Representante dos EUA vê 'distância considerável' em negociação do tarifaço com Brasil

O representante do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, afirmou nesta quinta-feira, 9, que ainda há uma "distância considerável" nas negociações com o governo brasileiro sobre o tarifaço adicional de 25% sobre os produtos brasileiros.
"Tenho conversado com os brasileiros. Temos tentado negociar. Acho que ainda há uma distância considerável entre nós", disse Greer em entrevista à Fox Business Network.
A avaliação do representante americano é que "muito em breve" uma decisão final sobre a investigação aberta por meio da Seção 301 será divulgada.
"Por isso, vocês verão uma decisão final sobre o Brasil muito em breve, porque temos um prazo legal até 15 de julho", afirmou.
Em 1º de junho, o governo americano anunciou que o Escritório do Representante Comercial (USTR) determinou que o Brasil agiu de forma não razoável no comércio bilateral.
Por conta disso, o USTR propôs que os EUA passem a cobrar do Brasil uma tarifa extra de 25%, com algumas exceções. A medida, no entanto, ainda não foi aplicada e haverá espaço para mais negociações, até 15 de julho.
Em audiência realizada entre os dias 6 e 7 de julho, empresas brasileiras e estrangeiras defenderam a suspensão do tarifaço. O governo brasileiro afirmou que segue em negociação com a gestão Trump e acusou o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à presidência que participou das audiências,de não pedir o fim do tarifaço.
Durante a audiência em Washington, Flávio Bolsonaro pediu ao governo do presidente Donald Trump que não aplique a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
Segundo o senador, a medida tem produzido efeito contrário ao pretendido pelos Estados Unidos.
"Cada tarifa adicional está beneficiando o governo que supostamente se pretende pressionar", afirmou.
Um estudo feito pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que as novas tarifas que os Estados Unidos avaliam impor ao Brasil poderão afetar 4.187 produtos, que equivalem a US$ 14,9 bilhões anuais em exportações. Entre os produtos sob risco, há destaque para ferro-gusa, açúcar de cana, álcool etílico e tabaco curado.
Em 2025, o Brasil exportou US$ 37,6 bilhões em mercadorias aos EUA. Em 2026, o total exportado até agora foi de US$ 17,4 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Comércio, Indústria e Serviços.
Além disso, o Brasil é investigado em outro processo pela 301, junto com outros países, que investiga o uso de trabalhos forçados na produção. Caso o país seja considerado culpado neste caso, seria alvo de outra tarifa de 12,5%. As audiências públicas dessa ação começam na terça-feira, 7.
