Quem mais quer aprender IA no trabalho não são os jovens, são os chefes
Pesquisa da DOT Digital Group com 1.088 profissionais mostra que 49% das lideranças priorizam o desenvolvimento de competências em IA, ante 23% dos iniciantes

As empresas brasileiras vêm estruturando infraestruturas de aprendizagem, mas nem todas essas iniciativas são compreendidas pelos profissionais como efetivas para o trabalho. Segundo um estudo realizado pela DOT Digital Group, 76,1% dos profissionais reconhecem a existência de ferramentas e plataformas de aprendizagem, mas apenas 40,7% reconhecem a aprendizagem integrada ao fluxo de trabalho.
A pesquisa foi motivada pela necessidade de coletar referências e parâmetros para o mercado.
“O mercado brasileiro avançou muito na oferta de plataformas, conteúdos, programas e tecnologias de aprendizagem. Mas ainda faltava uma visão mais ampla sobre o quanto essa estrutura estava, de fato, se transformando em aprendizagem aplicada ao trabalho”, diz Luiz Ferla, CEO do DOT Digital Group.
A pesquisa foi realizada por meio de um questionário estruturado aplicado a 1.088 profissionais de 154 empresas de grande porte, com mais de mil funcionários, de todas as regiões do Brasil. O levantamento contemplou profissionais de diferentes níveis hierárquicos e dos modelos de trabalho presencial, híbrido e remoto, com 33 afirmações sobre sete dimensões da aprendizagem corporativa, avaliadas em uma escala de 1 a 10. O instrumento também passou por testes estatísticos de consistência e confiabilidade.
O levantamento foi uma iniciativa inédita realizada pela DOT Digital Group, empresa fundada em 1996 com foco no desenvolvimento de infraestruturas e conteúdos de aprendizagem corporativa.
A empresa apareceu no Ranking EXAME Negócios em Expansão 2026, na categoria de R$ 150 milhões a R$ 300 milhões.
“Fomos deixando de ser apenas uma empresa que entregava conteúdo ou tecnologia e passamos a atuar de forma mais estratégica. Hoje, nosso foco está em construir jornadas de aprendizagem que considerem contexto, dados, personalização, tecnologia e, principalmente, a conexão com o trabalho e com os resultados do negócio”, afirma.
A falta de conexão prática
Segundo a pesquisa, 71,5% dos profissionais ainda não percebem a aprendizagem conectada às suas necessidades no ambiente de trabalho. Essa dificuldade de conexão entre aprendizagem e efetividade prática é um dos principais achados da pesquisa.
Para Ferla, o problema está além da falta de ofertas de tecnologia de aprendizagem: ele está presente no contexto e na relevância dos programas de aprendizagem.
“Se a pessoa não consegue entender como determinado conhecimento ajuda a resolver um problema que ela enfrenta, desenvolver uma competência necessária para sua função ou avançar em sua carreira, aquele aprendizado passa a competir com todas as outras prioridades e rotinas do dia”, diz.Quando a qualificação está conectada diretamente à prática diária, aumenta a percepção sobre a aprendizagem.
“E os dados sobre aplicação reforçam isso: quando a aprendizagem é percebida como relevante para a função, 87,4% afirmam ter aplicado algo recentemente. Ou seja, quanto mais próxima a aprendizagem estiver da realidade do trabalho, maior é a possibilidade de ela se transformar em prática”, afirma.
A pesquisa também mostra que as experiências mais maduras combinam diferentes formas de aprendizagem: formal, prática, social e aprendizagem no fluxo do trabalho. Quando essas quatro dimensões aparecem juntas, o Índice de Maturidade da Aprendizagem (IMA) chega a 68,4 pontos, contra 53,8 entre os demais respondentes.
Ferla destaca a importância de garantir que a trilha de aprendizagem se encaixe na rotina dos colaboradores. “Não adianta dizer que aprendizagem é importante se ela precisa disputar espaço com todas as outras demandas do trabalho. A empresa precisa criar condições concretas para que aprender faça parte da própria forma de trabalhar”, afirma.
A aprendizagem sobre inteligência artificial
A pesquisa também investigou a relação dos profissionais com a inteligência artificial e encontrou um resultado que contraria a percepção de que a qualificação na tecnologia seria uma demanda principalmente dos mais jovens. O interesse pelo desenvolvimento de competências em IA cresce conforme aumenta a senioridade: o tema é apontado como prioridade por 49% das lideranças formais e 47% dos profissionais experientes, ante 23% dos iniciantes.
A diferença está relacionada à própria atuação desses profissionais. Quanto maior a senioridade, maior tende a ser a exposição a decisões, processos e responsabilidades que vêm sendo impactados pela inteligência artificial. “A necessidade de aprender IA não está restrita a quem está entrando no mercado”, afirma Ferla. Para profissionais que já acumulam anos de experiência, o desafio passa por incorporar a tecnologia a conhecimentos e práticas que já fazem parte de sua atuação.
O resultado também chama atenção para a necessidade de as empresas ampliarem a oferta de capacitação em IA para diferentes momentos da carreira, e não apenas para quem está começando. “É preciso criar experiências de aprendizagem que ajudem profissionais em diferentes momentos da carreira a incorporar a IA de maneira relevante para sua atuação”, diz.
O que é o ranking Negócios em Expansão
O ranking EXAME Negócios em Expansão é uma iniciativa da EXAME e do BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).
O objetivo é encontrar as empresas emergentes brasileiras com as maiores taxas de crescimento de receita operacional líquida ao longo de 12 meses.
Em 2026, a pesquisa avaliou as empresas que mais conseguiram expandir receitas ao longo de 2025.
São 491 empresas que criam produtos e soluções inovadoras, conquistam mercados e empregam milhares de brasileiros.
