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Sacre Investimentos
Economia
27/09/2026
4 min

Recessão no Brasil ainda não faz parte do cenário do mercado — mas chance não está descartada

Depois da surpresa com um Produto Interno Bruto (PIB) mais fraco no segundo trimestre, o mercado já espera estabilidade ou até queda da atividade no terceiro trimestre. Para o quarto trimestre deste ano e o primeiro de 2027, no entanto, é esperada expansão da atividade. Segundo economistas consultados pelo Money Times, existe uma chance não […]

Recessão no Brasil ainda não faz parte do cenário do mercado — mas chance não está descartada

Depois da surpresa com um Produto Interno Bruto (PIB) mais fraco no segundo trimestre, o mercado já espera estabilidade ou até queda da atividade no terceiro trimestre.

Para o quarto trimestre deste ano e o primeiro de 2027, no entanto, é esperada expansão da atividade.

Segundo economistas consultados pelo Money Times, existe uma chance não desprezível de uma recessão técnica — quando a atividade recua por dois trimestres consecutivos —, mas esse não é o cenário base das casas.

De acordo com o economista Rodolfo Margato, da XP Investimentos, a possibilidade de uma recessão não é descartada pelo time de macroeconomia da corretora. A estimativa para o crescimento do PIB é de 1,7% em 2026 e 1% em 2027, abaixo do consenso de mercado.

“A nossa estimativa para o terceiro trimestre deste ano é de estabilidade (0,0%) em relação ao segundo trimestre, com até algum pequeno viés de baixa. Ou seja, o PIB entraria em território negativo com uma queda modesta no terceiro trimestre”, explica Margato.

Contudo, o economista avalia que ainda há muita incerteza sobre a atividade do quarto trimestre pelo cenário global, com a continuação do conflito no Oriente Médio e do choque global de energia, o que consequentemente resulta em pressão nos juros de economias avançadas.

“E claro, por aqui, temos incerteza eleitoral, especialmente no que tange a sinalização de política fiscal para o próximo governo, qualquer que seja o vencedor da corrida presidencial. Então, ainda temos uma série de incertezas no radar”, observa.

Por ora, a XP tem cenário de expansão de 0,1% para o PIB do quarto trimestre de 2026, após a estabilidade no terceiro.

“Ou seja, são números muito próximos à ‘marca d’água’ do território negativo, então, ainda que não projetemos uma recessão técnica, existe um risco de isso ser observado no curto prazo, especialmente no segundo semestre de 2026”, diz.

Na mesma linha, o economista Christian Meduna, do Banco BV, afirma que o cenário base do banco é de que o trimestre atual tenha variação zero, isso ao considerar os dados de alta frequência da atividade, que apontam para uma desaceleração adicional da economia.

No quarto trimestre, porém, o BV espera uma leve recuperação da atividade, com expansão de 0,2% do PIB. “Existe a possibilidade de recessão técnica, mas não é o nosso cenário base”, afirma Meduna.

“Com o número do terceiro trimestre em zero, algum desvio pode acabar aumentando a propensão a essa recessão técnica. Os números apontam para um resultado fraco no terceiro trimestre, mas para uma leve retomada no quarto trimestre”, explica.

O cenário muda em 2027?

Já em 2027, Meduna, do BV, considera que o PIB do primeiro trimestre tem vindo muito forte nos últimos anos.

“Nós não esperamos uma alta da mesma magnitude dos anos anteriores, mas uma oscilação mais positiva, com algum nível de retomada da economia, dado o cenário de estabilização no segundo semestre de 2026”, detalha o economista, que reitera a expectativa de certa retomada da atividade.

Para 2027, a XP tem uma projeção de crescimento moderado do PIB, de 1%, mas uma dinâmica de reaceleração da atividade a partir do terceiro trimestre. A partir de meados de 2027, com a flexibilização monetária, embora gradual, — a corretora projeta Selic terminal em 13,25% no fim deste ano e de 11,5% no fim de 2027 —, isso contribuiria para uma reaceleração da atividade.

Segundo Margato, da XP, para o primeiro semestre do próximo ano, ainda teriam riscos baixistas para a agropecuária no radar, visto que tem um maior peso na composição do PIB na primeira metade de cada ano, especialmente em grãos.

Além disso, o economista menciona que o cenário de juros ainda restritivos, o endividamento das famílias em alta e uma descompressão mais clara da atividade só a partir da segunda metade de 2027 são outros riscos baixistas para o PIB do período.

“Temos também que considerar a base de comparação estatística, por exemplo, em alguns trimestres você tem um crescimento muito forte, isso deixa o sarrafo lá em cima, isso pode levar a alguma queda sequencial no trimestre seguinte, ainda que no acumulado do ano seja uma dinâmica positiva, então a gente tira um pouco do peso de recessão técnica”, explica Margato.

Na coletiva do Relatório de Política Monetária (RPM) do Banco Central (BC) da última semana, diretor de Política Econômica, Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do BC, Paulo Picchetti, alertou que a desaceleração esperada para o agro deve ser forte, considerando o clima, endividamento dos produtores rurais e aumento do preço dos insumos.

AutorAnna Scabello
FonteMoney Times
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