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Mundo
21/06/2026
2 min

Ramiro Valdés, comandante da Revolução Cubana, morre aos 94 anos

Ramiro Valdés, comandante da Revolução Cubana, morre aos 94 anos

Ramiro Valdés Menéndez, um dos principais nomes da Revolução Cubana e fundador do serviço de inteligência do país, morreu aos 94 anos. O anúncio foi feito neste domingo, 21, pelo presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel.

“A partida física do Comandante da Revolução Ramiro Valdés Menéndez dói profundamente, como a de um pai”, escreveu Díaz-Canel na rede social X.

O presidente cubano destacou ainda a proximidade de Valdés com os líderes históricos da revolução. “Cada ato da vida do Comandante Ramiro foi marcado por sua lealdade absoluta à liderança de Fidel e Raúl, aos seus companheiros de luta”, afirmou.

Geração revolucionária de Cuba

Valdés integrava o grupo restrito de dirigentes que mantinham o título de Comandante da Revolução em Cuba. Ao lado de Raúl Castro, de 95 anos, era um dos últimos sobreviventes da expedição do iate Granma, embarcação que desembarcou em Cuba em 2 de dezembro de 1956 e marcou o início da ofensiva revolucionária liderada por Fidel Castro.

Durante a guerrilha contra o governo de Fulgencio Batista, Valdés atuou como segundo comandante do revolucionário argentino Ernesto "Che" Guevara.

Após a vitória da revolução em 1959, consolidou-se como uma das figuras centrais do novo governo.

Papel na segurança do Estado

Membro do Partido Comunista de Cuba, Valdés ocupou o cargo de ministro do Interior e foi responsável pela criação do G2, o serviço de segurança e inteligência do Estado cubano.

Sua atuação esteve diretamente ligada aos anos iniciais do regime revolucionário, período marcado pelo confronto entre o novo governo e grupos armados que se opunham à revolução.

Segundo Michael Shifter, integrante do centro de estudos Diálogo Interamericano, Valdés “lidou com a etapa mais dura do confronto dos anos posteriores a 1959” entre o governo revolucionário e seus opositores armados.

Presença até os últimos anos do regime

Mesmo após deixar as funções mais visíveis da administração cubana, Valdés continuou exercendo influência dentro da estrutura política do país.

Conhecido por aparecer em eventos públicos usando uniforme militar, manteve participação ativa ao lado de Díaz-Canel, o primeiro presidente cubano sem ligação familiar com os irmãos Castro desde a Revolução.

Sua morte representa mais uma baixa na geração histórica que liderou a transformação política de Cuba a partir do fim da década de 1950 e que permaneceu no centro do poder por mais de seis décadas.

AutorLetícia Ozório
FonteExame
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