Rede de hotéis do Paraná acelera expansão e mira R$ 250 milhões em 2026

A HCC Hotels, administradora hoteleira com origem em Curitiba, prepara o ciclo mais ambicioso de expansão em 25 anos de atuação. Com hotéis em operação em quatro estados e uma carteira de novos empreendimentos em desenvolvimento em destinos como Florianópolis, Bombinhas, Manaus, São Miguel dos Milagres, São Paulo, Canela e Bento Gonçalves, a companhia projeta superar R$ 250 milhões em faturamento em 2026.
O movimento ocorre em um momento de retomada e sofisticação do mercado hoteleiro brasileiro, impulsionado pela volta dos eventos corporativos, pela valorização de destinos regionais e pela busca de experiências mais completas de hospedagem.
Nesse cenário, a HCC busca consolidar uma posição nacional a partir de um modelo que combina gestão hoteleira, relacionamento com investidores e operação de marcas próprias e internacionais.
A expansão da companhia se apoia em três frentes: fortalecimento de bandeiras próprias, operação de marcas globais e entrada em novos mercados fora do eixo tradicional Rio-São Paulo. A estratégia tem como base a experiência acumulada pela empresa em Curitiba, cidade que se consolidou como o principal centro de operação e vitrine da rede no país.
“Curitiba ocupa um papel estratégico dentro do crescimento da companhia. É uma cidade com forte vocação corporativa, infraestrutura consolidada e demanda crescente por experiências de hospitalidade mais completas e sofisticadas”, afirma Elias Rodrigues, CEO da HCC Hospitality.
O principal símbolo dessa estratégia é o Qoya Hotel Curitiba Curio Collection by Hilton, ativo considerado central no portfólio da HCC. Sozinho, o empreendimento encerrou 2025 com faturamento próximo de R$ 45 milhões. O desempenho acompanha o avanço da capital paranaense como destino corporativo, gastronômico e de eventos, três segmentos que ganharam força na estratégia da rede.
O hotel reúne um centro de convenções com capacidade para até 700 pessoas, além de uma proposta integrada de hospitalidade, gastronomia e entretenimento. Para a HCC, o empreendimento ajuda a posicionar Curitiba como vitrine nacional da marca Curio Collection by Hilton, bandeira trazida ao Brasil pela própria administradora.
Mais do que um hotel de alto padrão, o Qoya funciona como uma espécie de cartão de visitas da companhia. O ativo mostra a capacidade da HCC de operar empreendimentos com múltiplas fontes de receita, combinando hospedagem, eventos, gastronomia e serviços complementares. Essa lógica é considerada central para ampliar a rentabilidade dos projetos e reduzir a dependência exclusiva da ocupação dos quartos.
A companhia administra atualmente todos os hotéis em operação no país sob a marca Curio Collection by Hilton. Além do Qoya Curitiba, o portfólio inclui o Suryaa Hotel Pinhais Curio Collection by Hilton, também no Paraná, e o Qoya Hotel São Paulo Curio Collection by Hilton.
No Paraná, a HCC opera ainda o Quality Hotel Curitiba, o Radisson Hotel Curitiba e o Hotel bleev Curitiba. Na Bahia, administra o Wyndham Salvador Hangar Aeroporto e o Best Western Salvador Hangar Aeroporto.
Em São Paulo, estão sob gestão da companhia o Hub Pinheiros by HOMM, o Casa Di Sirena Ilhabela e o EcoBlue Resort Avaré. No Rio Grande do Sul, a rede administra o Continental Business Porto Alegre.
A nova etapa de crescimento, no entanto, vai além dos ativos já em operação. A companhia tem uma carteira de empreendimentos em desenvolvimento que amplia sua presença em diferentes regiões do país e reforça a aposta em destinos com perfis complementares: capitais, regiões turísticas, cidades de negócios e mercados com potencial de valorização imobiliária. Os investimentos previstos somente para este ano, entre recursos diretos e aportes realizados em parceria com sócios e investidores, podem chegar a R$ 120 milhões.
No Paraná, estão previstos o Casaway Morretes e o Qoya Residence Curitiba Curio Collection by Hilton. No Amazonas, a HCC prepara o Hilton Manaus. Em Alagoas, há dois projetos em São Miguel dos Milagres, destino que ganhou relevância no turismo de alto padrão no Nordeste e passou a atrair investidores interessados em hospitalidade de experiência.
Em São Paulo, a lista inclui o Motto Pacaembu by Hilton, o Hilton Garden Inn Congonhas, o Casa Costa Ilhabela Curio Collection, o Casa di Sirena Campos do Jordão Curio Collection by Hilton, o Qoya Hotel Pinheiros Curio Collection by Hilton, o Qoya Residence Pinheiros Curio Collection by Hilton e o NAARA Longevity Residences São Paulo.
No Sul, a expansão prevê o Sanpiero Bento Gonçalves e o Rio Santo Canela, no Rio Grande do Sul. Em Santa Catarina, o pipeline inclui o Casa di Sirena Campo Alegre, o Artesano Tapestry Bombinhas, o Hilton Garden Inn Florianópolis, o Centro de Convenções Florianópolis e o Homewood Suites Florianópolis.
A presença catarinense é uma das frentes mais relevantes do novo ciclo. O estado combina forte atividade turística, crescimento de cidades médias, avanço do mercado imobiliário e demanda corporativa em polos como Florianópolis, Joinville, Itajaí, Balneário Camboriú e regiões de serra e litoral. Para a HCC, essa combinação abre espaço para diferentes formatos de operação, de hotéis executivos a empreendimentos de lazer e longa permanência.
Plataforma de hospitalidade
Em abril, foi anunciado o Hilton Garden Inn Florianópolis, empreendimento com investimento previsto de R$ 94 milhões por parte dos investidores envolvidos. A HCC, no entanto, não realiza diretamente o aporte na estrutura dos hotéis que administra. O capital das obras é aportado pelos investidores de cada projeto, enquanto a companhia atua na operação e gestão hoteleira.
Esse modelo permite à administradora crescer sem concentrar todo o risco imobiliário no próprio balanço. Na prática, a HCC conecta investidores, marcas, projetos e operação, assumindo o papel de plataforma de gestão hoteleira. A empresa não informa um volume consolidado de investimentos em obras, justamente porque os aportes são realizados pelos grupos responsáveis por cada empreendimento.
“Nosso papel é estruturar a operação, entregar padrão de gestão e conectar cada empreendimento ao posicionamento mais adequado de mercado. A expansão da HCC passa por produtos desenhados para diferentes perfis de destino, demanda e consumidor”, afirma Rodrigues.
Dentro dessa lógica, uma das apostas da companhia é a expansão da marca própria bleev, criada para operar em escala por meio de franquias a partir do próximo ano. A marca deve reforçar a presença da HCC em destinos estratégicos, especialmente fora dos grandes centros, com uma proposta voltada a hospitalidade corporativa, lifestyle e experiências conectadas ao comportamento do novo consumidor.
A criação de uma bandeira própria também amplia a flexibilidade da companhia. Enquanto marcas internacionais ajudam a posicionar empreendimentos de maior valor agregado e conectam os hotéis a redes globais de distribuição, produtos próprios permitem adaptar formatos, custos e serviços a mercados regionais. É nesse espaço que a HCC pretende avançar com a bleev.
A estratégia indica uma mudança de patamar para a administradora. Se o Qoya Curitiba consolidou a HCC como operadora de um ativo de referência dentro de uma bandeira internacional, a próxima fase será marcada pela diversificação do portfólio e pela capacidade de replicar padrões de gestão em mercados distintos.
“A hotelaria vive um momento de transformação. O consumidor busca eficiência, mas também experiência. A empresa que conseguir combinar gestão, marca, localização e proposta de valor terá espaço para crescer de forma consistente”, diz Elias Rodrigues.
Com 25 anos de atuação, a HCC chega a esse novo ciclo ancorada em Curitiba, mas com ambição nacional. A projeção de faturamento superior a R$ 250 milhões em 2026 reflete o avanço do portfólio, a entrada em novos destinos e a aposta em uma rede mais diversificada, formada por hotéis corporativos, projetos lifestyle, residenciais com serviços e empreendimentos ligados a bandeiras globais.
Se conseguir executar o pipeline previsto, a empresa deixará de ser uma administradora regional com presença relevante em Curitiba para se consolidar como uma plataforma nacional de hospitalidade, com atuação em diferentes segmentos e mercados. O desafio será manter padrão de operação, rentabilidade e identidade de marca em uma carteira cada vez mais espalhada pelo país.
