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Sacre Investimentos
ESGESGBDR
01/07/2026
8 min

Recife será piloto de projeto global de reciclagem que pode destravar R$ 300 milhões

Recife será piloto de projeto global de reciclagem que pode destravar R$ 300 milhões

Enquanto 1% dos domicílios de Recife têm acesso à coleta seletiva formal, o desempenho recente da cidade registrou crescimento de 16,6% na reciclagem de plástico e mais que o dobro da média nacional.

É esse descompasso entre avanço e infraestrutura que levou a Fundação Ellen MacArthur, a organização Clean Rivers e a Prefeitura do Recife a anunciar, nesta quarta-feira, 1, uma parceria com potencial de destravar R$ 300 milhões em investimentos nos próximos anos para transformar os sistemas de coleta e reciclagem da capital de Pernambuco.

O acordo foi formalizado com a presença do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas e autoridades políticas. Nos próximos seis meses, a Fundação e a prefeitura vão trabalhar com atores locais para desenhar um plano detalhado de investimento, com a expectativa de iniciar as atividades em 2027.

A iniciativa tem apoio de gigantes multinacionais como Mars, Nestlé, PepsiCo e Unilever, e a escolha da cidade é estratégica.

Com 1,6 milhão de habitantes e cortada por uma extensa rede de rios, Recife concentra os desafios típicos de centros urbanos brasileiros e ao mesmo tempo mostra que é possível avançar rápido quando há recurso direcionado, segundo a Fundação.

"A cada ano, milhões de toneladas de resíduos chegam aos cursos d'água e aos oceanos do planeta. Recife é o lugar certo para começarmos, por sua vasta rede de cursos d'água que deságuam no Atlântico Sul", afirma Deborah Backus, CEO da Clean Rivers.

O tamanho do problema

O Brasil concentra 12% da água doce do planeta e está entre os cinco maiores geradores de resíduos sólidos urbanos do mundo. A coleta cobre 92,4% da população, mas mais de um quarto dos resíduos ainda tem descarte inadequado e o resultado é cerca de 3,5 milhões de toneladas de plástico por ano jogados em bueiros, rios e ecossistemas marinhos.

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Segundo relatório apresentado no lançamento do projeto que engloba mais de 80 organizações, um sistema de resíduos mais eficiente poderia recuperar R$ 14 bilhões em material reciclável hoje perdido em aterros.

A projeção é gerar 9.300 empregos diretos nas cadeias de coleta, triagem e processamento, além de 64 mil postos adicionais na cadeia de reciclagem de plástico até 2030.

Catadores no centro da cadeia

Os cerca de 800 mil catadores do Brasil recuperam até 90% de todo o material reciclável nacional, mas a maioria ainda trabalha em condições de precariedade e falta de segurança.

O relatório também defende o reconhecimento formal da categoria e a remuneração justa, não apenas pelo material coletado , com base em princípio já previsto na política nacional de resíduos.

Para o prefeito do Recife, Victor Marques, o projeto amplia um trabalho que a cidade já vinha construindo.

"Nos destacamos nos últimos anos pelas políticas voltadas à gestão de resíduos sólidos, seja na coleta, seja na destinação, como também na promoção de assistência, qualificação e apoio aos trabalhadores que atuam dentro dessa cadeia", afirma.

Se o modelo funcionar, a expectativa da Fundação é que ele sirva de referência para políticas públicas nacionais e para outras cidades brasileiras com desafios semelhantes, com meta de escalar coleta e reciclagem eficientes até 2040.

AutorSofia Schuck
FonteExame
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