Raia Drogasil (RADL3): por que o Safra aposta em alta de 39%, enquanto o Citi vê queda no horizonte
A Raia Drogasil (RADL3) divulgou um resultado do segundo trimestre de 2026 em linha com as expectativas do mercado, mas a leitura dos analistas ficou dividida. Enquanto o Safra reforçou sua visão positiva sobre a companhia, o Citi manteve uma postura mais cautelosa. A receita bruta da companhia cresceu 18% na comparação anual, para R$ […]

A Raia Drogasil (RADL3) divulgou um resultado do segundo trimestre de 2026 em linha com as expectativas do mercado, mas a leitura dos analistas ficou dividida. Enquanto o Safra reforçou sua visão positiva sobre a companhia, o Citi manteve uma postura mais cautelosa.
A receita bruta da companhia cresceu 18% na comparação anual, para R$ 12,8 bilhões, impulsionada pelo avanço das vendas em mesmas lojas e pelos ganhos de participação de mercado.
Já o Ebitda ajustado somou R$ 1 bilhão, com margem estável de 8%.
Para o Safra, o trimestre reforça a resiliência da Raia Drogasil. Já o Citi avalia que os resultados ficaram dentro do esperado e não devem provocar uma reação significativa dos investidores.
Geração de caixa é o destaque
O consenso entre as duas casas é que o maior destaque do balanço foi a geração de caixa.
O Safra ressaltou que a companhia gerou R$ 550 milhões em fluxo de caixa livre e reduziu a dívida líquida ajustada em 25%, para R$ 3 bilhões, o que levou a alavancagem para 0,8x Ebitda.
Na avaliação do Citi, mesmo desconsiderando os efeitos extraordinários da operação com a 4Bio, a Raia Drogasil apresentou uma geração recorrente de caixa robusta, estimada em R$ 516 milhões, favorecida pela melhora do capital de giro.
Os dois bancos apontaram que os medicamentos da classe GLP-1, utilizados no tratamento de diabetes e obesidade, continuaram sendo um dos principais motores de crescimento da companhia. Segundo o Safra, as vendas de medicamentos de marca avançaram 24%, impulsionadas justamente pelos produtos dessa categoria.
Margens dividem avaliações
Os bancos discordam sobre as perspectivas do mercado a partir das margens da Raia Drogasil.
O Safra considera que a estabilidade, mesmo diante das pressões sobre custos e despesas comerciais, demonstra disciplina operacional e reforça sua visão positiva para a companhia.
Já o Citi avalia que a ausência de expansão pode frustrar parte do mercado. Na visão dos analistas, o fato de a Raia Drogasil não conseguir ampliar a rentabilidade mesmo com crescimento real de 8,1% nas vendas em mesmas lojas pode levantar dúvidas sobre a capacidade de alavancagem operacional nos próximos trimestres.
Recomendações divergem
O Safra manteve recomendação de compra para a Raia Drogasil, argumentando que a combinação de crescimento consistente, ganhos de mercado, forte geração de caixa e desalavancagem torna a empresa uma das preferidas do banco no setor. O preço-alvo é de R$ 27, o que representa potencial de valorização de cerca de 39%.
Por outro lado, o Citi, mantém recomendação de venda. Embora reconheça os avanços operacionais, o banco acredita que o balanço não traz catalisadores suficientes para impulsionar as ações e espera que os papéis permaneçam negociando em uma faixa estreita no curto prazo.
Entre os principais riscos apontados estão comparações mais difíceis no segundo semestre de 2026 e a possibilidade de desaceleração do crescimento sem expansão das margens. O preço-alvo ficou estabelecido em R$ 18, com potencial de queda de 7,3%.
*Com supervisão de Maria Carolina Abe
