Renner lucra R$ 187 mi no 3º tri, acima do esperado, mas abandona projeção de receita
Receita líquida da varejista recuou 1,6%, enquanto vendas mesmas lojas caíram 2,5% em meio ao consumo mais fraco e à maior concorrência de plataformas internacionais

A Lojas Renner (LREN3) encerrou o terceiro trimestre de 2026 com queda de 24,5% no lucro líquido ajustado, que desconsidera efeitos não recorrentes, para R$ 187,1 milhões. Na comparação com o mesmo período do ano passado, quando registrou R$ 247,7 milhões nessa base, o resultado reflete um ambiente mais desafiador para o varejo de moda, marcado por consumidores mais sensíveis a preços, juros elevados e maior endividamento das famílias.
Considerando o resultado contábil, o lucro líquido foi de R$ 246,4 milhões, recuo de 11,8% em relação aos R$ 279,4 milhões registrados no terceiro trimestre de 2025. O resultado, porém, ficou acima das expectativas do mercado. Analistas consultados pela LSEG projetavam lucro médio de R$ 199 milhões.Na mensagem que acompanha o balanço, o presidente da companhia, Fabio Adegas Faccio, reconheceu a dificuldade de recuperar o ritmo de vendas. "Observamos uma recuperação gradual da demanda ao longo do trimestre, porém em ritmo inferior ao projetado", afirmou.
O CEO também destacou a pressão sobre o consumo e a concorrência crescente no setor. Segundo Faccio, o período foi marcado por um ambiente de consumo mais desafiador, com "contínua pressão sobre a renda disponível e intensificação da competição, especialmente por parte das plataformas internacionais".
De acordo com o balanço, divulgado nesta quinta-feira, 5, o Ebitda total ajustado, que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização, somou R$ 570,9 milhões no trimestre, queda de 3,9% na comparação anual. A margem Ebitda ajustada recuou 0,5 ponto percentual, de 19,3% para 18,8%.
Quando considerado apenas o negócio de varejo, porém, o desempenho foi melhor. O Ebitda ajustado cresceu 3,2%, para R$ 530,3 milhões, enquanto a margem avançou 0,8 ponto percentual, para 17,5%. O resultado indica que a companhia conseguiu preservar a rentabilidade da operação de lojas mesmo diante da retração das vendas.
A receita líquida consolidada de varejo alcançou R$ 3,029 bilhões, queda de 1,6% em relação ao terceiro trimestre do ano passado. Já as vendas em mesmas lojas, indicador que considera unidades em operação há pelo menos 12 meses, recuaram 2,5%.
Na categoria de vestuário, principal negócio da companhia, a receita líquida caiu 0,7%, para R$ 2,703 bilhões, enquanto as vendas em mesmas lojas tiveram retração de 1,8%.
A Renner atribuiu o desempenho à maior seletividade dos consumidores e à sensibilidade a preços, em um cenário de juros e endividamento elevados. A empresa também apontou a intensificação da concorrência com plataformas internacionais de comércio eletrônico e o impacto dos jogos da Copa do Mundo sobre o fluxo de clientes no início do trimestre, como também pesou no 2° trimestre.Para responder à mudança no comportamento de consumo, a varejista começou a ajustar seu sortimento e sua pirâmide de preços, com maior disponibilidade de produtos de entrada e itens essenciais. A estratégia também inclui ampliar a oferta de peças versáteis e intensificar ações promocionais.
O canal digital apresentou desempenho superior ao das lojas físicas. O volume bruto de mercadorias vendidas (GMV) pela internet cresceu 3,7%, para R$ 705,1 milhões, e passou a representar 17,5% das vendas totais do varejo, avanço de 0,8 ponto percentual em um ano.
Renner decide descontinuar projeções de receita
O desempenho também levou a companhia a rever suas perspectivas de crescimento. Diante da maior incerteza macroeconômica e competitiva, aRenner decidiu descontinuar as projeções de crescimento da receita líquida para 2026 e para o período de 2027 a 2030.
"A atual conjuntura macroeconômica e competitiva aumentou o grau de incerteza, reduzindo a previsibilidade do ritmo de crescimento da receita", afirmou Faccio. Segundo o presidente, as demais projeções da companhia permanecem inalteradas.
Na gestão de custos,a Renner conseguiu avançar na rentabilidade bruta. A margem bruta de varejo alcançou 55,5%, alta de 0,4 ponto percentual em relação ao terceiro trimestre de 2025 e recorde para um terceiro trimestre.
Segundo a companhia, os ganhos de eficiência operacional e os efeitos favoráveis do câmbio compensaram a maior intensidade promocional. As despesas operacionais de varejo, considerando os efeitos do IFRS 16, recuaram 1,1%, para R$ 1,195 bilhão.
Na mensagem aos investidores, Faccio afirmou que a empresa manteve o controle dos gastos mesmo diante da inflação e da expansão da área de vendas. As despesas operacionais de varejo, excluindo provisões para participação nos resultados e incentivos de longo prazo (PPR e ILP), cresceram 1,3%.
Outro ponto de atenção foi a Realize, braço de serviços financeiros da companhia. O resultado operacional da unidade caiu 49%, para R$ 40,7 milhões, refletindo uma política mais seletiva de concessão de crédito em meio ao elevado endividamento das famílias.
Dívida e alavancagem
A estrutura financeira permaneceu confortável. A Renner encerrou setembro com R$ 2,02 bilhões em caixa, equivalentes e aplicações financeiras, diante de um endividamento bruto de R$ 847,1 milhões. Com isso, a companhia registrou caixa líquido de R$ 1,17 bilhão.
O montante representa uma redução de 6,9% em relação ao caixa líquido de R$ 1,26 bilhão registrado no mesmo período de 2025. Na comparação com o segundo trimestre deste ano, porém, houve avanço de 1,2%.
A posição de caixa superior à dívida bruta mantém a companhia sem alavancagem financeira líquida. O fluxo de caixa livre somou R$ 423,4 milhões no terceiro trimestre, queda de 10,6% em relação aos R$ 473,6 milhões registrados um ano antes. A redução foi atribuída principalmente à maior necessidade de capital de giro com fornecedores.
No acumulado dos nove primeiros meses de 2026, a geração de caixa livre alcançou R$ 816,7 milhões, recuo de 6,9% ante os R$ 877,5 milhões registrados no mesmo intervalo de 2025.
