Rede de harmonização facial lança IA que simula resultado para faturar R$ 50 milhões

A insegurança diante de resultados estéticos é um sentimento comum em que vai realizar um procedimento pela primeira vez. Mas uma empresa quer mudar essa dificuldade.
A Damaface, rede de harmonização facial com 54 unidades no país, lança uma plataforma baseada em inteligência artificial para simular o resultado dos procedimentos antes da aplicação. Batizada de Copiloto, a tecnologia faz um escaneamento facial e gera uma projeção visual personalizada em menos de cinco minutos.
O movimento acontece em um momento de crescimento do setor de estética. Apenas no Brasil, o setor movimenta R$ 48 bilhões ao ano, segundo Euromonitor International. Para a empresa, a inteligência artificial é uma forma de padronizar atendimentos e diminuir ruídos entre profissional e consumidor.
“Um dia, as pessoas vão olhar para trás e não entender como nos submetíamos a fazer um procedimento de harmonização facial sem ter certeza de como ficaria o resultado”, afirma Wellison Lucas, cofundador e diretor de operações da Damaface.
A empresa faturou R$ 32 milhões em 2025. Agora prepara a expansão do Copiloto para toda a rede ainda no primeiro semestre de 2026. O plano de iniciar uma expansão internacional para América Latina e Europa até o fim do ano. Com isso, prevê R$ 50 milhões em 2026.
Como funciona o Copiloto
O Copiloto começou a ser desenvolvido há cerca de três anos e meio, quando a Damaface criou uma área interna de tecnologia para resolver gargalos da operação.
Ao observar as consultas, a empresa identificou que um dos maiores desafios estava na diferença entre a expectativa estética dos pacientes e a recomendação técnica dos especialistas.
Com isso, a plataforma avalia estrutura óssea, tipo de pele, lábios, simetria facial, sinais de envelhecimento e proporções do rosto – considerando 128 pontos da estrutura facial. A partir disso, cria uma simulação do resultado esperado após a harmonização facial.
O Copiloto avalia 128 pontos da estrutura facial para projetar possíveis resultados de procedimentos estéticos (Divulgação)
A ferramenta sugere um plano de tratamento com procedimentos indicados para cada paciente, incluindo preenchimento, toxina botulínica e bioestimuladores, substâncias usadas para estimular o colágeno na pele. O sistema ainda gera um orçamento automático.
A proposta da Damaface é transformar a consulta em uma experiência mais previsível. “Não se trata de um filtro de rede social, mas de uma ferramenta analítica, baseada em dados reais e critérios técnicos”, diz Lucas. “Ela contribui para a prevenção de resultados indesejáveis e possíveis intercorrências.”
Outro problema que a Damaface tenta resolver vai além da previsibilidade. Muitos pacientes chegam à clínica com referências de celebridades ou imagens vistas nas redes sociais que não necessariamente combinam com sua estrutura facial. A inteligência artificial funciona como ferramenta de orientação clínica, mostrando quais resultados são compatíveis com as características de cada rosto.
"Hoje existe uma expectativa muito baseada em referências externas. O que estamos propondo é uma conversa baseada nas características reais de cada paciente e nas possibilidades que aquele rosto oferece", afirma Lucas.
Qual a estratégia de expansão da rede
A nova ferramenta já é utilizada em 100% das avaliações realizadas pela rede. A intenção agora é consolidar um padrão único de atendimento entre as clínicas e reduzir diferenças na recomendação de tratamentos entre profissionais.
“Quando a gente lança o Copiloto, a ideia de posicionamento não é só para o cliente final, mas também internamente, para criar um padrão dentro da rede”, afirma.
A empresa vê a plataforma como uma forma de transformar conhecimento técnico em processos escaláveis.
A estratégia combina a abertura de novas unidades com a adoção de ferramentas capazes de apoiar a tomada de decisão dos profissionais e alinhar expectativas dos pacientes.
O próximo passo é ampliar a presença da tecnologia em toda a operação e, posteriormente, levar a solução para outras redes do setor. A expectativa da companhia é que a inteligência artificial se torne uma nova frente de negócios, além da expansão das clínicas.
Qual é a história da empresa
A Damaface nasceu em 2018, fundada por Wellison Lucas e Fernanda Valim. Antes de entrar no mercado de estética, Edson passou cerca de 15 anos trabalhando com franquias, ocupando cargos de expansão, gerência e direção em diferentes redes.
Fernanda, por sua vez, atuava na área financeira e de gestão de pessoas.
A mudança de rumo veio após uma rotina intensa de trabalho. Em meio a viagens constantes e depois de enfrentar problemas de saúde, Edson decidiu deixar a carreira corporativa para empreender ao lado da esposa. A entrada no setor de estética aconteceu a partir do interesse de Fernanda pelo segmento e da percepção de que o mercado oferecia espaço para modelos de gestão mais estruturados.
"Contamos com ajuda de especialistas do setor e trouxemos muito mais foco em gestão e administração dentro do modelo de negócio", afirma Lucas.
A primeira clínica serviu como laboratório para testar processos operacionais e comerciais. Depois de quatro anos operando unidades próprias, a empresa iniciou a expansão por franquias em 2022.
O crescimento ganhou velocidade entre 2023 e 2024 e levou a rede a 54 unidades em operação atualmente, das quais quatro continuam sob gestão direta dos fundadores.
Segundo Lucas, um dos diferenciais da operação foi criar um modelo mais enxuto do que o adotado por parte das clínicas de estética. As unidades operam com equipes reduzidas e foco em protocolos padronizados, o que permitiu acelerar a expansão por franquias.
Hoje, a empresa tem clínicas espalhadas por nove estados. O foco está em consolidar a marca na região sudeste, em especial, no interior de São Paulo.
