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Mercado ImobiliárioACSFII
09/07/2026
4 min

'Receita de MRV será positiva', calcula CFO após resultado da prévia operacional

'Receita de MRV será positiva', calcula CFO após resultado da prévia operacional

De acordo com Ricardo Paixão, CFO da MRV&Co, a receita da companhia tende a crescer futuramente devido ao desempenho positivo de duas variáveis fundamentais: o crescimento das vendas e o aumento das unidades produzidas

"Venda crescendo com unidade produzida crescendo, significa que a receita também vai crescer, dando uma proxy daqui pra frente.", explica, salientando não se tratar de um guidence. "É matemática", simplifica.

A MRV divulgou sua prévia operacional do segundo trimestre de 2026 nesta quinta-feira, 9, mostrando crescimento nos dois pilares que garantem uma trajetória positiva para a receita nos próximos balanços.

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As vendas líquidas do segmento de incorporação atingiram R$ 2,75 bilhões, representando um crescimento de 11,4% em relação ao primeiro trimestre de 2026, com 10.148 unidades comercializadas. A produção totalizou 10.922 unidades, um aumento de 12,1% frente ao primeiro trimestre do ano e de 10,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior.

Enquanto isso, o landbank recuou 1,1% em relação ao trimestre anterior, e o ticket médio de lançamentos caiu 1,5%, de R$ 281 mil para R$ 277 mil.

Já a geração de caixa consolidada da MRV&Co caiu de R$ 391,6 milhões no primeiro trimestre para R$ 77,2 milhões no segundo, uma redução de 80,3%, principalmente devido ao cronograma de recebimento das vendas de ativos da Resia, a subsidiária da companhia nos Estados Unidos.

A Resia gerou apenas US$ 5,2 milhões em caixa, bem abaixo dos US$ 68,9 milhões gerados no primeiro trimestre. Embora tenha assinado o compromisso de venda dos empreendimentos Ten Oaks e Rayzor Ranch por US$ 139 milhões durante o segundo trimestre, o montante ainda não impactou o caixa.

Esses recursos estão programados para entrar no caixa apenas no terceiro trimestre de 2026, quando se espera que a geração de caixa consolidada volte a apresentar números robustos.

"A queda entre os trimestres não reflete uma piora operacional, mas sim o intervalo entre a conclusão das vendas e o efetivo recebimento dos recursos", justifica Paixão.

No acumulado do primeiro semestre, as vendas da Resia somaram US$ 231 milhões (aproximadamente R$ 1,2 bilhão), contribuindo para a redução de 7,5% do endividamento líquido consolidado.

O deságio nos preços dos ativos da Resia, no entanto, foi significativo, segundo Ricardo Paixão, com os empreendimentos sendo vendidos abaixo do valor inicialmente estimado e também abaixo do registrado em impairment. O projeto Ten Oaks apresentou um deságio de 20%, enquanto a perda combinada dos dois ativos vendidos no trimestre — Ten Oaks e Rayzor Ranch — foi de 26% em relação ao valor planejado.

"Nossa gestão adotou uma abordagem pragmática, priorizando a geração de caixa e o avanço do plano de desalavancagem, mesmo que isso resulte em impacto contábil negativo no demonstrativo de resultados", explica. Isso acontece porque o contexto de mercado para a venda de ativos nos Estados Unidos se mostra mais desafiador do que no planejamento original, com inflação persistente e taxas de juros de longo prazo elevadas afetando o cap rate de saída e reduzindo o valor de mercado dos imóveis.

A Urba, dedicada a loteamentos, registrou vendas de R$ 127 milhões em VGV, correspondentes a 935 unidades, crescimento de 339% em relação ao trimestre anterior. O ticket médio caiu 23,9%, para R$ 135 mil, e a geração de caixa apresentou queima de R$ 47 milhões, explicada pela menor realização de cessões de recebíveis. O Land Bank da Urba totalizou VGV de R$ 5,4 bilhões.

A unidade Luggo, voltada para locação, registrou queima de caixa de R$ 11,6 milhões no segundo trimestre, melhorando frente aos R$ 14,8 milhões do trimestre anterior e R$ 30,3 milhões do mesmo período de 2025.

No consolidado, o grupo MRV&Co gerou R$ 77,2 milhões em caixa no segundo trimestre e R$ 468,8 milhões no primeiro semestre de 2026, refletindo a continuidade da estratégia de desalavancagem e otimização dos ativos operacionais.

AutorLetícia Furlan
FonteExame
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