'Receita de MRV será positiva', calcula CFO após resultado da prévia operacional

De acordo com Ricardo Paixão, CFO da MRV&Co, a receita da companhia tende a crescer futuramente devido ao desempenho positivo de duas variáveis fundamentais: o crescimento das vendas e o aumento das unidades produzidas
"Venda crescendo com unidade produzida crescendo, significa que a receita também vai crescer, dando uma proxy daqui pra frente.", explica, salientando não se tratar de um guidence. "É matemática", simplifica.
A MRV divulgou sua prévia operacional do segundo trimestre de 2026 nesta quinta-feira, 9, mostrando crescimento nos dois pilares que garantem uma trajetória positiva para a receita nos próximos balanços.
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As vendas líquidas do segmento de incorporação atingiram R$ 2,75 bilhões, representando um crescimento de 11,4% em relação ao primeiro trimestre de 2026, com 10.148 unidades comercializadas. A produção totalizou 10.922 unidades, um aumento de 12,1% frente ao primeiro trimestre do ano e de 10,6% em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Enquanto isso, o landbank recuou 1,1% em relação ao trimestre anterior, e o ticket médio de lançamentos caiu 1,5%, de R$ 281 mil para R$ 277 mil.
Já a geração de caixa consolidada da MRV&Co caiu de R$ 391,6 milhões no primeiro trimestre para R$ 77,2 milhões no segundo, uma redução de 80,3%, principalmente devido ao cronograma de recebimento das vendas de ativos da Resia, a subsidiária da companhia nos Estados Unidos.
A Resia gerou apenas US$ 5,2 milhões em caixa, bem abaixo dos US$ 68,9 milhões gerados no primeiro trimestre. Embora tenha assinado o compromisso de venda dos empreendimentos Ten Oaks e Rayzor Ranch por US$ 139 milhões durante o segundo trimestre, o montante ainda não impactou o caixa.
Esses recursos estão programados para entrar no caixa apenas no terceiro trimestre de 2026, quando se espera que a geração de caixa consolidada volte a apresentar números robustos.
"A queda entre os trimestres não reflete uma piora operacional, mas sim o intervalo entre a conclusão das vendas e o efetivo recebimento dos recursos", justifica Paixão.
No acumulado do primeiro semestre, as vendas da Resia somaram US$ 231 milhões (aproximadamente R$ 1,2 bilhão), contribuindo para a redução de 7,5% do endividamento líquido consolidado.
O deságio nos preços dos ativos da Resia, no entanto, foi significativo, segundo Ricardo Paixão, com os empreendimentos sendo vendidos abaixo do valor inicialmente estimado e também abaixo do registrado em impairment. O projeto Ten Oaks apresentou um deságio de 20%, enquanto a perda combinada dos dois ativos vendidos no trimestre — Ten Oaks e Rayzor Ranch — foi de 26% em relação ao valor planejado.
"Nossa gestão adotou uma abordagem pragmática, priorizando a geração de caixa e o avanço do plano de desalavancagem, mesmo que isso resulte em impacto contábil negativo no demonstrativo de resultados", explica. Isso acontece porque o contexto de mercado para a venda de ativos nos Estados Unidos se mostra mais desafiador do que no planejamento original, com inflação persistente e taxas de juros de longo prazo elevadas afetando o cap rate de saída e reduzindo o valor de mercado dos imóveis.
A Urba, dedicada a loteamentos, registrou vendas de R$ 127 milhões em VGV, correspondentes a 935 unidades, crescimento de 339% em relação ao trimestre anterior. O ticket médio caiu 23,9%, para R$ 135 mil, e a geração de caixa apresentou queima de R$ 47 milhões, explicada pela menor realização de cessões de recebíveis. O Land Bank da Urba totalizou VGV de R$ 5,4 bilhões.
A unidade Luggo, voltada para locação, registrou queima de caixa de R$ 11,6 milhões no segundo trimestre, melhorando frente aos R$ 14,8 milhões do trimestre anterior e R$ 30,3 milhões do mesmo período de 2025.
No consolidado, o grupo MRV&Co gerou R$ 77,2 milhões em caixa no segundo trimestre e R$ 468,8 milhões no primeiro semestre de 2026, refletindo a continuidade da estratégia de desalavancagem e otimização dos ativos operacionais.
