Resgate em ações, aportes na renda fixa: parece Brasil, mas é EUA

Os mercados financeiros americanos viveram, na semana encerrada em 24 de junho, um movimento familiar para qualquer investidor brasileiro: fuga de ações e busca por proteção na renda fixa. Dados da LSEG mostram que os fundos de renda variável dos Estados Unidos registraram resgate líquido de US$ 3,53 bilhões no período, revertendo parte das compras de US$ 37,63 bilhões da semana anterior.
O principal vetor de pressão foi o setor de tecnologia. Os fundos do segmento acumularam saídas de quase US$ 20 bilhões na semana, eliminando praticamente toda a entrada de US$ 21,46 bilhões registrada nos sete dias anteriores. O gatilho foi a combinação de valuations esticados com o avanço do endividamento entre as grandes empresas do setor. A SpaceX, de Elon Musk, foi a mais recente a acessar o mercado de bonds, reforçando a percepção de que o ciclo de investimentos em tecnologia está cada vez mais sustentado por dívida.
Fundos dos setores financeiro, industrial e de consumo discricionário também registraram saídas relevantes: US$ 1,06 bilhão, US$ 830 milhões e US$ 733 milhões, respectivamente.
No horizonte macroeconômico, pesou a expectativa de que o Federal Reserve pode elevar os juros em 25 pontos-base ainda neste ano, diante de pressões inflacionárias persistentes. O cenário reacendeu o apetite por ativos mais defensivos.
A renda fixa captou, mas com menos vigor. Os fundos de bonds americanos registraram entrada de US$ 7,33 bilhões na semana, o menor volume em oito semanas. Os fundos de grau de investimento de curto e médio prazo lideraram as captações, com US$ 2,95 bilhões, seguidos pelos fundos domésticos de renda fixa tributável, com US$ 2,03 bilhões, e pelos fundos de dívida municipal, com US$ 633 milhões — todos abaixo dos volumes da semana anterior.
Os fundos do mercado monetário, por sua vez, registraram resgate líquido de US$ 25,74 bilhões, o maior desde 15 de abril.
*com agências internacionais
