R$ 279 bilhões foram embora da bolsa em sete dias de queda do Ibovespa
Desvalorização das ações equivale quase ao valor de mercado da mineradora Vale, segundo levantamento da Elos Ayta

Em apenas sete pregões, a bolsa brasileira encolheu um valor equivalente a quase toda a Vale, uma das maiores companhias do país. As empresas listadas na B3 perderam R$ 279 bilhões em valor de mercado entre 3 e 12 de agosto, período que coincide com a sétima queda seguida do Ibovespa, segundo levantamento da Elos Ayta.
O montante representa cerca de 90% do valor de mercado atual da mineradora, hoje avaliado em torno de R$ 311 bilhões. O que parece ter empurrado o índice para baixo foi o clima de maior desconfiança com os ativos brasileiros, alimentado por incertezas do cenário eleitoral e pela saída de capital estrangeiro.
Essa redução não significa, no entanto, que R$ 279 bilhões tenham efetivamente saído da bolsa em forma de resgates. O número reflete a desvalorização das ações das companhias listadas, não uma retirada física de recursos.
Boa parte desse rombo saiu do bolso dos bancos. As 18 instituições financeiras listadas perderam sozinhas R$ 100,1 bilhões em valuation no período, praticamente o equivalente ao tamanho atual do Banco do Brasil na B3, hoje avaliado em cerca de R$ 108 bilhões.
Os números por trás da queda do Ibovespa
O Ibovespa cedeu 5,9%, recuando de 178.000,24 pontos, em 3 de agosto, para 167.491,07 pontos em 12 de agosto, data da última sessão negativa da sequência. E parte relevante da pressão vem de fora, já que investidores estrangeiros retiraram R$ 7,2 bilhões da B3 só em agosto, considerando o período até o dia 12.
Além dos bancos, outros cinco setores também sentiram o baque com intensidade. Energia Elétrica, com 29 companhias, perdeu R$ 37,4 bilhões; enquanto Exploração, Refino e Distribuição, com nove empresas, recuou R$ 35,8 bilhões.
Seguradoras somaram R$ 15,3 bilhões em perdas, Cervejas e Refrigerantes tiveram baixa de R$ 14,2 bilhões e Serviços Médico-Hospitalares perderam R$ 10,7 bilhões.
Setores mais afetados respondem por R$ 213,6 bi
Os seis setores mais afetados, incluindo o bancário, respondem por R$ 213,6 bilhões ou 76,5% de toda a redução de valor de mercado observada na bolsa brasileira no período.
Para colocar esses números em perspectiva, o total perdido pelos seis setores mais impactados corresponde a cerca de 96% do valor de mercado do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME), avaliado hoje em, aproximadamente, R$ 224 bilhões.
"A concentração das perdas em grandes setores e a magnitude da redução do valor de mercado mostram que a sequência de quedas do Ibovespa representa um movimento relevante de reavaliação das companhias brasileiras pelo mercado", de acordo com a consultoria.
