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Sacre Investimentos
InvestMercados
26/10/2026
4 min

Reeleição de Lula, Focus e dívida pública: o que move os mercados

Participantes do mercado projetam forte queda do Ibovespa após a reeleição de Lula neste domingo, 25, e não descartam um circuit breaker

Reeleição de Lula, Focus e dívida pública: o que move os mercados

A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada neste domingo, 25, deve colocar os mercados brasileiros sob forte pressão nesta segunda-feira, 26, no primeiro pregão após o segundo turno das eleições.

A expectativa entre participantes do mercado é de queda expressiva da bolsa, desvalorização do real e alta dos juros futuros, em uma sessão marcada pela revisão das apostas dos investidores sobre os rumos da política econômica do país.

"Ela vai devolver tudo e mais um ponto", disse Alfredo Menezes, CEO da Armor Capital, em entrevista na live de Eleições da EXAME.

Diante da possibilidade de movimentos bruscos nos preços, participantes do mercado não descartam a necessidade de intervenções do Banco Central (BC) e do Tesouro Nacional. Também há quem considere a possibilidade de acionamento do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações na bolsa diante de quedas acentuadas.

O tamanho da reação dos investidores dependerá, entre outros fatores, da revisão das posições montadas antes da eleição e da avaliação sobre as perspectivas fiscais e econômicas do novo mandato. A agenda de indicadores desta segunda-feira também traz dados sobre a confiança dos consumidores, as contas externas brasileiras e o investimento estrangeiro direto, além de compromissos do Tesouro Nacional.

O que esperar da bolsa e do dólar

O resultado eleitoral muda o ponto de partida dos mercados em relação ao fechamento da sexta-feira, 23, quando os investidores ainda reagiam às pesquisas de intenção de voto e à perspectiva de vitória de Flávio Bolsonaro.

Na última sessão antes da eleição, o Ibovespa subiu 0,47%, aos 205.082,56 pontos, embora tenha acumulado queda de 0,17% na semana. O dólar à vista recuou 0,90%, a R$ 4,993, e encerrou abaixo de R$ 5 pela primeira vez desde 12 de outubro. Na semana, a moeda americana perdeu 1,57%.

A expectativa de continuidade da pressão sobre os ativos brasileiros coloca o câmbio, a bolsa e os juros no centro das atenções nesta segunda-feira. Os investidores devem reavaliar os preços dos ativos à luz do resultado das urnas, perspectivas para a condução da política econômica e da judicialização do 2° turno.

Indicadores para acompanhar

Às 8h, a Fundação Getulio Vargas (FGV) divulga a Sondagem do Consumidor de outubro. Em setembro, o indicador ficou em 84,2 pontos. O dado oferece uma leitura sobre a percepção das famílias em relação à economia e às condições de consumo.

Às 8h25, o mercado acompanha a divulgação da pesquisa Focus, do Banco Central, que reúne as expectativas de instituições financeiras para indicadores como inflação, juros, câmbio e crescimento econômico.

Cinco minutos depois, às 8h30, o BC publica os dados de setembro sobre as transações correntes e o investimento direto no país. Em agosto, o saldo em transações correntes foi negativo em US$ 5,055 bilhões, enquanto o investimento direto no país somou US$ 7,396 bilhões.

Os números ajudam a acompanhar a situação das contas externas brasileiras e a entrada de recursos estrangeiros na economia. Em uma sessão de maior aversão ao risco, esses indicadores também podem contribuir para a avaliação dos investidores sobre a posição externa do país.

Às 15h, a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) divulga os dados semanais da balança comercial, referentes ao período até 23 de outubro. Na semana anterior, o Brasil registrou superávit de US$ 2,66 bilhões.

No mesmo horário, o Tesouro Nacional publica o Relatório Mensal da Dívida Pública, documento acompanhado pelo mercado para monitorar a evolução do endividamento federal e as condições de financiamento do governo.

A agenda brasileira inclui ainda a Sondagem Indústria da Construção, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), que traz informações sobre o desempenho e as condições do setor.

No exterior, o primeiro destaque do dia sai às 6h, com a divulgação do índice de condições empresariais da Alemanha, calculado pelo instituto Ifo. Em setembro, o indicador ficou em 89,9 pontos.

Nos Estados Unidos, às 14h, ocorre um leilão de títulos do Tesouro americano (Treasuries) com vencimento em dois anos, os chamados T-notes. O resultado pode oferecer sinais sobre a demanda dos investidores por títulos da dívida americana e as condições de financiamento do governo.

Com a atenção concentrada na reação ao resultado eleitoral brasileiro, a sessão desta segunda-feira deve ser marcada principalmente pelos ajustes de posições nos ativos locais.

AutorClara Assunção
FonteExame
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