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09/10/2026
5 min

Real sobe mais de 9% em 2026 e tem 3º melhor avanço desde 2010

Levantamento mostra que só 2016 e 2025 tiveram valorização maior do real desde 2010

Real sobe mais de 9% em 2026 e tem 3º melhor avanço desde 2010

Poucos anos deste século foram tão favoráveis ao real quanto 2026. A moeda brasileira acumulava valorização de 9,79% frente ao dólar até 7 de outubro, desempenho que já coloca o ano entre os melhores da história recente do câmbio brasileiro, segundo levantamento da Elos Ayta.

No recorte a partir de 2010, apenas dois anos completos terminaram com alta superior. O real ganhou 19,81% em 2016 e 12,54% em 2025. O avanço observado neste ano aparece logo depois, embora ainda faltem quase três meses para o fechamento de 2026.

A comparação considera a PTAX, referência divulgada pelo Banco Central. Por esse critério, o dólar terminou 2025 em R$ 5,50 e estava em R$ 5,024 no fechamento desta quinta-feira, 8.

Quando o horizonte é ampliado para toda a série levantada pela Elos Ayta, iniciada em 1999, o resultado deste ano aparece como a sétima maior valorização do real.

"Os resultados de 1999 a 2025 abrangem anos completos, enquanto 2026 considera somente o período até 7 de outubro", ressalta o levantamento.

O desempenho parcial de 2026 está sendo comparado com variações acumuladas durante doze meses nos anos anteriores, e não com o comportamento do câmbio até 7 de outubro de cada exercício.

Recuperação ainda não devolveu o real ao nível de 2023

O desempenho de 2026 dá continuidade a uma recuperação iniciada no ano passado, mas o ponto de partida ajuda a dimensionar esse movimento. Em 2024, o real sofreu uma desvalorização de 21,82% frente ao dólar. No ano seguinte, mudou de direção e avançou 12,54%.

Mesmo com dois períodos consecutivos de ganho, o câmbio ainda não retornou ao nível observado antes da forte queda de 2024. A PTAX encerrou 2023 em R$ 4,84, abaixo dos R$ 4,99 registrados em 7 de outubro.

E as altas de 2025 e de 2026, até agora, não foram suficientes para recompor integralmente a perda anterior. "A recuperação recente também exige perspectiva", destaca a Elos Ayta.

Anos de queda são maioria desde o câmbio flutuante

A boa fase atual não reflete o comportamento predominante do real desde a adoção do regime de câmbio flutuante. Ao incluir o resultado parcial de 2026, a série reúne 28 períodos. Em 16 deles, a moeda brasileira perdeu valor frente ao dólar. Nos outros 12, houve valorização.

Quando apenas os anos completos são considerados, entre 1999 e 2025, o placar fica em 16 exercícios de desvalorização e 11 de valorização.

Entretanto, essa contagem não permite concluir sozinha qual foi o tamanho da perda ou do ganho acumulado ao longo de todo o período. Alguns anos registraram movimentos muito mais intensos do que outros.

O estudo diz que "a frequência das perdas não determina sua intensidade nem substitui o cálculo da variação acumulada" e os extremos ajudam a mostrar essa diferença.

Em 2002, o real caiu 34,33%, a maior desvalorização anual da série. Já em 2009 ocorreu o movimento positivo mais forte, com alta de 34,22%.

Real já passou cinco anos seguidos subindo

A história do câmbio brasileiro também revela que uma direção pode prevalecer durante vários anos consecutivos. Entre 2003 e 2007, por exemplo, o real se valorizou em todos os anos. O ciclo começou com avanço de 22,29% em 2003 e continuou com ganhos de 8,85% em 2004, 13,40% em 2005, 9,48% em 2006 e 20,70% em 2007.

Já de 2011 a 2015, a moeda brasileira perdeu valor frente ao dólar durante cinco exercícios seguidos. Nesse período, as desvalorizações foram de 11,17% em 2011, 8,21% em 2012, 12,77% em 2013, 11,81% em 2014 e 31,98% em 2015.

O histórico mostra que movimentos cambiais não necessariamente se encerram dentro de um único ano. Para empresas expostas à moeda estrangeira, períodos prolongados podem alterar as condições usadas para definir preços, custos e investimentos.

Grandes quedas já foram seguidas por fortes recuperações

Alguns dos movimentos mais intensos da série ocorreram em anos próximos, com mudanças bruscas de direção.
Depois da queda de 34,33% do real em 2002, por exemplo, a moeda avançou 22,29% em 2003.

Outro episódio ocorreu entre 2008 e 2009, quando o real perdeu 24,21% no primeiro ano e, no seguinte, registrou valorização de 34,22%, a maior de toda a série acompanhada pela Elos Ayta.

Esses movimentos permitem comparar diferentes momentos da trajetória cambial, inclusive períodos marcados por transições políticas e choques externos. O levantamento, porém, evita vincular o comportamento do real exclusivamente ao governo de cada época.

Real mais forte produz efeitos diferentes entre empresas

Empresas que compram mercadorias, equipamentos ou insumos no exterior podem encontrar custos menores em reais quando o dólar recua. O efeito muda para quem vende para outros países, já que uma mesma receita em dólares passa a representar um valor menor quando convertida para a moeda brasileira.

O movimento contrário também vale, pois um real mais fraco encarece importações e compromissos em moeda americana, enquanto pode aumentar a receita em reais de exportadores cujos custos estão principalmente no mercado doméstico.

Uma exportadora pode também importar componentes, o que modifica seu grau de exposição ao câmbio. Dívidas em dólar, instrumentos de proteção e o momento em que pagamentos ou recebimentos são realizados também fazem diferença.

"O levantamento mede a variação cambial e fornece contexto para discutir esses efeitos, não mensura diretamente impactos sobre lucros, inflação ou volumes de comércio exterior", acrescenta a Elos Ayta.

Ranking usa PTAX e 2026 ainda está em aberto

Os números do estudo têm como referência a PTAX divulgada pelo Banco Central. A taxa serve de parâmetro para o levantamento, mas não equivale ao fechamento do dólar comercial normalmente acompanhado pelo mercado.

As variações apresentadas também são nominais, o que significa que mostram quanto o real ganhou ou perdeu diante da moeda americana sem descontar os efeitos da inflação.

Há ainda uma diferença fundamental entre 2026 e os demais períodos da comparação. Ainda assim, o patamar alcançado até agora já coloca 2026 em uma posição pouco comum na série. Desde 2010, somente 2016 e 2025 terminaram com valorização maior do real frente ao dólar.

AutorAna Luiza Serrão
FonteExame
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