma doença hematológica.Relação com Horacio Cartes
Alliana integra desde 2010 o movimento Honor Colorado, liderado pelo ex-presidente Horacio Cartes. Essa ligação o posicionou entre os principais nomes do grupo, mas não impediu divergências sobre o futuro político da legenda.
Em outubro de 2026, ao reafirmar sua pré-candidatura presidencial, Alliana não descartou disputar fora do movimento. Na ocasião, defendeu que sua lealdade política não deveria ser confundida com submissão e destacou que sua trajetória havia começado antes da aproximação com Cartes.
Nesta quinta-feira, 5, os dois voltaram a se reunir na sede do Partido Colorado. Segundo o jornal paraguaio ABC Color, o encontro tratou da sucessão presidencial diante da possibilidade de saída de Peña.
Situação no Congresso em meio à crise
Alliana também foi incluído no pedido de julgamento do impeachment apresentado pela oposição. Ainda assim, uma parte da bancada governista decidiu separar sua situação da de Peña. Os nove deputados da chamada bancada B do Partido Colorado anunciaram apoio ao processo contra o presidente, mas rejeitaram a destituição do vice.
O líder do grupo, deputado Hugo Meza, afirmou que Alliana não teria conspirado para chegar à Presidência e declarou que a bancada apoiaria sua ascensão ao cargo caso a saída de Peña se concretizasse. Essa é a posição do bloco parlamentar, não uma conclusão independente sobre os acontecimentos.
Pela regra de sucessão descrita pelo ABC Color, cabe ao vice assumir a Presidência em caso de vacância. Com isso, o Senado deverá escolher um de seus integrantes para preencher a Vice-Presidência.
