Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
Bolsa e dólarACSBDR
13/08/2026
4 min

Renda fixa, ações, Selic e dólar: as estratégias para o investidor atravessar as eleições sem perder dinheiro

A Empiricus traçou dois cenários para as contas públicas nas eleições; confira onde aplicar o seu dinheiro com ou sem ajuste fiscal

Renda fixa, ações, Selic e dólar: as estratégias para o investidor atravessar as eleições sem perder dinheiro

As eleições no Brasil costumam testar a frequência cardíaca dos investidores. À medida que o pleito de outubro se aproxima, a volatilidade assume o controle dos mercados: discursos de campanha fazem o dólar oscilar, declarações sobre metas fiscais balançam a curva de juros e as pesquisas de intenção de voto movimentam a bolsa em questão de minutos. 

Em meio a esse mar de ruídos, é possível posicionar o dinheiro sem ficar à mercê do resultado das urnas?

Para responder a essa questão, a equipe de análise da Empiricus Research mapeou as forças que vão mover o mercado no período eleitoral. O diagnóstico aponta para um divisor de águas crucial: a trajetória das contas públicas

A casa de análise desmembrou dois cenários: com ajuste fiscal, destacando o caminho da convergência e do rali dos ativos domésticos; e sem ajuste fiscal, com risco da ruptura, inflação e pressão cambial — e mostra como construir uma carteira para atravessar a tempestade e prosperar em qualquer um dos dois desfechos. 

Cenário 1: governo ajusta as contas públicas 

O primeiro ponto que a Empiricus destaca é que o Brasil não enfrenta uma crise imediata de financiamento, mas a combinação de déficit primário, juros elevados e dívida ascendente mantém um prêmio fiscal relevante nos ativos.  

Por isso, o time de análise acredita que um programa crível de ajuste fiscal, com foco em despesas e execução plurianual poderia iniciar uma reprecificação expressiva pela curva longa, transmitindo depois para o câmbio e para a bolsa.  

No cenário em que o governo vence as eleições (ou é reeleito) sinaliza compromisso firme com o controle de gastos, respeito ao arcabouço fiscal e reformas estruturais, o mercado reage com rápida redução do prêmio de risco-país.  

QUER INVESTIR MELHOR?

Entre para o clube de investidores do Seu Dinheiro e atinja um novo patamar no mercado financeiro

Quando a trajetória da dívida pública é percebida como sustentável, abre-se espaço para o Banco Central cortar a taxa básica de juros (Selic), atualmente em 14% ao ano, ou manter expectativas ancoradas, aliviando o custo do crédito em toda a economia. 

Por isso, a Empiricus recomenda títulos IPCA+ longos e setores domésticos sensíveis à queda da Selic.

Mas a casa alerta que, embora a assimetria seja positiva porque os preços já incorporam juros elevados, incerteza eleitoral e prêmio fiscal, a implementação depende da confirmação do anúncio inicial do ajuste das contas públicas para evitar a devolução do rali.  

Confira a tabela abaixo com as sugestões de investimento da casa de análise: 

Classe  Instrumento  Papel na tese
Renda fixa  PACB11  Juro real longo e marcação a mercado 
Crédito  RALM11, CGOSA2  Carrego e exposição a projetos regulados 
Ações e ETF  SMFT3,B3SA3,CYRE3,RENT3,SMAB11  Domésticas e retomada da atividade 
Estruturado  Bolsa protegida ou alavancada  Assimetria conforme perfil e horizonte 
Fundos imobiliários  VISC11,BTLG11, KNHF11  Renda e reprecificação com queda dos juros 
Fonte: Empiricus Research 

Cenário 2: sem ajustes nas contas públicas 

No cenário oposto, o descumprimento das metas fiscais, a expansão descontrolada de gastos públicos ou a incerteza quanto à governabilidade elevam as dúvidas sobre a solvência do Estado.  

O resultado é a desancoragem das expectativas de inflação, a fuga de capital estrangeiro e a necessidade de juros mais altos por mais tempo para conter a escalada dos preços. 

Neste ambiente de maior estresse, a regra de ouro não é buscar ganhos mirabolantes, mas sim a preservação de capital e a proteção contra a perda do poder de compra. 

Por isso, a Empiricus recomenda reduzir a dependência do risco doméstico por meio de ativos internacionais, exposição cambial, ouro e crédito de emissores resilientes. 

Além disso, utilizar instrumentos de proteção contra a abertura da curva de juros e queda da bolsa, sobretudo em carteiras com duration longa e maior sensibilidade ao cenário fiscal.  

Confira a tabela abaixo com as sugestões de investimento da casa de análise: 

Classe Instrumento  Papel na tese 
Internacional  GOGL34, NVDC34, BERK34, LILY34  Qualidade, crescimento e exposição ao dólar 
Renda fixa global  BIL/TBIL39, STIP/BTIP39  Liquidez em dólar e proteção inflacionária 
Metais e estruturados  Ouro e estrutura em bolsa americana  Diversificação e assimetria 
Caixa e crédito  LIQB11, ELDC15, PEJA11, ENDD11, JURO11, KNIP11  Carrego, liquidez e renda 
Proteção  Put de PACB11 e put de B3SA3  Defesa na abertura da curva e queda da bolsa 
Fonte: Empiricus Research 

Eleições: entre o ajuste e a ruptura 

A mensagem central da Empiricus é direta: tentar prever quem vencerá as eleições ou qual política exatamente será adotada é um jogo de azar que o investidor não deve jogar. 

A melhor conduta em períodos de alta volatilidade é montar uma carteira antifrágil — ou seja, uma alocação que não dependa de um resultado único para performar bem e que consiga se beneficiar da própria incerteza. 

AutorCarolina Gama
FonteSeu Dinheiro
Distribuído por