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Sacre Investimentos
Finanças PessoaisACS
06/08/2026
10 min

Renda fixa domina novos ETFs e recebe 80% dos investimentos — por que esses fundos chamam a atenção e quais são os principais?

Bradesco, BTG Asset, XP Asset e Itaú Asset são as gestoras por trás dos ETFs criados desde 2025 que lideram em captação e patrimônio

Renda fixa domina novos ETFs e recebe 80% dos investimentos — por que esses fundos chamam a atenção e quais são os principais?

A renda fixa é tradicionalmente a “queridinha” entre os brasileiros e responde por 59% dos investimentos no país. Mas o protagonismo da classe tem ido além do aporte tradicional em títulos públicos, CDBs e outros nomes já bastante conhecidos. Agora, ela também domina um outro tipo de ativo: os Exchange Traded Funds (ETFs).

O nome em inglês pode até assustar de primeira, mas esses investimentos nada mais são do que fundos de investimentos que replicam o desempenho de um índice.

Eles são atrelados a indicadores de mercado, como índices de ações, renda fixa, fundos imobiliários, commodities — como ouro e petróleo —, moedas e criptoativos.

Mas é principalmente a renda fixa que tem impulsionado esse segmento nos últimos tempos.

Um levantamento realizado pelo site ETFs Brasil, mantido pela Teva Índices, mostra os fundos de índice lançados entre janeiro de 2025 e julho de 2026, e lista, dentre eles, os maiores por patrimônio e captação líquida no período.

Neste top 10 ETFs, sete são fundos de índice de renda fixa. Já a gestora com mais representantes no ranking é a BTG Asset, com cinco fundos. Confira:

Código Início Gestora Patrimônio líquido Nº de cotistas Captação líquida Classe
BLFT11 17/10/25 Bradesco Asset R$ 13,3 bi 247 R$ 9 bi Renda Fixa
LLFT11 13/06/25 BTG Asset R$ 6,1 bi 985 R$ 5,4 bi Renda Fixa
LFTI11 22/12/25 Itaú Asset R$ 3,1 bi 681 R$ 1,9 bi Renda Fixa
TD3511 24/02/26 Itaú Asset R$ 1,5 bi 353 R$ 1,5 bi Renda Fixa
GOLX11 22/12/25 XP Asset R$ 1,2 bi 1.176 R$ 1,3 bi Alternativos
SPBZ11 04/11/25 BTG Asset R$ 985 mi 55 R$ 846 mi Ações Internacionais
LFIN11 22/09/25 BTG Asset R$ 858 mi 1.435 R$ 801 mi Renda Fixa
MIDB11 18/02/26 BTG Asset R$ 758 mi 14 R$ 743 mi Renda Fixa
AUPO11 15/12/25 BTG Asset R$ 692 mi 23.743 R$ 643 mi Renda Fixa
SPXH11 29/12/25 XP Asset R$ 519 mi 597 R$ 509 mi Ações Internacionais
*O ranking considera apenas os ETFs não exclusivos lançados a partir de 01/01/2025 e os dados foram coletados em 20/07/2026. Fonte: ETFs Brasil/Teva Índices

Além de dominar o ranking em número de ETFs, a renda fixa é predominante no volume de investimentos.

Entre todos os fundos de índice lançados desde 2025, o patrimônio líquido na renda fixa é de R$ 32,38 bilhões. Já o mercado todo de novos ETFs possui R$ 39,53 bilhões.

Ou seja, a renda fixa representa 81% da indústria, considerando somente os ativos mais novos.

Por que os ETFs estão conquistando investidores?

Os ETFs chegaram ao Brasil em 2004 com o lançamento do PIBB11, da Itaú Asset. Durante muito tempo, o país só teve algumas dezenas dos fundos de índice, atrelados aos principais índices de ações da B3.

Porém, nos últimos anos, o mercado passou a dar mais atenção a esse tipo de investimento. Em julho, os ETFs ultrapassaram a marca de 200 produtos disponíveis — alta de 55,7% em relação ao mesmo mês de 2025 — e um estoque de mais de R$ 126 bilhões.

O “boom” desses ativos está relacionado a duas mudanças regulatórias no mercado financeiro, segundo especialistas: as resoluções 175 e 179 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que entraram em vigor em outubro de 2023 e novembro de 2024, respectivamente.

No caso da CVM 175, que criou o novo marco regulatório dos fundos de investimento, os ETFs passaram a ter mais segurança jurídica.

Já a CVM 179 não foi pensada para os ETFs, mas teve um efeito direto no crescimento dos ativos. A resolução fez um conjunto de normas para os assessores de investimentos e uma delas foi a transição do modelo de remuneração.

Antes, os assessores recebiam comissões de acordo com o investimento recomendado — o que levava, muitas vezes, a uma indicação não tão boa para o investidor, já que havia uma tendência a se recomendar mais os produtos que pagavam mais ao assessor.

Agora, há o sistema de fee based, no qual o profissional é remunerado por uma taxa fixa, independentemente dos ativos recomendados.

“Os ETFs não pagavam comissões por distribuição, então acabavam ficando um pouco fora da seleção de investimento das assessorias”, explica Tiago Lima, sócio e head de distribuição da BTG Pactual Asset.

Com a alteração, mais profissionais de investimentos passaram a apresentar os ETFs para os clientes, e a classe começou a crescer expressivamente.

Além disso, algumas características chamam a atenção para esses produtos: diversificação, baixo custo, transparência, liquidez e praticidade, por exemplo — veja todas as vantagens nesta matéria.

Já o protagonismo da renda fixa entre os ETFs mais novos está relacionado às características comuns dos fundos de índice, somadas ao favoritismo dos brasileiros por ativos mais seguros, além da taxa básica de juros elevada.

Os principais fundos de índice do ranking

Não é coincidência, portanto, que os quatro primeiros fundos do ranking do ETFs Brasil sejam de renda fixa. Esses ativos têm recebido valores massivos tanto de investidores comuns quanto dos institucionais.

Os três primeiros ETFs do ranking — BLFT11, LLFT11 e LFTI11 — são exemplos de fundos mais voltados para o investidor institucional (como os fundos de investimento). Eles investem em Tesouro Selic e destinam-se a alocar o caixa dos cotistas.

Embora as pessoas físicas também tenham acesso a esses ETFs, para elas esses fundos são desvantajosos. Isso porque o Tesouro Selic é um título público de retorno de curto prazo.

Por conta disso, ETFs que investem apenas nesse tipo de título são considerados fundos de curto prazo e tributados em 25%, uma alíquota de imposto de renda mais alta que a maior alíquota de outros investimentos de renda fixa. Investidores institucionais, porém, não ficam sujeitos a essa taxa.

“Para esses investidores [pessoas físicas] não existe um atrativo. Na verdade, é ruim pela perspectiva de eficiência”, diz Ricardo Eleutério, diretor da Bradesco Asset, gestora do BLFT11. Não por acaso, apesar do alto valor de patrimônio líquido, o ETF do Bradesco tem somente 247 cotistas.

Nos ETFs de renda fixa, o Imposto de Renda é cobrado direto na fonte quando a cota é vendida na bolsa, a uma alíquota única de acordo com o prazo médio da carteira:

  • 25% se a carteira do fundo tiver até 180 dias (comum em ETFs puramente de Tesouro Selic);
  • 20% para prazo médio de 181 e 720 dias; e
  • 15% para prazo acima de 720 dias (o mais comum entre os fundos de índice).

Já BTG Asset, gestora do LLFT11, e a Itaú Asset, gestora do LFTI11, dispõem de outros ETFs para a pessoa física alocar seu caixa, isto é, a reserva de emergência.

Tiago Lima, do BTG, destaca o LIQB11, listado em bolsa no último dia 14 de julho, e o AUPO11, que também aparece no ranking dos dez maiores ETFs novos (mais detalhes sobre este fundo adiante). Já Rodrigo Araujo, especialista de ETF da Itaú Asset, indica o CDIB11.

O diferencial desses fundos é que eles não investem apenas em Tesouro Selic. Uma parte pequena da carteira é alocada em Tesouro IPCA+ de longo prazo, de forma a aumentar o prazo médio da carteira e enquadrar o fundo na faixa de imposto de renda de 15%.

Nesse sentido, o ETF se torna mais atrativo do que os ativos de renda fixa normalmente voltados para a reserva de emergência, cujas alíquotas de IR podem variar de 15% a 22,5%, a depender do prazo em que o investidor permanece investido.

Uma reserva de emergência ‘turbinada’

Destaque em número de cotistas, o ETF AUPO11 tem quatro vezes o número de investidores dos demais fundos da lista somados.

Com 23,7 mil cotistas, o fundo de índice de renda fixa é apresentado como um substituto ideal da poupança, “caixinhas” dos bancos digitais e outros ativos normalmente destinados à reserva de emergência.

O ETF foi criado em uma parceria entre a BTG Asset e a consultoria AUVP, fundada por Raul Sena, influenciador com 734 mil seguidores no Instagram, conhecido na internet como Investidor Sardinha.

O AUPO11 segue a receita de investir a maior parte dos recursos (90%) em Tesouro Selic, reservando o restante (10%) ao Tesouro IPCA+, de modo a se enquadrar na alíquota de IR de 15%.

O grande número de cotistas se deve não apenas pela quantidade de seguidores de Sena, como também pelos esforços de marketing para divulgar o produto.

O influenciador digital e especialista do mercado financeiro explica que outro motivo foi o foco do ETF na pessoa física.

“Como fizemos um produto pensado no cliente final, é natural que atraia mais desses investidores. Muitos da Faria Lima fazem ativos para si mesmos, para a gestão de fundos, por exemplo, então normalmente têm mais investidor institucional. Até a média de idade dos nossos investidores é um pouco menor”, afirma Sena.

As vantagens de investir em renda fixa via ETFs

Para o influenciador, o crescimento dos ETFs de renda fixa está alinhado ao perfil do investidor brasileiro.

Por serem os ativos mais representativos nas carteiras, é natural que também sejam mais acessados com esse veículo de investimento.

Ainda mais no cenário macroeconômico atual, com a taxa Selic em nível elevado e aversão a risco no mercado financeiro. Os ETFs de renda fixa chamam a atenção por serem uma forma simples de acessar títulos públicos e outros ativos com custos geralmente inferiores aos dos fundos tradicionais.

Outra característica positiva, na visão de especialistas, é a tributação. Os ETFs, diferentemente de outros fundos de investimentos, não têm cobrança de come-cotas semestral.

“Os fundos de índice não têm alíquota regressiva de Imposto de Renda entre 22,5% e 15% como os títulos de renda fixa. Também não têm IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Quando comparados com os fundos tradicionais, têm claramente uma vantagem”, diz Ricardo Eleutério, da Bradesco Asset.

É só o início?

Com a indústria de fundos de índice crescendo, cada vez mais as gestoras estão de olho no potencial desse tipo de produto.

Esse o caso da BTG Asset, que aparece como responsável por metade dos ETFs do ranking: LLFT11, SPBZ11, LFIN11, MIDB11 e AUPO11.

Tiago Lima explica que a gestora passou a fortalecer essa área dentro do negócio nos últimos três anos, o que levou a Asset a sair de um patrimônio de R$ 1 bilhão com ETFs em 2024 para R$ 22 bilhões atualmente.

Para o diretor, além dos fatores regulatórios que impulsionaram o mercado de fundos de índice como um todo, outra característica que os gestores têm percebido mais recentemente é o potencial desse produto na renda fixa.

“A poupança do investidor brasileiro não é renda variável. Quando começamos a oferecer produtos em que a renda fixa fosse o principal motor e a atender diferentes necessidades dos investidores, houve uma forte adesão”, afirma.

Um consenso entre os gestores consultados pelo Seu Dinheiro é o espaço para a expansão dessa indústria.

“Os ETFs hoje representam só 1% dos fundos de investimento, que chegam a R$ 12 trilhões. Se esse percentual virar 10% em um horizonte de cinco anos, os fundos de índice já chegam em um patamar trilionário”, destaca Lima.

AutorGiovanna Figueredo
FonteSeu Dinheiro
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