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Sacre Investimentos
EmpresasACS
17/10/2026
4 min

Raízen (RAIZ4): recuperação extrajudicial avançou, mas credores estão longe de saber quanto vão recuperar no fim do processo, diz BB Investimentos

Com assembleia marcada para 30 de outubro, companhia avança na implementação do plano, mas situação financeira ainda é delicada

Raízen (RAIZ4): recuperação extrajudicial avançou, mas credores estão longe de saber quanto vão recuperar no fim do processo, diz BB Investimentos

A recuperação extrajudicial da Raízen (RAIZ4) deu mais um passo importante. A companhia agora avança para a etapa de implementação da reestruturação, com a aprovação das medidas necessárias à execução.

A assembleia geral extraordinária (AGE) que deliberará sobre as mudanças para capitalização, conversão de dívida e reorganização dos negócios foi marcada para 30 de outubro.

Para os analistas do BB Investimentos, este avanço reduz parte das incertezas sobre a execução do plano, o que é positivo para os ativos da empresa. Entretanto, não resolve uma das principais dúvidas dos credores: quanto efetivamente será recuperado ao final do processo.

Em relatório divulgado nesta semana, os analistas do banco avaliam que a companhia está criando as condições necessárias para converter dívidas em ações, receber novos aportes de capital e concluir a separação dos negócios prevista na reestruturação.

"Para os bondholders, o avanço é construtivo, já que viabiliza a conversão de créditos, a nova governança e a separação dos negócios. No entanto, o valor final de recuperação segue dependente da capitalização, da alocação de dívida entre os grupos e do desempenho dos ativos após a segregação", afirmam os analistas do banco.

O que avançou na reestruturação da Raízen

O principal marco desta nova etapa será a assembleia marcada para 30 de outubro, quando os acionistas deverão votar as alterações necessárias para colocar o plano em prática. Entre elas estão:

  • o aumento do limite de capital autorizado da companhia,
  • a criação de uma nova classe de ações preferenciais, e
  • a criação de units que serão utilizadas na estrutura prevista para a conversão de dívidas em participação societária.

Além disso, o relatório destaca ainda a reformulação da governança da companhia, com a substituição do atual conselho de administração por um novo colegiado alinhado à execução do plano.

Na avaliação do BB, a mudança pode aumentar a proteção dos credores que se tornarão acionistas após a conversão de seus créditos.

Outro avanço relevante é o processo de segregação dos negócios da companhia.

A proposta prevê uma redução de capital de até R$ 35 bilhões mediante a entrega aos acionistas de valores mobiliários da Raízen Energia (RESA). Essa etapa é essencial para a separação das atividades de distribuição (Raízen Combustíveis) dos negócios de produção de energia e açúcar.

Neste ponto, para os investidores em ações, o relatório afirma que as propostas confirmam a forte diluição e a perda de influência dos atuais acionistas.

No entanto, "definem um caminho para o reequilíbrio financeiro e para a avaliação separada dos negócios de distribuição e de energia".

A conclusão é que se trata da materialização de um cenário adverso, "mas cujos avanços parecem ser menos negativos do que os de uma recuperação judicial", dizem os analistas do BB Investimentos.

Afinal, o crédito melhorou?

Embora o BB considere o avanço positivo para a execução do plano, o documento não sugere uma melhora substancial da qualidade de crédito da Raízen. Pelo contrário, os analistas destacam que os ratings continuam em níveis extremamente deteriorados.

A Fitch mantém rating C (bra), uma das notas mais baixas da escala, enquanto a Moody's Local classifica a companhia como CC.br, nível que indica elevada vulnerabilidade ao não pagamento.

Já a S&P Global atribui nota SD, ou default seletivo, utilizada quando uma empresa renegocia ou deixa de cumprir parte de suas obrigações financeiras.

Essas classificações indicam que a companhia continua sendo vista pelo mercado como um emissor em situação financeira bastante fragilizada, apesar dos avanços no processo de reestruturação.

Em seu relatório, o BB destaca uma redução de incertezas em relação à implementação do plano de recuperação extrajudicial, mas não vê melhora substancial na saúde financeira da empresa.

O diagnóstico dos analistas é que a situação continua difícil, mas pode terminar sendo menos danosa do que seria em um processo tradicional de recuperação judicial, que costuma ser mais longo, mais litigioso e frequentemente resulta em perdas maiores para investidores.

AutorMonique Lima
FonteSeu Dinheiro
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