Rede social de filmes avaliada em US$ 300 milhões vira alvo do New York Times e da A24
O preço pedido pela plataforma subiu com Netflix, Sony e Paramount também na lista de interessados

RESUMO +
O estúdio A24 e o jornal americano The New York Times entraram na disputa pela compra do Letterboxd nesta quarta-feira, 24, segundo o NYT; a rede social de filmes busca avaliação superior a US$ 300 milhões. A holding canadense Tiny quer vender sua fatia de 60%, em negociação conduzida pelo banco de investimentos LionTree, sem prazo para acordo.
A disputa por comprar o Letterboxd, rede social de filmes que virou point obrigatório de cinéfilos, ganhou dois novos nomes: o estúdio A24 e o jornal americano The New York Times. Segundo reportagem do próprio NYT, publicada nesta quarta-feira, 24, os dois entraram na fila de compradores interessados na plataforma — e o preço pedido subiu de US$ 250 milhões, valor citado em julho, para mais de US$ 300 milhões.
A lista de pretendentes já era longa antes disso. Até então, Netflix, Sony Pictures, Paramount, as gestoras RedBird e TPG e o investidor Alexis Ohanian, cofundador do Reddit, participaram das conversas iniciais, segundo o site Puck.
Uma porta-voz do NYT confirmou à imprensa que a empresa "revisa regularmente potenciais investimentos", mas evitou comentar a especulação diretamente. A A24 não quis comentar.
De projeto de nicho a alvo de US$ 300 milhões
Fundado em 2011 na Nova Zelândia pelos designers Matthew Buchanan e Karl von Randow, o Letterboxd nasceu como um espaço para catalogar filmes assistidos, dar notas, escrever críticas e montar listas — descrito com frequência como "o Goodreads dos filmes". A plataforma vivia como projeto de nicho até a pandemia de covid-19 empurrar mais gente para as telas: a base de usuários saltou de 1,8 milhão em 2020 para mais de 30 milhões hoje.
Em 2023, a holding canadense Tiny comprou 60% do Letterboxd por um valor entre US$ 50 milhões e US$ 60 milhões, com os fundadores mantendo o restante da participação. Agora, a Tiny busca vender essa fatia majoritária, processo conduzido pelo banco de investimentos LionTree. Para efeito de comparação, o preço pedido hoje é cerca de 20 vezes a receita anual projetada da empresa para este ano, de aproximadamente US$ 15 milhões, segundo o NYT.
Por que o Times faria mais sentido do que um estúdio
A entrada do próprio jornal como candidato chama a atenção porque resolveria um problema que assombra as outras propostas: o conflito de interesse.
Comprado por um estúdio como a Sony ou a A24, o Letterboxd passaria a pertencer a uma das empresas cujos filmes os próprios usuários avaliam e criticam livremente na plataforma — inclusive com notas ruins.
Segundo o The Hollywood Reporter, o Times seria, "de muitas formas, o lar ideal" para a empresa, dada sua independência editorial, experiência com assinaturas digitais e cobertura cultural já consolidada. O jornal já incorporou outras marcas ao seu pacote de assinaturas antes, como o site de recomendações Wirecutter e o site esportivo The Athletic.
Ainda assim, qualquer comprador — jornal ou estúdio — vai precisar lidar com uma cláusula de veto que o cofundador Matthew Buchanan mantém sobre a venda, criada justamente para proteger o espírito original da comunidade contra uma comercialização excessiva.
A maior parte da receita do Letterboxd hoje vem de publicidade e das assinaturas pagas, nos planos Pro, de US$ 19 por ano, e Patron, de US$ 49 por ano, além do serviço de aluguel de filmes raros lançado em dezembro de 2025. Até a publicação desta matéria, nenhuma das negociações havia sido confirmada oficialmente pelas empresas envolvidas, e não há prazo definido para o fechamento de um acordo.
