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Mundo
16/07/2026
4 min

Relembre as várias etapas do tarifaço de Trump contra o Brasil

Relembre as várias etapas do tarifaço de Trump contra o Brasil

Desde o ano passado, o governo do presidente Donald Trump aplicou uma série de tarifas contra produtos brasileiros, que geraram prejuízo de ao menos US$ 1,5 bilhão para o Brasil, segundo cálculos de entidades setoriais.

Nesta quarta-feira, 15, o governo americano aplicou uma nova rodada de tarifas contra o país, que passa a ter uma nova taxa de 25%, com isenção para uma série de produtos, como carne, café e aviões.

Relembre as fases do tarifaço

O tarifaço global teve início em abril de 2025. Naquele mês, Trump anunciou uma nova taxa geral, válida para todos os países, de no mínimo 10%. Países e blocos com quem os EUA tinham déficits comerciais tiveram taxas mais elevadas. No entanto, várias delas foram reduzidas nas semanas e meses seguintes, por meio de acordos ou isenções dadas pela Casa Branca.

Em julho, no entanto, Trump impôs uma tarifa de 50% aos produtos brasileiros. A tarifa foi adotada com o objetivo de pressionar o Brasil a cancelar o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado.

A taxa, de 50%, foi aplicada inicialmente a todos os itens, mas logo foram dadas exceções, que deixaram de fora itens importantes, como aeronaves, café e petróleo.

Entre julho e setembro, houve semanas difíceis, em que o governo brasileiro encontrou portas fechadas ao procurar autoridades americanas, e a situação parecia sem solução.

O impasse foi desfeito a partir de setembro. Após uma série de conversas de bastidores, envolvendo tanto autoridades quanto empresários e entidades setoriais, o presidente Trump se reuniu com o presidente Lula nos bastidores da Assembleia-Geral da ONU.

Depois disso, vieram outras conversas entre os dois presidentes e uma série de alívios ao tarifaço, como a retirada de mais produtos da lista e uma sinalização de normalização das relações. Os dois presidentes tiveram uma reunião presencial em outubro, na Malásia, que transcorreu bem. Na época, o governo americano recuou de mais medidas contra o Brasil.

Decisão da Suprema Corte

Em fevereiro, a Suprema Corte derrubou as tarifas que Trump havia aplicado por meio da por meio da regra Ieepa, e a cobrança de 50% foi retirada de vez. No entanto, o presidente decretou outra taxa geral, de 10%, por meio da Seção 122, que segue em vigor.

Nos últimos meses, a relação entre Lula e Trump piorou. Mesmo após uma visita de Lula à Casa Branca, em maio, os americanos não recuaram das tarifas e das acusações contra o Brasil.

Em maio, Trump se aproximou de Flávio Bolsonaro e o recebeu na Casa Branca. Depois disso, os americanos declararam as facções PCC e CV como terroristas, um pedido de Flávio que contraria o governo Lula, por ver risco de intervenções militares no país e de piora no ambiente de negócios para as empresas.

Em meio às idas e vindas das taxas, houve redução de exportações do Brasil para os EUA de US$ 1,5 bilhão em produtos, entre agosto e novembro de 2025, segundo estudo da Amcham. Ao mesmo tempo, em 15 de 21 setores analisados, as empresas não conseguiram redirecionar os produtos que iam para os EUA rumo a outros mercados. Esses setores somaram perdas de US$ 1,2 bilhão, com destaque para mel, pescados, plástico, borracha, madeira, metais e material de transporte.

Déficit parecido, arrecadação maior

Em diversas ocasiões, Trump disse esperar que as tarifas tivessem dois efeitos principais: aumentar a arrecadação federal e reduzir o déficit comercial dos EUA, que ele vê como uma ameaça ao país.

Em um ano, o déficit comercial dos EUA teve uma queda mínima, de 0,2%, ou US$ 2 bilhões, em 2025, e ficou em US$ 901,5 bilhões no ano. Em 2024, o valor havia sido de US$ 903,5 bilhões negativos, segundo o governo americano.

Com o Brasil, os EUA tiveram um superávit na venda de mercadorias ao Brasil de US$ 14,4 bilhões em 2025, uma alta de 112,8% em relação a 2024, segundo dados do governo americano. As exportações em 2025 somaram US$ 54,4 bilhões (alta de 10,7%), e as importações de itens brasileiros somaram US$ 39,9 bilhões (queda de 5,7% em um ano). O Brasil é o 11º maior parceiro comercial os EUA.

Com a adoção das tarifas, a arrecadação mensal com as taxas internacionais subiu de US$ 7,3 bilhões mensais, em janeiro de 2025, para US$ 27,6 em janeiro deste ano, um valor quase três vezes maior, segundo dados da Tax Foundation.

A entidade, no entanto, avalia que a maior parte das taxas acaba sendo repassada aos consumidores americanos, o que geraria um aumento médio de US$ 600 no pagamento de impostos por residência em 2026.

AutorRafael Balago
FonteExame
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