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NegóciosMPOL
29/06/2026
6 min

Rede de minimercados autônomos vai além dos condomínios para chegar a mil unidades

Rede de minimercados autônomos vai além dos condomínios para chegar a mil unidades

A Minha Quitandinha, startup catarinense, nasceu em 2020, quando os mercados autônomos ainda eram uma curiosidade. Agora o modelo ganha escala e a rede soma 850 unidades por meio de franquias.

A empresa faturou R$ 100 milhões em 2025, alta de 186% sobre 2024, e projeta chegar a R$ 170 milhões em 2026.

A meta é abrir mais 300 lojas até o fim do ano e alcançar 1 mil unidades.

A próxima etapa da empresa passa por reduzir a dependência dos condomínios. Hoje, metade dos novos contratos já vem de empresas, universidades, hospitais, academias e hotéis.

A rede também começou a testar lojas de rua em cidades menores e avança em operações internacionais nos Estados Unidos e em Dubai.

O mercado que nasceu na pandemia

A Minha Quitandinha surgiu no início da pandemia, quando os fundadores, Douglas Penas e Guilherme Mauri, atuavam em empresas de serviços para condomínios.

A ideia inicial era criar soluções que ajudassem síndicos a reduzir custos condominiais.

Dessa motivação, nasceu a ideia do minimercado autônomo, que ainda era pouco conhecido no Brasil. “O síndico nem sabia que esse produto existia. Precisávamos explicar como funcionava uma loja sem funcionário”, afirma Douglas Pena, cofundador da empresa.

A empresa começou testando pequenas operações em Balneário Camboriú, divulgando a empresa porta a porta. O modelo chamou atenção porque funcionava sem atendentes: o morador entrava, pegava os produtos e fazia o pagamento sozinho.

A primeira virada veio quando o setor começou a ganhar escala nacionalmente. Com mais concorrentes entrando no mercado e mais condomínios adotando o formato, o produto ficou conhecido.

Outro ponto importante foi a decisão de franquear a operação em 2021. A empresa percebeu que moradores e investidores queriam abrir unidades próprias em seus condomínios e cidades.

A primeira franquia nasceu quase de forma improvisada, quando um síndico em Pelotas, no Rio Grande do Sul, indicou um morador para operar uma unidade localmente. Pouco depois, outro interessado apareceu espontaneamente no escritório da empresa querendo abrir uma loja.

Hoje, cerca de 40% da base é formada por multifranqueados, empreendedores que operam mais de uma unidade. O valor para abrir uma operação é a partir de R$ 60 mil. 

A empresa fornece a estrutura da operação, tecnologia, padronização visual e acordos comerciais com fornecedores, enquanto o franqueado fica responsável pela gestão da unidade.

Além dos produtos, a companhia também negocia equipamentos como geladeiras, gôndolas e ar-condicionado para reduzir custo de implantação.

O design e o nome da marca foram uma diferenciação no mercado que começou a crescer. Boa parte dos concorrentes tinham nomes em inglês e lojas parecidas. A Minha Quitandinha apostou em uma identidade mais brasileira, inspirada na ideia das antigas quitandas de bairro, com gôndolas de madeira e um ambiente mais próximo do consumidor.

Como a tecnologia virou diferencial

O nome ajudou no reconhecimento da marca, mas foi o desenvolvimento da tecnologia própria, em 2023, que se consolidou como principal diferencial, segundo os fundadores.

A plataforma controla desde o pagamento no caixa autônomo até a gestão de estoque e precificação das lojas. A tecnologia própria acelerou o suporte aos franqueados e permitiu adaptar produtos, promoções e funcionalidades com mais rapidez.

“No nosso negócio, tecnologia é 70% da operação. Se a loja fica aberta 24 horas por dia sem atendente, o sistema precisa funcionar o tempo inteiro, tanto para o cliente comprar quanto para o franqueado operar a unidade”, afirma Guilherme Mauri.

A tecnologia própria ajudou a empresa a expandir para além dos condomínios. Como o sistema controla estoque, consumo e operação em tempo real, a rede consegue adaptar cada unidade ao perfil de circulação do local.

“É uma loja personalizada para aquele ambiente”, afirma Pena. “A loja de uma academia é diferente da loja de uma empresa ou de um condomínio.”

A diversificação do negócio

A Minha Quitandinha prepara um movimento de consolidação em um mercado ainda fragmentado. Pequenos operadores regionais de minimercados começaram a enfrentar dificuldades para sustentar estruturas próprias de logística, tecnologia e distribuição.

“Muitos chegaram num limite operacional”, afirma Mauri. “Eles começam a precisar de centro de distribuição, equipe maior, tecnologia e perdem margem.”

A estratégia da empresa agora é incorporar esses operadores à rede. Em alguns casos, eles viram franqueados. Em outros, a operação é adquirida e convertida para a bandeira da Minha Quitandinha.

A Minha Quitandinha também começou a testar um novo modelo de expansão fora dos condomínios: minimercados autônomos de rua em cidades pequenas e médias.

A operação ainda está em fase inicial, com entre 15 e 20 lojas em funcionamento, mas já virou uma das apostas da empresa para os próximos anos. Segundo os fundadores, o modelo faz sentido em municípios menores, onde há menos oferta de conveniência 24 horas e menor concorrência de grandes redes.“Em algumas cidades menores, a loja de rua já está funcionando bem”, afirma Pena.

A lógica é aproveitar o mesmo sistema usado nos condomínios — loja sem atendente, operação automatizada e monitoramento remoto — mas adaptado para regiões onde o comércio de conveniência ainda é limitado.

O movimento amplia o mercado potencial da rede. Até agora, o setor cresceu principalmente dentro de condomínios residenciais, mas a empresa avalia que o modelo pode funcionar em bairros afastados, cidades do interior e regiões com fluxo constante de moradores e trabalhadores.

Além das lojas de rua, a companhia também vem expandindo operações em hotéis, academias, hospitais, universidades e empresas. Hoje, metade dos novos contratos da rede já acontecem fora dos condomínios.

“Onde tem fluxo recorrente de pessoas, o modelo funciona. A conveniência deixou de ser algo só do condomínio”, diz Mauri.

A aposta fora do Brasil

A empresa já opera três lojas em Dubai e prepara a primeira unidade nos Estados Unidos, na Flórida. A operação internacional ganhou novo nome, mas manteve a brasilidade na arquitetura.

"Estamos fazendo lá fora o mesmo processo que fez no Brasil: testar, entender o cliente e ajustar o modelo”, afirma Pena.

O foco inicial nos Estados Unidos será em empresas, não em condomínios. Enquanto isso, no Brasil, a rede continua apostando na expansão acelerada. A companhia afirma receber pedidos diários de novos pontos comerciais e vê espaço para crescimento em praticamente qualquer ambiente com fluxo recorrente de pessoas.

“O nosso negócio resolveu um problema de conveniência que muita empresa grande tentava resolver com entrega rápida”, afirma Mauri. “Colocamos o mercado dentro da rotina das pessoas.”

AutorBianca Camatta
FonteExame
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