R$ 8 bilhões em jogo: resort de Ivanka Trump na Albânia enfrenta investigação

Jared Kushner, investidor americano eex-assessor sênior da Casa Branca durante a gestão de Donald Trump, além de genro do ex-presidente, está envolvido em um projeto de resort de luxo na Albânia que agora enfrenta investigações criminais.
Kushner planeja, junto com sua esposaIvanka Trump, desenvolver vilas, hotéis e marinas em áreas costeiras protegidas do país, num projeto batizado de Sazan Island Resort. Ele conta com forte apoio do primeiro-ministro albanês, Edi Rama, que defende que o projeto traria empregos e infraestrutura para a região, mas também tem sido alvo de protestos de ambientalistas e moradores locais.
A ilha desabitada de Sazan, de 5,7 quilômetros quadrados, está situada no mar Adriático, na costa de Vlora, uma cidade no sudoeste da Albânia. O local serviu como base militar durante a Segunda Guerra Mundial, mais tarde tornando-se parte da rede de defesa alinhada à União Soviética na década de 1950. A ilha permaneceu como um posto altamente fortificado mesmo após a ruptura da Albânia com a URSS.
O resort tem investimento inicial de 1,4 bilhão de euros (o equivalente a mais de R$ 8 bilhões) e está projetado para ocupar a ilha e fica próximo a uma zona que abriga flamingos, focas e ninhos de tartarugas marinhas.
Um novo capítulo para o resort
Agora, o empresário Artur Shehu, albanês radicado em Miami, é o pivô da nova polêmica. Segundo documentos analisados pela Reuters, Shehu vendeu grandes extensões de terra no litoral albanês à empresa apoiada por Kushner, destinadas ao resort. Em meados de 2026, promotores anticorrupção da Albânia, por meio da Estrutura Especial de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (SPAK), iniciaram uma investigação criminal contra Shehu.
As autoridades afirmam que ele teria utilizado documentos falsificados para reivindicar a propriedade das terras e o acusam de suposto envolvimento com lavagem de dinheiro e narcotráfico. Como consequência, a justiça albanesa congelou fundos provenientes da venda e outros ativos ligados ao consórcio do projeto.
De acordo com os autos do processo, Shehu e seus associados estariam envolvidos na expansão de um império imobiliário usando fundos ilícitos e documentos fraudulentos para adquirir e transferir terras, dificultando o rastreamento dos ativos.
À Reuters, o advogado de Shehu, Kujtim Cakrani, nega todas as acusações. A agência não encontrou evidências de que Kushner, a Sazan Real Estate Development, a Albania Land Development ou outros investidores estivessem cientes das suspeitas sobre Shehu no momento da compra das terras.
Um porta-voz da Sazan afirmou que as aquisições foram legais e dentro dos procedimentos aplicáveis, enquanto a Albania Land Development não comentou. Representantes de Kushner também se recusaram a se pronunciar sobre o caso.
O terreno destinado ao resort se localiza em uma área de praias selvagens, florestas e pântanos que abrigam espécies como tartarugas marinhas e flamingos. A população local já iniciou protestos, conhecidos como a "Revolução dos Flamingos", questionando a titularidade do terreno com base em registros históricos e planejando ações judiciais para suspender o projeto.
O caso ocorre em meio a uma maior fiscalização da atividade econômica na Albânia. Além de Shehu, a SPAK emitiu mandados de prisão contra 20 pessoas envolvidas em tráfico de narcóticos e lavagem de dinheiro. Os mandados identificam apenas as iniciais dos suspeitos, conforme o procedimento padrão do país, e ainda não há informações sobre prisões ou indiciamentos.
O governo albanês mantém que o projeto segue de acordo com a legislação local e normas da União Europeia, com supervisão regulatória contínua. O primeiro-ministro Edi Rama defendeu publicamente o empreendimento, afirmando que ele seguirá em frente independentemente das contestações.
