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InvestMercados
23/07/2026
5 min

Ranking lista varejistas mais admiradas do Brasil: veja os critérios

Ranking lista varejistas mais admiradas do Brasil: veja os critérios

A reputação corporativa é cada vez mais resultado de um equilíbrio entre diferentes públicos e poucas empresas conseguem atingir esse objetivo. É que o revela um levantamento do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar) em parceria com a FIA Business School. Segundo o estudo divulgado com exclusividade à EXAME, apenas 2,5% das 120 organizações líderes analisadas conseguiram alcançar a excelência simultânea nas três dimensões consideradas fundamentais para a admiração empresarial: consumidores, colaboradores e liderança.

Intitulado de "O DNA da Admiração Corporativa", o estudo utiliza como base o Ranking IBEVAR–FIA Business School 2026 para mapear quais empresas são mais admiradas em seus respectivos segmentos.

Ao todo, foram concedidos 149 reconhecimentos distribuídos entre 120 empresas de 42 setores da economia, incluindo supermercados, bancos, hotelaria, alimentação, saúde, educação, tecnologia, turismo, moda e construção.

A análise parte de três indicadores considerados essenciais para medir o prestígio institucional. O primeiro é a imagem da empresa perante os consumidores, seguido pelo orgulho demonstrado pelos colaboradores e, por fim, a avaliação que esses profissionais fazem de suas lideranças.

Claudio Felisoni, presidente do Ibevar e professor da FIA Business School, explica que as três dimensões refletem percepções espontâneas dos diferentes públicos, sem que as respostas sejam induzidas por questionários direcionados.

"São reações muito representativas daquilo que as pessoas pensam de forma automática e verdadeira. O levantamento registra a percepção espontânea dos consumidores, dos colaboradores e dos colaboradores em relação às suas lideranças", afirma.

Mas, embora as três perspectivas sejam complementares, a percepção do consumidor ocupa um papel central. "Uma empresa só existe porque tem mercado. Se não houver consumidor, a empresa não existe. Por isso, essa talvez seja a dimensão mais relevante", diz.

Excelência simultânea é exceção

Os dados mostram que a excelência simultânea continua sendo exceção no ambiente empresarial brasileiro.

Entre as 120 empresas analisadas, 94 — o equivalente a 78,3% do total — lideram apenas uma das três dimensões. Dentro desse grupo, a liderança em gestão aparece como o caminho mais frequente para o topo, com 37 empresas (30,8%).

Outras 36 organizações, uma representação de 30%, se destacam apenas pela admiração dos consumidores, enquanto 21 empresas (17,5%) lideram exclusivamente no orgulho de pertencimento dos colaboradores.

O levantamento também identificou que 23 empresas (19,2%) conseguem combinar liderança em duas dimensões ao mesmo tempo. A principal combinação é entre colaboradores e liderança, presente em 20 organizações (16,7%), resultado que o estudo define como uma "vitória de dentro para fora", em que uma cultura organizacional forte se traduz em reconhecimento da gestão.

Já as combinações entre consumidor e liderança e consumidor e colaborador foram bem menos frequentes. Apenas a Caixa Econômica Federal conseguiu o feito de ser líder no mercado e no orgulho do time, o que representa 0,8% do total. O banco perde a liderança em gestão, porém, para outra marca em seu segmento.

Já Cacau Show e Porto Seguro dominam a percepção do cliente e a confiança na gestão, 1,7% do total, mas não atingiram o topo no quesito de orgulho de pertencimento dos colaboradores.

Angeloni, Ri Happy e Senac: 'padrão-ouro'

No topo da classificação aparecem apenas três organizações que alcançaram o chamado "padrão ouro" da reputação corporativa ao liderarem simultaneamente as três dimensões: Angeloni, Ri Happy e Senac.

Outras empresas também apareceram em mais de uma categoria de destaque, como Caixa Econômica Federal, Cacau Show, Porto Seguro, Natura, Farmácias Pague Menos, Grendene, Hospital Israelita Albert Einstein, Hilton, Netshoes, Livrarias Curitiba, Maria Brasileira, Rodobens, Primícia, Guaraná Antarctica, Jet Oil, Seculus, Ri Happy Baby, entre outras.

Para o presidente do Ibevar, liderar simultaneamente as três dimensões é um resultado raro porque exige excelência emaspectos diferentes da gestão empresarial.

Felisoni ressalta que o ranking identifica apenas as empresas que ocupam a primeira posição em cada segmento, o que torna o critério bastante restritivo. Isso significa que organizações fora desse grupo continuam podendo apresentar elevado grau de admiração, ainda que não liderem sua categoria.

Ainda assim, alcançar a liderança nas três frentes demonstra um posicionamento competitivo diferenciado. "Quando uma empresa alcança a primeira posição nos três segmentos, mostra que está conseguindo se posicionar de forma muito competitiva nos mercados em que atua", afirma.

Segundo o professor, a combinação entre consumidores satisfeitos, colaboradores engajados e lideranças reconhecidas cria diferenciais relevantes em um ambiente de forte concorrência.

Reputação ajuda empresas em momentos de juros elevados

Embora o estudo não tenha como foco os efeitos da política monetária, Felisoni afirma que a construção de uma reputação sólida se torna ainda mais importante em períodos de juros elevados, que pressionam o consumo e dificultam as operações das empresas.

"Sem dúvida, juros altos dificultam as operações e criam obstáculos importantes para as empresas. Mas a admiração por parte dos consumidores e dos colaboradores é um elemento relevante na construção de um posicionamento competitivo e funciona como uma característica própria da empresa, ajudando a diferenciá-la em um ambiente de competição muito acirrada", diz.

Na avaliação do especialista, essa reputação cria uma espécie de proteção competitiva justamente quando o setor enfrenta um cenário econômico mais desafiador.

Felisoni observa, contudo, que a principal mensagem do levantamento não é que apenas quem ocupa o primeiro lugar seja vencedor, mas sim que empresas bem posicionadas nas três dimensões desenvolvem atributos essenciais para competir.

"Estar em posição destacada na admiração dos consumidores, dos colaboradores e na confiança depositada na liderança são aspectos fundamentais para competir de forma vantajosa", afirma.

Segundo ele, o objetivo do ranking é justamente estimular essa busca contínua pela excelência. "Esses líderes representam referências para todo o mercado e ajudam a incentivar outras organizações a aprimorar sua gestão, sua cultura e seu relacionamento com os diferentes públicos".

AutorClara Assunção
FonteExame
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