Quem são os oficiais dos EUA barrados pelo Itamaraty por 'lobby' contra as urnas

O governo brasileiro negou vistos a dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos que pretendiam desembarcar em Brasília na última semana de julho. São eles Riley Barnes,subsecretário do escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho; e Samuel Samson, subsecretário-adjunto da pasta comandada pelo secretário de Estado Marco Rubio.
A decisão veio a público depois que o jornal The Washington Post relatou que os diplomatas viriam ao Brasil na tentativa de lançar dúvidas sobre a confiablidade das urnas eletrônicas nas eleições. Os dois pediram os vistos em 20 de julho e receberam a negativa na sexta-feira, 24. O Itamaraty confirmou a negativa, mas não detalhou os motivos da recusa.
Quem é Riley Barnes
Nascido em Uvalde, no Texas, Barnes é formado em ciência política pela Universidade Washington and Lee e tem mestrado em relações internacionais. No site do Departamento de Estado, aparece como subsecretário do escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, cargo que ocupa desde 2025.
Neste ano, Rubio o indicou para atuar como Coordenador Especial dos Estados Unidos para Questões Tibetanas e lhe delegou as atribuições de Embaixador Extraordinário para a Liberdade Religiosa Internacional. Barnes começou sua trajetória no Departamento de Estado em 2018, segundo seu perfil profissional. Antes disso, passou pelo Atlantic Council, centro de estudos de Relações Internacionais, onde foi diretor assistente e pesquisador.
Quem é Samuel Samson
Aos 27 anos, Samson é subsecretário-adjunto de Estado no escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho e assumiu o posto em 3 de maio de 2026. Antes, atuou como conselheiro sênior de políticas na mesma área, após ser nomeado por Trump em janeiro de 2025.
Filho de mãe filipina e pai americano, nasceu no Texas e se formou na Universidade do Texas, em Austin, com especialização em teoria do direito natural. Seu ativismo religioso o aproximou do grupo político American Moment, ligado ao vice-presidente JD Vance, onde trabalhou por quase três anos como diretor de parcerias estratégicas.
Recentemente, viajou pela África e pela Europa promovendo a política externa de Trump e estreitando laços com grupos de direita.
O que motivou a negativa
Formalmente, o pedido dos Estados Unidos era para debater "liberdade de expressão relacionada às eleições". As autoridades brasileiras, porém, identificaram uma tentativa de tumultuar o processo eleitoral por meio da missão diplomática. Segundo o Estadão, o governo brasileiro apurou que a intenção era elaborar um relatório capaz de deslegitimar o sistema de votação eletrônica.
Um sinal de alerta apareceu quando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se reuniu com embaixadores dias antes e citou suspeitas já negadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre as urnas eletrônicas. Flávio foi confirmado como candidato do PL à Presidência neste fim de semana, em São Paulo.
O TSE afirmou que a Embaixada dos Estados Unidos procurou a área internacional da Corte para tratar de uma visita de integrantes do governo americano, mas não informou a pauta. A reunião não chegou a ser marcada por causa do recesso do Judiciário.
Pano de fundo da tensão
A negativa é mais um capítulo do atrito entre os dois países. Na sexta-feira, entrou em vigor um aumento tarifário sobre produtos brasileiros que pode chegar a 37,5% quando somado a cobranças anteriores. O governo americano alega práticas de concorrência desleal e falhas no combate ao trabalho forçado, acusações rejeitadas pela gestão Lula, que interpreta as medidas como interferência no pleito.
Semanas antes, após visita de Flávio e Eduardo Bolsonaro a Washington, o governo Trump classificou as principais facções do tráfico brasileiro como organizações terroristas estrangeiras, movimento ao qual Lula se opõe.
