Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
Future of MoneyCPTO
04/09/2026
4 min

Relatório de Emprego dos EUA freia alta do bitcoin antes do fim de semana

Criptomoedas perdem força diante de expectativas de aumento na taxa de juros dos EUA em 16 de setembro

Relatório de Emprego dos EUA freia alta do bitcoin antes do fim de semana

O bitcoin ainda opera em alta nesta sexta-feira, 4, mas perde fortemente o ímpeto que teve nas máximas do dia anterior. Ontem, a criptomoeda chegou a ser negociada acima dos US$ 82 mil, no seu maior nível de preço desde 11 de maio. No entanto, o Relatório de Emprego dos Estados Unidos enfraqueceu o mercado antes do fim de semana.

A maior economia do mundo criou 162 mil vagas de trabalho em agosto, número muito acima das 55 mil que os economistas previam. A taxa de desemprego se manteve em 4,1%, em linha com as projeções.

Vale lembrar que um mercado de trabalho aquecido significa mais pressão inflacionária, reforçando a expectativa de que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) aumentará os juros dos EUA na reunião dos dias 15 e 16 deste mês.

Juros mais altos para controlar a inflação significam menos liquidez no mercado e maior atratividade da renda fixa, o que prejudica ativos de renda variável, tais quais as criptomoedas.

Hoje às 10h59 (horário de Brasília) o bitcoin subia 0,7% em um período de 24 horas, cotado a US$ 79.372 por unidade.

O que acontece com o bitcoin agora?

Segundo Matheus Parizotto, head de Research de digital assets do BTG Pactual, o Relatório de Emprego adicionou pressão a uma realização de lucros que ocorreria naturalmente por conta de o bitcoin atingir sua máxima de maio.

“Com inflação ainda resiliente e mercado de trabalho mais forte, aumentou a precificação de alta de juros pelo Federal Reserve (Fed) em setembro, agora em torno de 58%, o que pesa especialmente sobre ativos sem geração de fluxo de caixa, como ouro, prata, bitcoin e demais criptoativos”, destaca Parizotto.

Apostas na decisão de juros do Fomc de setembro

Apostas na decisão de juros do Fomc de setembro mostram prevalência de um aumento de 0,25 ponto percentual

Pedro Fontes, analista da corretora Mercado Bitcoin, diz que a leitura macro é negativa para cripto, pois dá ao Fed mais espaço para manter uma política monetária restritiva.

“O próximo grande teste será o CPI [Índice de Preços ao Consumidor] de agosto, divulgado na próxima semana. Uma inflação abaixo do esperado pode compensar parte do efeito negativo do Relatório de Emprego, reduzindo novamente as expectativas de alta de juros e ajudando o BTC a reagir”, diz Fontes. “Por outro lado, um CPI acima do esperado somaria emprego forte e inflação resistente, reforçando a tese de alta de juros e aumentando a pressão sobre o mercado cripto.”

Do ponto de vista de preço, na opinião de Parizotto, o bitcoin enfrenta agora uma combinação de resistência técnica e reprecificação de juros, o que tende a gerar uma correção nos próximos dias, mas ainda dentro de um cenário de retomada mais ampla.

“Caso se confirme, pode abrir uma janela de oportunidade para os investidores se posicionarem em níveis mais atrativos a favor dessa tendência de recuperação”, avalia.

ETFs têm entrada de capital quase bilionária

Ontem, foi registrado um saldo líquido positivo de US$ 730,8 milhões nos fundos negociados em bolsa (ETFs, na sigla em inglês) de bitcoin à vista dos EUA. O maior alvo do fluxo comprador foi o IBIT, da gestora BlackRock, com US$ 454 milhões de excesso de compras de cotas em relação às vendas.

Vinicius Bitelo, analista do BTG Pactual, lembra que essa foi a terceira maior captação do ano nos ETFs de bitcoin. “As outras duas ocorreram em 14 de janeiro, com US$ 843 milhões, e em 13 de janeiro, com US$ 753 milhões”, aponta.

Nos ETFs da criptomoeda ether, por sua vez, o saldo foi positivo em US$ 141,4 milhões.

Entre os indicadores, o índice Fear & Greed (medo e ganância, na tradução literal) das criptomoedas caiu dos 78 para os 75 pontos. Essa região indica que o sentimento predominante no mercado cripto é o de “ganância”.

O Fear & Greed usa informações como momentum de preços, volatilidade e posições predominantes no mercado de derivativos para criar um score que vai de 0 a 100 pontos. Quanto mais próximo de zero maior é o medo dos investidores, ao passo que valores perto de 100 indicam predominância do otimismo e apetite por risco.

AutorRicardo Bomfim
FonteExame
Distribuído por