'Resiliente' e 'moderadamente atrativa': visões de BTG e Itaú sobre a bolsa no 2⁰ semestre

Apesar da cautela dos investidores locais e da saída de recursos dos fundos de ações ao longo de 2026, dois dos maiores bancos do país avaliam que a bolsa brasileira continua oferecendo oportunidades para o 2° semestre. Em relatórios recentes, BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) e Itaú BBA apresentam argumentos diferentes, mas apontam em comum que o mercado acionário segue resiliente e ainda tem potencial de valorização.
No relatório "Brazil: Follow the Money", recém-divulgado, o BTG chama atenção para a força da liquidez da B3. O volume médio diário de negociação (ADTV) alcançou R$ 23,7 bilhões em julho de 2026, alta de 16% em relação ao mesmo mês do ano passado. O dado ganha relevância porque ocorre em um momento em que os investidores locais seguem reduzindo a exposição à renda variável.
No acumulado do ano até julho,os fundos de ações registraram saída líquida de R$ 6,3 bilhões. Ao mesmo tempo, a participação das ações no patrimônio total da indústria de fundos caiu para 8,4%, nível muito inferior ao pico histórico de 22% registrado em 2007 e também abaixo dos 15,2% observados em 2020.
Segundo os estrategistas Carlos Sequeira, Leonardo Correa, Antonio Junqueira, Osni Carfi e Bruno Ferreira, a liquidez da bolsa tem sido sustentada pelo investidor estrangeiro.
Em 2026, o fluxo líquido desses investidores para ações brasileiras já soma R$ 38,6 bilhões, enquanto sua participação no volume negociado atingiu 61,1%, o maior percentual da série histórica apresentada pelo banco desde 2018.
Em sentido contrário, a participação das pessoas físicas caiu para 10,9%, o menor nível do período.
Na avaliação do banco, os dados mostram que, embora investidores locais estejam retirando recursos da bolsa, o capital estrangeiro vem garantindo o giro do mercado e mantendo a negociação em níveis elevados.
O banco ressalta, porém, que o posicionamento dos investidores ainda reflete cautela. Além da baixa alocação em ações nos fundos locais, o nível de posições vendidas permanece acima das médias recentes e a exposição de fundos globais e latino-americanos ao Brasil continua abaixo dos níveis registrados antes da pandemia, indicando que ainda há espaço para aumento da participação caso o cenário se torne mais favorável.
Itaú BBA vê bolsa brasileira "moderadamente atrativa"
Já o Itaú BBA vê a bolsa doméstica como "moderadamente atrativa" no segundo semestre de 2026. O banco projeta um retorno potencial de cerca de 22% para a bolsa brasileira neste ano, com um desempenho que pode ser alcançado mesmo sem uma valorização dos múltiplos das empresas.
A avaliação é que ele pode ser sustentado principalmente pelo crescimento esperado dos lucros (13,4%) e pela remuneração aos acionistas por meio de dividendos e recompras de ações (8,3%).
Para os estrategistas Daniel Gewehr, Matheus Marques e Raphael Rosa, as empresas brasileiras continuam apresentando fundamentos sólidos. O relatório destaca que o retorno médio sobre o patrimônio (ROE) subiu para 26%, enquanto o múltiplo preço/lucro caiu de 21,1 vezes em 2020 para 12,3 vezes.
"A redução do valuation acompanhou o mercado como um todo, o desconto reflete o ambiente de juros e
cenário macroeconômico, e não uma deterioração das empresas de qualidade, o que abre um ponto de entrada assimétrico para investimento nessas ações", afirmou o banco.
"Com exposição praticamente nula em tecnologia, o Brasil se torna um importante vetor de diversificação, em um universo de emergentes cada vez mais concentrado no tema de inteligência artificial. O EWZ, ETF de ações brasileiras negociado em NY, tem 0% de participação do setor
de tecnologia, enquanto o EEM, ETF de países emergentes, possui 40,8% nesse segmento".
Além disso, o banco observa que há uma divergência relevante entre as diferentes classes de ativos. Enquanto a renda fixa precifica um cenário bastante pessimista, a bolsa permanece em uma posição intermediária, ainda com viés negativo, o que pode abrir espaço para uma reavaliação dos preços caso o ambiente macroeconômico evolua de forma favorável.
