Rali pós-eleição pode durar meses, mas mercado cobrará ajuste fiscal, diz TAG
O resultado do primeiro turno das eleições pode abrir espaço para um rali de alguns meses nos ativos brasileiros, na avaliação da TAG Investimentos. A continuidade dos ganhos, porém, dependerá das sinalizações econômicas de Flávio Bolsonaro durante a campanha e, em caso de vitória, da capacidade de transformar as expectativas de melhora fiscal em medidas […]

O resultado do primeiro turno das eleições pode abrir espaço para um rali de alguns meses nos ativos brasileiros, na avaliação da TAG Investimentos. A continuidade dos ganhos, porém, dependerá das sinalizações econômicas de Flávio Bolsonaro durante a campanha e, em caso de vitória, da capacidade de transformar as expectativas de melhora fiscal em medidas concretas.
Na carta de outubro, a gestora afirma que o avanço do candidato amplia a possibilidade de uma mudança na condução da economia. Ainda assim, ressalta que o favoritismo eleitoral não garante um governo comprometido com o equilíbrio das contas públicas.
“A depender da janela internacional […], podemos ter aqui um rally de alguns meses, até que o governo comece. Daí em diante, só com entregas”, afirma a TAG.
A avaliação distingue dois momentos para os investimentos. Até a posse, as expectativas podem sustentar a valorização; depois, a execução da agenda econômica tende a ganhar peso nas decisões dos investidores.
“Flávio tem que provar ao mercado que o seu fiscalismo não é da boca para fora”, diz a gestora.
O que pode sustentar os ganhos
Para a TAG, o resultado das urnas melhora as perspectivas de uma condução econômica mais favorável. Essa percepção leva a casa a aumentar a sensibilidade de sua carteira de títulos ligados aoIPCAàs oscilações dos juros, planejar uma ampliação da exposição a prefixados e elevar a posição em bolsa brasileira.
A aposta é que um governo comprometido com o ajuste fiscal possa abrir espaço para cortes de juros, em um cenário que a gestora descreve como de enfraquecimento da economia e dificuldades no crédito.
Uma redução das taxas exigidas pelo mercado tende a valorizar os títulos de renda fixa já emitidos. Na bolsa, juros menores podem favorecer as empresas ao reduzir os custos de financiamento e tornar as ações mais atraentes em relação a outras aplicações.
O cenário internacional também será decisivo. A TAG ressalta que a oportunidade nos ativos locais depende das condições externas, diante de um ambiente que descreve como de alta de juros em outros países.
“Favorito não é programa”
Apesar do posicionamento mais favorável ao Brasil, a gestora mantém ressalvas sobre a disposição dos candidatos para enfrentar o desequilíbrio fiscal.
“Favorito não é programa. Escrevemos em junho que não víamos vontade de ajuste fiscal em Lula e tampouco em Flávio”, afirma.
Segundo a TAG, o próximo presidente herdará juros elevados, compromissos de despesas e um Congresso no qual a aprovação de medidas continuará dependendo de negociações com o Centrão.
Na leitura da casa, o fortalecimento da direita aumenta sua capacidade de negociação, mas não elimina a necessidade de construir alianças para executar a agenda econômica.
Por isso, a formação de uma eventual equipe de governo e a definição das prioridades no início do mandato serão sinais relevantes para os investidores.
Agenda política pode colocar o rali em risco
Um dos riscos destacados pela TAG é que pautas políticas ocupem o espaço das medidas econômicas nos primeiros meses de uma eventual gestão de Flávio.
“Se Flávio gastar muito tempo com anistia e impeachment de ministros do STF e com isso prejudicar a agenda econômica, o mercado não terá paciência e cobrará isso nos preços”, afirma a gestora.
A casa também considera que a relação entre um Senado mais alinhado ao bolsonarismo e um Supremo Tribunal Federal sob pressão pode manter o ruído institucional, independentemente de quem vencer a eleição.
Esse ambiente pode aparecer no prêmio de risco – a remuneração adicional exigida pelos investidores para aplicar no país – e limitar a valorização dos ativos.
Para a TAG, o primeiro turno melhorou as probabilidades de uma mudança econômica. Sustentar o otimismo exigirá demonstrações de compromisso fiscal e capacidade de aprovação das medidas.
“O resto tem de ser conquistado com entregas”, afirma.
