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InvestMinhas FinançasFIN
01/06/2026
7 min

Renda fixa ou ações? Como investir o dinheiro da restituição do imposto de renda

Renda fixa ou ações? Como investir o dinheiro da restituição do imposto de renda

A Receita Federal pagou na última sexta-feira, 29, o maior lote de restituição do Imposto de Renda (IR) da história: ao todo, foram liberados R$ 16 bilhões para 8,75 milhões de contribuintes. E, neste momento de ajustes de contas, é necessário planejamento para lidar com o dinheiro. Isso porque muitas pessoas veem como um “dinheiro extra”, o que acaba levando ao impulso nos gastos, diferente daquele dinheiro “suado” do trabalho.

“As pessoas tendem a pensar na restituição de imposto de renda como quase ‘um presente’ e, assim, lidam com esse recurso financeiro de maneira diferente do salário ou da renda pelo trabalho. Desta forma, o primeiro impulso de muitas pessoas é utilizá-lo com produtos ou serviços hedônicos, ou seja, que dão prazer”, explica Paula Sauer, economista e planejadora financeira CFP.

Quite dívidas

Numa lógica em cadeia, a melhor decisão é primeiro quitar dívidas caras, como juros de cartão de créidto, chege especial e crédito rotativo. O pagamento dessas contas vem junto com um alívio mental e financeiro, já que débitos germ estresse e reduzem a sensação de controle, dificultando a tomada de decisões de longo prazo.

Inclusive, neste momento, o Governo Federal está com o Novo Desenrola Brasil, que oferece descontos expressivos e condições de renegociação para limpar o nome. Podem participar pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105) e dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026, com atraso entre 90 dias e dois anos em cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado.

Os descontos variam conforme o tempo de atraso e o tipo de dívida:

  • De 30% a 90% no total;
  • No rotativo e cheque especial: de 40% a 90%;
  • No crédito pessoal: de 30% a 80%.

“Usar a restituição aqui traz um retorno financeiro imediato, pois eliminar juros altos é o ‘investimento’ mais rentável que existe”, enfatiza Guilherme Casagrande, educador financeiro da Creditas.

Crie uma reserva de emergência

Se as contas estão em dia, mas a pessoa não tem nenhum colchão financeiro, a restituição é a oportunidade perfeita para iniciar a reserva de emergência. É essa reserva que quebra o ciclo do endividamento futuro. “Para esse dinheiro, o foco total deve ser em ativos com baixíssima volatilidade e alta liquidez (onde o resgate seja imediato), garantindo segurança para imprevistos do dia a dia”, diz Casagrande.

Sauer ainda destaca que a reserva não existe para gerar rentabilidade — sua função é oferecer proteção contra eventos inesperados, como desemprego, problemas de saúde, perda de renda ou despesas extraordinárias. Em sua análise, muitas pessoas buscam investimentos sofisticados antes mesmo de terem uma reserva, o que acarreta, em momentos justamente de emergência, nas pessoas retirarem dinheiro de investimentos de longo prazo.

Invista o restante

Somente após resolver os dois itens anteriores, a restituição deve ser direcionada para investimentos voltados à construção de patrimônio, explicam os especialistas. Neste sentido, entram as modalidades: renda fixa e renda variável. E ainda dentro da renda fixa, existem, as classes: prefixados, pós-fixados ou híbridos, Há ainda os fundos de investimento. Neste momento, então, onde investir?

Renda fixa

Apesar do início do afrouxamento monetário, a taxa de juros ainda está num patamar extremamente elevado, em 14,50%. O último Boletim Focus projetou uma Selic em 13,25% ao final de 2026, um juro ainda em dois dítigos e muito acima das projeções do começo do ano. Assim, a renda fixa está extremamente atrativa e se coloca em uma posição para construção de patrimônio com segurança.

Daiane Alves, educadora financeira da Neon, traz os títulos pós-fixados, que sejam atrelados ao CDI, como uma opção, já que são investimentos que acompanham a taxa Selic. “Se os juros sobem o rendimento também subirá”, elucida. Nesse sentido, a dica é investir em Tesouro Selic ou em CDB que pague 100% do CDI com liquidez diária, sendo importante também escolher uma instituição financeira sólida para investir em CDB;

Num cenário de inflação ainda pressionada, para quem quer se proteger do cenário macroeconômico atual de preços, os títulos públicos ou privados atrelados ao IPCA (inflação) são bons para garantir que o poder de compra do dinheiro seja preservado, somado a um ganho real, comenta Casagrande.

“Já os prefixados fazem sentido quando o investidor acredita que os juros futuros vão cair, mas essa análise se torna um pouco mais delicada, pois exige uma aposta mais específica sobre o comportamento da economia. E em um cenário tão volátil como o que estamos vivendo, com guerras, Copa do Mundo e eleição para presidente não é uma tarefa muito simples”, explica Sauer.

De acordo com a especialista, para quem não acompanha o mercado de forma constante, concentrar grande parte do patrimônio em prefixados pode representar um risco desnecessário — mas pode servir como diversificação. “Uma boa pedida é combinar CDI para liquidez e IPCA+ para objetivos de longo prazo”, pontua Sauer.

Bolsa de valores

Apesar da alta de quase 8% em 2026, o Ibovespa está longe do seu melhor momento. Em abril, o principal índice de referência acionário do Brasil chegou a esbarrar nos 200 mil pontos, com a forte entrada de capital gringo no país. Entretanto, incertezas perante ao cenário de Guerra no Irã e fatores domésticos pesaram no índice, que recuou para a casa dos 170 mil pontos.

Mas isso não significa que o investidor deva se afastar da bolsa — pelo contrário. Sauer explica que momentos de queda são uma oportunidade para entrar na renda variável. “Para quem possui horizonte superior a cinco anos, momentos de pessimismo frequentemente criam oportunidades interessantes”, analisa.

Entre os setores que mais chamam a atenção, estão os bancos tradicionais, que costumam apresentar geração consistente de caixa, distribuição de dividendos e modelos de negócio resilientes. Empresas de transmissão e distribuição de energia elétrica também costumam ter receitas relativamente previsíveis e são frequentemente procuradas por investidores interessados em renda.

“O setor de saneamento possui perspectivas estruturais de crescimento associadas aos investimentos necessários para universalização dos serviços. Já exportadoras ligadas ao agronegócio, mineração e papel e celulose podem se beneficiar da geração de receitas em moeda forte e da diversificação geográfica”, aponta Sauer.

Empresas ligadas ao consumo costumam ser mais sensíveis aos juros. Caso haja uma trajetória consistente de queda da taxa básica nos próximos anos, podem se beneficiar de forma relevante. Porém, segundo Sauer, isso não acontecerá exatamente agora, com a taxa ainda em dois dígitos.

“Embora o momento da bolsa pareça desafiador à primeira vista, o investidor de longo prazo enxerga ciclos. Se a pessoa já tem a reserva montada e aceita riscos, o caminho não é ‘tentar acertar a empresa da moda’, mas sim focar em companhias historicamente sólidas, resilientes a crises, boas pagadoras de dividendos ou setores perenes da economia”, ressalta Casagrande.

Fundos de investimentos

Para Sauer, os fundos são uma alternativa válida, mas exigem maior seletividade. “O investidor deve olhar menos para o nome do fundo e mais para sua estratégia”, diz. Em sua visão, os fundos de renda fixa continuam atraentes para investidores conservadores, especialmente aqueles que buscam gestão profissional na carteira de títulos.

Fundos multimercados podem fazer sentido para quem deseja diversificação entre diferentes classes de ativos sem precisar gerir tudo diretamente. No entanto, é importante observar a filosofia de investimento e consistência dos resultados ao longo de diferentes ciclos de mercado”, explica.

fundos de ações podem ser uma alternativa interessante para quem acredita no potencial da bolsa, mas não deseja selecionar empresas individualmente.

Alves também traz os fundos de investimentos imobiliários. Dentro deles, fundos de imóveis físicos, também conhecidos como Fundos de Tijolo, são uma boa aposta, já que os contratos de aluguel são corrigidos pela inflação, protegendo o dinheiro do investidor. Os Fundos de Papel também entram no combo, aqueles ligados à dívidas (CRIs), pois acabam pagando juros altos em momentos de taxa Selic elevada e inflação pressionada.

AutorRebecca Crepaldi
FonteExame
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