Renner lucra R$ 397 mi no 2° tri, mas vendas frustram e empresa corta projeção de receita
A varejista reduziu a previsão de crescimento da receita de 9%-13% para 4%-8% neste ano após vendas abaixo do esperado, mas manteve as metas estratégicas para 2027 a 2030

A Lojas Renner (LREN3) encerrou o 2° trimestre de 2026 com lucro maior, mas um desempenho de vendas abaixo do esperado que levou a companhia a reduzir sua projeção de crescimento da receita para este ano.
A varejista informou em balanço divulgado na noite desta quinta-feira, 6, que revisou seu guidance para a Receita Operacional Líquida (ROL) de varejo de um intervalo entre 9% e 13% para uma faixa de 4% a 8%, após um trimestre marcado por menor fluxo de consumidores nas lojas físicas durante a Copa do Mundo e por um ambiente macroeconômico mais desafiador.
Apesar do corte nas expectativas para 2026, a empresa manteve inalteradas todas as metas estratégicas para o período de 2027 a 2030, incluindo a previsão de crescimento anual da receita entre 9% e 13%, margem EBITDA de varejo entre 18% e 20% (pré-IFRS 16), retorno sobre o capital investido próximo de 20% e expansão da rede para até 600 lojas Renner e até 290 unidades da Youcom até o fim da década.
No segundo trimestre, o lucro líquido ajustado alcançou R$ 397,3 milhões, alta de 8% em relação ao mesmo período do ano passado e de 113,8% na comparação com o primeiro trimestre. Considerando apenas o resultado contábil, o lucro líquido reportado ficou em R$ 404,6 milhões, praticamente estável em relação ao segundo trimestre de 2025.
A receita líquida de varejo somou R$ 3,69 bilhões entre abril e junho, avanço de 1,1% na comparação anual e de 28,3% frente aos três primeiros meses do ano. Já a receita operacional líquida consolidada atingiu R$ 4,2 bilhões, crescimento de apenas 0,8% sobre igual período de 2025, refletindo uma desaceleração das vendas que ficou abaixo do planejado pela administração.
Copa do Mundo impacta mais do que o esperado
Segundo a companhia, o desempenho foi impactado por uma redução do fluxo de clientes nas lojas físicas durante a Copa do Mundo, em intensidade superior à observada em edições anteriores do torneio, além de um cenário macroeconômico mais difícil do que o previsto. Esses fatores motivaram a revisão das projeções para o restante do ano.
Mesmo com o crescimento mais fraco da receita, a Renner conseguiu preservar a rentabilidade operacional do varejo. O lucro bruto avançou 1,8%, para R$ 2,12 bilhões, enquanto a margem bruta subiu 0,4 ponto percentual, para 57,5%, o maior patamar já registrado pela companhia para um segundo trimestre.
As despesas operacionais do varejo cresceram 1,5%, para R$ 1,34 bilhão, em ritmo próximo ao da inflação, evidenciando, segundo a empresa, disciplina na gestão de custos. Ainda assim, o Ebitda ajustado total recuou 5,3% na comparação anual, para R$ 844,6 milhões, pressionado principalmente pelo menor crescimento das vendas. A margem Ebitda ajustada caiu de 24,4% para 22,9%, uma redução de 1,5 ponto percentual.
Na comparação com o primeiro trimestre, contudo, os indicadores mostraram recuperação sazonal. O EBITDA cresceu 38,3%, enquanto a margem EBITDA avançou 1,7 ponto percentual. O lucro líquido ajustado mais do que dobrou no período, impulsionado pelo maior volume de vendas típico do segundo trimestre.
A geração de caixa livre ficou em R$ 135,1 milhões, uma queda de 59,4% em relação ao segundo trimestre de 2025 e de 47,7% frente ao trimestre imediatamente anterior. Segundo a companhia, a redução decorreu principalmente do menor EBITDA e de uma maior necessidade de capital de giro.
Plano de abertura de lojas segue no radar
Mesmo assim, a estrutura financeira permanece sólida. A Renner encerrou junho com caixa líquido de R$ 1,16 bilhão, após uma redução de R$ 363,8 milhões em relação ao fim de 2025, explicada principalmente pelo pagamento de juros sobre capital próprio e pela recompra de ações.
O caixa e as aplicações financeiras continuam superiores ao endividamento bruto, de R$ 757,8 milhões, mantendo a companhia em posição de alavancagem financeira líquida negativa.
Embora tenha reduzido a expectativa de crescimento da receita para 2026, a Renner reafirmou os planos de investimento e expansão.
A empresa manteve a previsão de investir R$ 1,05 bilhão em CAPEX neste ano e abrir entre 22 e 30 lojas da marca Renner, de 23 a 25 unidades da Youcom e aproximadamente cinco lojas da Camicado. Segundo a companhia, as perspectivas seguem condicionadas à evolução do cenário econômico e ao comportamento do consumo nos próximos meses.
