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NegóciosMPOL
04/10/2026
5 min

Quem mais quer aprender IA no trabalho não são os jovens, são os chefes

Pesquisa da DOT Digital Group com 1.088 profissionais mostra que 49% das lideranças priorizam o desenvolvimento de competências em IA, ante 23% dos iniciantes

Quem mais quer aprender IA no trabalho não são os jovens, são os chefes

As empresas brasileiras vêm estruturando infraestruturas de aprendizagem, mas nem todas essas iniciativas são compreendidas pelos profissionais como efetivas para o trabalho. Segundo um estudo realizado pela DOT Digital Group, 76,1% dos profissionais reconhecem a existência de ferramentas e plataformas de aprendizagem, mas apenas 40,7% reconhecem a aprendizagem integrada ao fluxo de trabalho.

A pesquisa foi motivada pela necessidade de coletar referências e parâmetros para o mercado.

“O mercado brasileiro avançou muito na oferta de plataformas, conteúdos, programas e tecnologias de aprendizagem. Mas ainda faltava uma visão mais ampla sobre o quanto essa estrutura estava, de fato, se transformando em aprendizagem aplicada ao trabalho”, diz Luiz Ferla, CEO do DOT Digital Group.

A pesquisa foi realizada por meio de um questionário estruturado aplicado a 1.088 profissionais de 154 empresas de grande porte, com mais de mil funcionários, de todas as regiões do Brasil. O levantamento contemplou profissionais de diferentes níveis hierárquicos e dos modelos de trabalho presencial, híbrido e remoto, com 33 afirmações sobre sete dimensões da aprendizagem corporativa, avaliadas em uma escala de 1 a 10. O instrumento também passou por testes estatísticos de consistência e confiabilidade.

O levantamento foi uma iniciativa inédita realizada pela DOT Digital Group, empresa fundada em 1996 com foco no desenvolvimento de infraestruturas e conteúdos de aprendizagem corporativa.

A empresa apareceu no Ranking EXAME Negócios em Expansão 2026, na categoria de R$ 150 milhões a R$ 300 milhões.

“Fomos deixando de ser apenas uma empresa que entregava conteúdo ou tecnologia e passamos a atuar de forma mais estratégica. Hoje, nosso foco está em construir jornadas de aprendizagem que considerem contexto, dados, personalização, tecnologia e, principalmente, a conexão com o trabalho e com os resultados do negócio”, afirma.

A falta de conexão prática

Segundo a pesquisa, 71,5% dos profissionais ainda não percebem a aprendizagem conectada às suas necessidades no ambiente de trabalho. Essa dificuldade de conexão entre aprendizagem e efetividade prática é um dos principais achados da pesquisa.

Para Ferla, o problema está além da falta de ofertas de tecnologia de aprendizagem: ele está presente no contexto e na relevância dos programas de aprendizagem.

“Se a pessoa não consegue entender como determinado conhecimento ajuda a resolver um problema que ela enfrenta, desenvolver uma competência necessária para sua função ou avançar em sua carreira, aquele aprendizado passa a competir com todas as outras prioridades e rotinas do dia”, diz.

Quando a qualificação está conectada diretamente à prática diária, aumenta a percepção sobre a aprendizagem.

“E os dados sobre aplicação reforçam isso: quando a aprendizagem é percebida como relevante para a função, 87,4% afirmam ter aplicado algo recentemente. Ou seja, quanto mais próxima a aprendizagem estiver da realidade do trabalho, maior é a possibilidade de ela se transformar em prática”, afirma.

A pesquisa também mostra que as experiências mais maduras combinam diferentes formas de aprendizagem: formal, prática, social e aprendizagem no fluxo do trabalho. Quando essas quatro dimensões aparecem juntas, o Índice de Maturidade da Aprendizagem (IMA) chega a 68,4 pontos, contra 53,8 entre os demais respondentes.

Ferla destaca a importância de garantir que a trilha de aprendizagem se encaixe na rotina dos colaboradores. “Não adianta dizer que aprendizagem é importante se ela precisa disputar espaço com todas as outras demandas do trabalho. A empresa precisa criar condições concretas para que aprender faça parte da própria forma de trabalhar”, afirma.

A aprendizagem sobre inteligência artificial

A pesquisa também investigou a relação dos profissionais com a inteligência artificial e encontrou um resultado que contraria a percepção de que a qualificação na tecnologia seria uma demanda principalmente dos mais jovens. O interesse pelo desenvolvimento de competências em IA cresce conforme aumenta a senioridade: o tema é apontado como prioridade por 49% das lideranças formais e 47% dos profissionais experientes, ante 23% dos iniciantes.

A diferença está relacionada à própria atuação desses profissionais. Quanto maior a senioridade, maior tende a ser a exposição a decisões, processos e responsabilidades que vêm sendo impactados pela inteligência artificial. “A necessidade de aprender IA não está restrita a quem está entrando no mercado”, afirma Ferla. Para profissionais que já acumulam anos de experiência, o desafio passa por incorporar a tecnologia a conhecimentos e práticas que já fazem parte de sua atuação.

O resultado também chama atenção para a necessidade de as empresas ampliarem a oferta de capacitação em IA para diferentes momentos da carreira, e não apenas para quem está começando. “É preciso criar experiências de aprendizagem que ajudem profissionais em diferentes momentos da carreira a incorporar a IA de maneira relevante para sua atuação”, diz.

O que é o ranking Negócios em Expansão

O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).

O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.

Em 2026, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2025.

São 491 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros.

Conheça o hub do projeto, com os resultados completos do ranking e, também, a cobertura do evento de lançamento da edição 2026.

AutorBianca Camatta
FonteExame
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