Rali pode turbinar lucro da B3 (B3SA3) em 25%, mas será que vale comprar a ação agora?
O rali da bolsa após o primeiro turno das eleições levou o UBS BB a elevar o preço-alvo da B3 (B3SA3) de R$ 18,50 para R$ 26,50, mantendo a recomendação de compra. O banco vê a operadora da bolsa entre as principais beneficiárias de um possível cenário de ajuste fiscal e juros menores no Brasil. […]

O rali da bolsa após o primeiro turno das eleições levou o UBS BB a elevar o preço-alvo da B3(B3SA3) de R$ 18,50 para R$ 26,50, mantendo a recomendação de compra. O banco vê a operadora da bolsa entre as principais beneficiárias de um possível cenário de ajuste fiscal e juros menores no Brasil.
OBTG Pactualtambém identifica espaço para ganhos nos resultados. Em uma simulação, a duplicação do volume financeiro médio diário considerado em seu modelo elevaria em cerca de 25% a estimativa de lucro líquido para 2027.
Os relatórios mostram que a aceleração dos negócios mudou as perspectivas para a companhia. A diferença está em quanto desse cenário cada banco já incorpora às suas projeções – e no espaço que enxergam para a ação após a valorização recente.
UBS BB vê espaço para mais, mesmo após alta de 50%
Segundo o UBS BB, as ações da B3 acumulavam valorização de aproximadamente 50% desde o fim de agosto. Embora reconheça que parte da melhora das perspectivas já esteja refletida na cotação, o banco ainda vê potencial de ganhos.
O novo preço-alvo de R$ 26,50 representa uma valorização potencial de aproximadamente 19% sobre os R$ 22,28 usados como referência no relatório.
O otimismo acompanha a mudança no ritmo das negociações. De acordo com o UBS BB, o volume financeiro negociado em ações atingiu R$ 103 bilhões no primeiro pregão após a eleição, enquanto a média diária de outubro estava em R$ 62 bilhões até a elaboração da análise.
O fluxo estrangeiro também ganhou força: o banco aponta entrada líquida de R$ 13 bilhões no mês, dos quais R$ 10 bilhões no primeiro pregão após o pleito – o maior ingresso diário da série, segundo o relatório.
Na avaliação dos analistas, as expectativas de um cenário fiscal mais favorável ajudaram a reduzir os juros futuros e impulsionaram os ativos brasileiros. A valorização das empresas na bolsa, por sua vez, tende a sustentar volumes financeiros maiores nas negociações.
Projeções maiores para volumes e lucros
O UBS BB elevou em aproximadamente 20% suas estimativas de volume financeiro médio diário para 2027 e 2028, para R$ 39,6 bilhões e R$ 43,2 bilhões, respectivamente.
As novas premissas consideram principalmente o maior valor de mercado das empresas e uma recuperação gradual do giro das ações, especialmente entre pessoas físicas e instituições financeiras.
Combinadas à revisão de cerca de 5% nas projeções de volume de contratos, as mudanças levaram a um aumento de aproximadamente 6% nas estimativas de receita e de 9% nas de lucro para 2027 e 2028.
Agora, o banco espera lucro líquido ajustado de R$ 6,4 bilhões em 2027, avanço de 14% sobre o ano anterior, e de R$ 6,7 bilhões em 2028, alta de 5%.
A elevação do preço-alvo também reflete a queda dos juros dos títulos e do custo de capital próprio – a taxa de retorno exigida pelos acionistas para investir na companhia.
BTG calcula lucro até 25% maior, mas mantém cautela
No BTG, o salto nas negociações também chamou a atenção. O banco destaca que o volume financeiro médio diário de ações à vista estava próximo de R$ 60 bilhões em outubro, ante os R$ 32,4 bilhões previstos em seu modelo para 2027.
A análise de sensibilidade indica que um volume de R$ 58,4 bilhões, 80% acima da premissa atual, elevaria a estimativa de lucro líquido de 2027 em aproximadamente 20%, mantendo os demais fatores constantes.
Se o volume alcançasse R$ 64,9 bilhões, o dobro da projeção, o impacto positivo seria de cerca de 25%. Nesse cenário, o preço-alvo para meados de 2027 subiria de R$ 19 para R$ 24.
Esses números, porém, são simulações e ainda não foram incorporados às projeções oficiais do BTG. O banco considera cedo para transformar alguns dias de negociações intensas em uma premissa para o ano inteiro.
Por enquanto, a recomendação permanece neutra, com preço-alvo de R$ 19, abaixo da cotação de referência de R$ 22,76 utilizada no documento.
Por que o BTG prefere XP?
Apesar do potencial de melhora nos resultados da B3, o BTG considera a XPuma alternativa mais barata e com maior potencial de revisão positiva dos lucros em um cenário favorável para o Brasil.
Pelas contas do banco, uma recuperação de 0,10 ponto percentual na taxa de receita da XP, de volta aos níveis observados alguns anos atrás, já elevaria o lucro por ação em aproximadamente 20%.
É o mesmo impacto que a B3 alcançaria com um aumento de 80% no volume financeiro médio diário de ações, segundo a simulação.
O BTG também avalia positivamente os esforços do CEO Chris Egan para simplificar a companhia, melhorar a relação com clientes e desenvolver produtos e tecnologia. No curto prazo, porém, considera a eleição o principal fator para o desempenho do papel.
“Precisaremos revisar para cima nossas projeções para a B3 caso esse ritmo se mantenha”, afirmam os analistas no documento.
