Ray Dalio volta a bater na inteligência artificial e defende que bolha está prestes a estourar. Quais são os sinais?
O megainvestidor reforça pé atrás sobre os investimentos massivos em IA em meio a um cenário de juros nas alturas; entenda

A corrida da inteligência artificial tem gerado investimentos massivos por parte das empresas de tecnologia e enstusiamado investidores. Mas, para o bilionário Ray Dalio, o otimismo dos mercados com a IA pode estar chegando a um ponto perigoso.
Durante a CEO Conference da Forbes, realizada em Cingapura nesta quarta-feira (7), o fundador da Bridgewater afirmou que a inteligência artificial se tornou uma "bolha clássica" que está próxima de estourar.
Dalio disse estar preocupado sobre o tamanho do endividamento das empresas de tecnologia para financiar o avanço da inteligência artificial, em meio a um cenário de alta dos juros globais.
Cabe lembrar que, em setembro, o Federal Reserve (Fed) elevou a taxa de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, para a faixa entre 3,75% a 4,00% ao ano, o primeiro aperto monetário norte-americano desde julho de 2023.
"Estamos na parte do ciclo que antecede esse momento [de estouro da bolha], mas nos aproximando dele", afirmou Dalio.
Mesmo com o receio em relação ao futuro da inteligência artificial, os investidores seguem apostando no setor.
Desde o início deste ano, o índice MSCI World Information Technology, que tem entre suas principais posições Nvidia, Apple, Microsoft, Broadcom e Micron, acumula valorização de 33,56%.
O que preocupa o megainvestidor
Esta não é a primeira vez que Ray Dalio se manifesta negativamente sobre os avanços da inteligência artificial. Em janeiro de 2026, ele já havia mencionado “estágios iniciais de uma bolha” em uma publicação da rede social X.
Agora, empresas como Microsoft, Amazon, Alphabet — dona do Google —, Meta e Oracle têm aumentado os investimentos para sustentar a o crescimento da IA.
A empresa de consultoria global Gartner tem a projeção de que, até o fim do ano, os gastos ao redor do mundo todo com IA cheguem a US$ 2,5 trilhões, equivalente a R$ 12,48 trilhões na cotação atual.
No campo empresarial, a demanda por data centers, chips avançados e capacidade computacional exige aportes bilionários, e cada vez mais as companhias têm recorrido ao mercado de dívida para financiar essa expansão.
Segundo o Goldman Sachs, o endividamento do setor de tecnologia deve chegar a US$ 1,2 trilhão em 2027. Neste ano, o valor atinge US$ 500 bilhões.
O problema, na visão de Dalio, é que esse movimento acontece justamente em um ambiente de juros elevados. Quando as taxas sobem, o custo dos empréstimos aumenta, pressionando os lucros futuros das empresas.
Por enquanto, os investidores continuam dispostos a financiar esse crescimento. Mas os retornos exigidos pelo mercado já são bem mais altos do que eram há alguns anos, refletindo o aumento do risco e o patamar elevado das taxas de juros.
Por enquanto é só projeção de riqueza
Ray Dalio também destaca que grande parte da riqueza criada no mercado sobre o segmento de inteligência artificial é baseada em avaliações de ativos e ações, que leva em consideração o potencial futuro das copanhias.
Segundo o megainvestidor, isso vira um problema quando investidores e empresários precisam transformar esse patrimônio em dinheiro de fato.
"Todo mundo diz: eu valho US$ 1 bilhão'. Mas tudo bem, tente gastar isso", afirmou durante o evento de Cingapura.
Na visão do fundador da Bridgewater, cenários em que investidores precisam vender ativos para levantar caixa revelam a fragilidade das bolhas. Isso porque quando muitas pessoas e instituições tentam fazer isso ao mesmo tempo, os preços caem abruptamente.
Dentre os fatores que também podem acelerar o estouro da bolha da IA, Dalio cita possíveis impostos sobre grandes fortunas e outras medidas voltadas para a tributação de patrimônios elevados.
Há quem discorda da tese de bolha
De um lado, há Ray Dalio, que se mostra crítico ao "boom" dos investientos e inteligência artificial há algum tempo.
De outro, parte do mercado nega a existência de uma bolha. Esse é o caso, por exemplo, de Rodrigo Torres, CFO da Quality Digital, que nega preocupações com o segmento. Segundo ele, existe uma demanda global consistente por infraestrutura de inteligência artificial, o que sustenta investimentos bilionários no setor.
Na avaliação do executivo, o movimento atual representa uma reprecificação dos ativos "fundamentada em lucros reais".
"As grandes empresas de computação em nuvem, como Amazon Web Services, Microsoft Azure e Google Cloud, estão realizando investimentos bilionários e mantêm o setor em expansão, apesar dos custos elevados no curto prazo", afirmou.
"São empresas consolidadas e não dependem exclusivamente dessa tecnologia para sustentar seus negócios."
*Com informações de Bloomberg e Estadão Conteúdo
