Raízen (RAIZ4) quer trocar o conselho, mexer no capital e entregar até R$ 35 bilhões em novos papéis aos acionistas
Pacote de reestruturação da Raízen será votado em outubro e prevê aumento do capital autorizado, redução de capital bilionária e uma nova estrutura de ações; entenda

A Raízen (RAIZ4) está prestes a passar por uma ampla reorganização. Em meio ao processo de recuperação extrajudicial, a companhia quer redesenhar sua estrutura de capital, governança e ações — e já chamou os acionistas em busca de um sinal verde.
A empresa convocou uma assembleia extraordinária para 30 de outubro. Na AGE, os investidores deverão votar um pacote que prevê a destituição do atual conselho, uma redução bilionária no capital social e uma nova estrutura de ações.
As mudanças fazem parte da implementação do plano de recuperação e, segundo a Raízen, têm como objetivo reforçar a estrutura financeira e de governança do grupo.
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Redução de capital bilionária no radar
O primeiro tópico da votação é a ampliação do limite do capital autorizado da companhia para até 200 bilhões de ações. Segundo a Raízen, a medida abre espaço para o aumento de capital previsto no plano de recuperação extrajudicial.
Na outra ponta, a Raízen propõe reduzir o capital social em até R$ 35 bilhões. De acordo com a companhia, após a capitalização, parte desse montante se tornaria “excessiva”.
A redução seria feita por meio da entrega de papéis da Raízen Energia S.A. diretamente aos acionistas, na proporção de suas participações na companhia.
A operação acompanha a reorganização prevista no plano de recuperação extrajudicial, que divide os negócios da Raízen em duas frentes: a Raízen Energia, focada na operação agrícola, e a vertical de distribuição de combustíveis.
Raízen (RAIZ4): novo conselho e nova estrutura de ações
Na governança, a proposta prevê a destituição de todos os atuais conselheiros e a eleição de um novo conselho, com sete membros titulares e sete suplentes.
A escolha será feita por chapa única, com mandato unificado de três anos, durante o regime de transição do Nível 2 da B3.
Além disso, a estrutura acionária da Raízen também será redesenhada. A empresa propõe criar as ações preferenciais classe B (PNB), que terão os mesmos direitos econômicos da classe A, mas voto restrito a determinadas matérias.
A atual classe de ações preferenciais passará a ser chamada de classe A (PNA). Com isso, o capital da companhia ficará dividido entre três classes: ações ordinárias (ON), preferenciais classe A (PNA) e preferenciais classe B (PNB).
Os acionistas ainda deverão votar a criação de um programa de units, que combinará uma ação ordinária e uma ação preferencial classe A em um único papel, ampliando as possibilidades de negociação dos ativos no mercado.
A situação financeira da Raízen
A Raízen melhorou o desempenho operacional no primeiro trimestre da safra 2026/27, mas a conta financeira continua pesando — retrato do desafio que a companhia tenta enfrentar com a recuperação extrajudicial e a reorganização dos negócios.
Entre abril e junho, a empresa reduziu em 11% o prejuízo líquido, para R$ 1,64 bilhão. A receita líquida avançou 4% na comparação anual, para R$ 51,46 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado mais do que dobrou, chegando a R$ 3,85 bilhões.
A melhora operacional, porém, não foi suficiente para aliviar o resultado final. O resultado financeiro ficou negativo em R$ 2,97 bilhões, um rombo 42,4% maior que o registrado no mesmo período do ano anterior.
É nesse contexto que entra o plano de reorganização da companhia. Segundo o diretor financeiro (CFO) da Raízen, Lourival Luz, a expectativa é que a futura separação dos negócios resulte em empresas com estruturas de capital mais saudáveis e menor alavancagem.
A Raízen tem até março de 2027 para concluir as etapas previstas no plano de recuperação extrajudicial e até dezembro do ano que vem para finalizar a segregação dos negócios.
