Quem vê a corrupção como maior problema do Brasil? BTG/Nexus revela perfil do eleitor
Pesquisa BTG Pactual/Nexus mostra que 32% dos eleitores com renda acima de cinco salários mínimos apontam desvios na gestão pública como principal problema do país

A corrupção segue entre as maiores preocupações do eleitorado brasileiro, mas o peso dado ao tema muda conforme o perfil de quem responde à pesquisa.
Segundo recorte exclusivo do levantamento BTG Pactual/Nexus, 22% de todos os eleitores apontam a corrupção, que inclui desvio de verba, impostos, dinheiro público, "roubalheira" e políticos corrompidos, como o principal problema do país na atualidade.
Esse percentual, porém, sobe com força entre grupos específicos: quem mora na Região Sul, quem tem renda mais alta, quem concluiu o ensino superior e, principalmente, entre os homens.
Para esse eleitorado, o combate aos desvios na gestão pública supera outras urgências do dia a dia.
"O perfil do eleitor que coloca a corrupção como o problema número um do Brasil coincide com a base tradicional da oposição e do pensamento liberal de centro-direita", analisa Marcelo Tokarski, CEO da Nexus.
"Trata-se de um eleitor de classe média-alta, com curso superior, inserido no mercado formal e morador da Região Sul. Diferente dos estratos de menor renda, que sentem a urgência direta da saúde ou do custo de vida, esse segmento analisa o país sob a ótica da eficiência institucional e da integridade da máquina pública, tornando-se um grupo estratégico para as candidaturas que levantam a bandeira ética", comenta Tokarski.
Vale reforçar que o tema incomoda o eleitorado brasileiro como um todo, não só esse grupo.
A diferença é que, entre a população em geral, outras pautas como saúde e segurança pública costumam dividir a atenção com essa questão.
Já entre eleitores de renda alta, alta escolaridade e moradores do Sul, a corrupção aparece com mais frequência como a resposta número um, à frente de todos os demais problemas do país.
Qual o perfil de quem mais se incomoda com a corrupção?
O detalhamento demográfico e socioeconômico da pesquisa BTG Pactual/Nexus mostra que essa sensibilidade ao tema se concentra em alguns recortes específicos:
- Renda: entre quem ganha mais de 5 salários mínimos, 32% apontam a corrupção como o maior problema do país, o dobro do índice registrado entre quem recebe até 1 salário mínimo (16%).
- Região: a Região Sul lidera isolada, com 33% dos eleitores citando o tema como prioridade, à frente do Sudeste (22%), do Norte/Centro-Oeste (20%) e do Nordeste (20%).
- Escolaridade: entre eleitores com ensino superior, 31% colocam o assunto no topo das preocupações, ante 22% no ensino médio e 18% no ensino fundamental.
- Mercado de trabalho: o tema é mais citado entre trabalhadores do mercado formal (26%) do que entre os que atuam na informalidade (18%).
- Gênero: os homens demonstram preocupação bem maior com o assunto do que as mulheres, 28% contra 18%.
- Religião: o eleitorado evangélico lidera a identificação do problema (27%), seguido por pessoas sem religião (22%), católicos (20%) e praticantes de outras religiões (20%).
- Idade: a preocupação se mantém estável ao longo da vida, com 23% de menções entre 16 e 24 anos, entre 25 e 40 anos e entre 41 e 59 anos, recuando para 21% entre eleitores com mais de 60 anos.
- Porte do município: o tema atinge 24% no interior, 21% nas regiões metropolitanas e 20% nas capitais.
Qual é o conceito de corrupção?
De forma ampla, a corrupção pode ser definida como o uso indevido de uma função pública ou de posição de poder para obter vantagem privada, em prejuízo do interesse coletivo.
No Brasil, a Lei Anticorrupção (Lei nº 12.846/2013) trata da responsabilização de empresas por atos contra a administração pública, como fraudes em licitações, pagamento de propina e desvio de recursos.
A fiscalização e a prevenção de práticas desse tipo cabem, no âmbito do Poder Executivo federal, à Controladoria-Geral da União (CGU), responsável pelo controle interno e por apurar irregularidades no uso do dinheiro público, muitas vezes em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Federal.
O tamanho do desafio brasileiro nessa área aparece no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), calculado anualmente pela Transparência Internacional.
Em 2025, o Brasil obteve 35 pontos em uma escala de 0 a 100; quanto mais próximo de 100, melhor a percepção, repetindo a segunda pior nota da série histórica e ficando na 107.ª posição entre 182 países e territórios avaliados.
A pesquisa BTG Pactual/Nexus (13ª rodada) entrevistou, por telefone, 2.002 pessoas entre os dias 4 e 7 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com intervalo de confiança de 95%.
