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Sacre Investimentos
Mercado ImobiliárioFII
06/08/2026
3 min

'Queremos multiplicar por mais de 10x a carteira imobiliária', diz diretor do Sicredi

Cooperativa aposta no financiamento habitacional para acelerar o crescimento e fidelizar associados no longo prazo

'Queremos multiplicar por mais de 10x a carteira imobiliária', diz diretor do Sicredi

PORTO ALEGRE* — O Sicredi quer transformar o crédito imobiliário em uma das principais alavancas de crescimento da cooperativa nos próximos anos. Em um cenário de juros elevados e maior seletividade na concessão de empréstimos, a instituição pretende multiplicar por mais de dez vezes sua carteira de financiamentos habitacionais até 2029.

"Tenho a expectativa de aumentar em mais de dez vezes a carteira imobiliária nos próximos três anos no Sicredi", afirmou o diretor-presidente da cooperativa, César Bochi, em entrevista à EXAME.

A aposta ocorre em um momento de expansão do mercado imobiliário. O volume de financiamentos para compra e construção de imóveis somou R$ 180,9 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 23% em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

No caso do Sicredi, a estratégia parte de uma oportunidade dentro da própria base de associados. Segundo Bochi, os clientes da cooperativa mantêm mais de R$ 40 bilhões em financiamentos imobiliários contratados em outras instituições financeiras. O objetivo é trazer parte dessas operações para dentro do Sicredi.

"O crédito imobiliário é um produto fidelizador", disse o executivo. Segundo ele, quem financia um imóvel costuma concentrar na mesma instituição outros serviços financeiros, como conta-salário, Pix, cartão de crédito e seguros.

A expansão ocorre em um momento de desaceleração do mercado de crédito. Há cerca de três anos, a carteira do Sicredi crescia entre 25% e 30% ao ano. Hoje, esse ritmo varia entre 10% e 12%, dependendo da modalidade, reflexo dosjuros elevados e do aumento da inadimplência.

Mesmo com um cenário mais desafiador, Bochi vê espaço para acelerar o crédito imobiliário por considerar que se trata de uma modalidade de menor risco e de relacionamento de longo prazo. "É um crédito bom, porque gera patrimônio", diz.

Segundo o executivo, os prazos mais longos — de 20 a 30 anos — permitem adequar o valor das parcelas à renda do associado, tornando o financiamento mais sustentável do ponto de vista financeiro.

Para Bochi, o crédito deve contribuir para a formação de patrimônio e fortalecer o vínculo entre cooperativa e associado, e não apenas ampliar o volume de operações.

A estratégia acompanha a postura mais conservadora adotada pelo Sicredi em outras linhas de financiamento, diante da deterioração das condições financeiras de famílias e empresas.

A aposta no imobiliário

Para sustentar o crescimento, o Sicredi pretende combinar diferentes fontes de recursos, como poupança e Letras de Crédito Imobiliário (LCI). A instituição possui mais de R$ 40 bilhões em depósitos de poupança, e começou a destinar uma parcela maior dessa captação ao financiamento de imóveis.

Segundo Bochi, mudanças regulatórias promovidas pelo Banco Central (BC) também abriram espaço para uma combinação mais eficiente entre poupança, LCI e recursos liberados do compulsório, com o objetivo de oferecer taxas mais competitivas aos associados.

O executivo explica que o aumento dos financiamentos também cria lastro para novas emissões de LCI, ampliando a disponibilidade de recursos para a própria carteira.

“Quanto mais crédito imobiliário se faz, mais lastro se gera para captar LCI. E, quanto mais LCI se faz, mais recursos se têm para fazer imobiliário”, afirma.

A expansão marca ainda uma diversificação da atuação do Sicredi, historicamente reconhecido pela presença no crédito rural. A cooperativa busca ampliar sua participação entre clientes urbanos sem abandonar o princípio de vincular cada financiamento à capacidade de pagamento do associado.

*O repórter viajou a convite do Sicredi

AutorCésar H. S. Rezende
FonteExame
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