Ressaca do ‘circuit breaker’: Ibovespa futuro ensaia alta, dólar e juros futuros caem
Investidores calibram posições um dia após o pior pregão da bolsa desde 2020

Ibovespa futuro subia 0,4%, um dia após o índice à vista cair 13,88%
Dólar recuava depois de disparar 8,21% na segunda-feira
Juros futuros caem em todos os vencimentos
EWZ sobe mais de 1% no pré-mercado de Nova York, após desabar 19,82% na véspera
Um dia depois do pior pregão da bolsa brasileira em mais de seis anos, o mercado abre a terça-feira, 27, em tom de ajuste. Por volta das 9h25, o contrato de Ibovespa futuro com vencimento em dezembro subia 0,41%, a 178.970 pontos, enquanto o dólar comercial recuava 1%, a R$ 5,34, e as taxas dos contratos de juros futuros (DI) cediam nos principais vencimentos.
O Ibovespa futuro abriu a 178.000 pontos e oscilou entre a mínima de 177.660 pontos e a máxima de 179.010 pontos nos primeiros minutos de negociação, ante o fechamento anterior de 178.240 pontos. A liquidez ainda era baixa, com 351 negócios registrados e volume de R$ 340 milhões.
O tamanho do tombo de segunda-feira
O movimento desta manhã ocorre depois de uma sessão histórica. Na segunda-feira, 26, o Ibovespa fechou em queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos, na maior perda percentual diária desde março de 2020, quando os mercados globais foram abalados pela pandemia de Covid-19. No pior momento do pregão, o índice chegou a recuar 17,34% e ficou abaixo dos 170 mil pontos.
A pressão vendedora levou a B3 a acionar o circuit breaker logo na abertura, suspendendo os negócios por 30 minutos, algo que não acontecia havia mais de seis anos. Mesmo com perdas superiores a 15% depois da retomada, não houve nova paralisação. A B3 explicou que a decisão tomada antes da abertura já considerava um cenário de desvalorização superior a 20%, com base no preço teórico do índice.
A reação veio da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obteve 51,75% dos votos válidos no segundo turno, contra 48,25% de Flávio Bolsonaro (PL). O resultado contrariou as apostas de parte dos investidores e reacendeu as preocupações com a condução da política fiscal.
Segundo levantamento da consultoria Elos Ayta, as empresas listadas na B3 perderam R$ 734 bilhões em valor de mercado em um único pregão, o equivalente a 98,4% do valor da Petrobras. O montante consolidado caiu de R$ 5,684 trilhões para R$ 4,950 trilhões, o que apagou 75,5% dos ganhos acumulados em 2026 e deixou a bolsa R$ 325 bilhões abaixo do nível de 2 de outubro, véspera do primeiro turno. Ainda assim, o valor de mercado terminou o dia com alta de 5,05% no ano.
Dos 76 papéis do Ibovespa, 68 fecharam em baixa. Magazine Luiza (MGLU3) caiu 58,23%, Vamos (VAMO3) recuou 56,79% e Hapvida (HAPV3) perdeu 54,93%. Entre os bancos, Banco do Brasil (BBAS3) caiu 29,33% e BTG Pactual (BPAC11), 24,83%. Na ponta positiva, exportadoras como Suzano (SUZB3), com alta de 10,08%, e Embraer (EMBJ3), com 8,89%, foram favorecidas pelo dólar.
Dólar devolve parte da maior alta desde 1999
No câmbio, a moeda americana recua depois de ter subido 8,21% na segunda-feira, a R$ 5,4027, na maior alta diária desde 1999. Na véspera, o dólar chegou a ser negociado a R$ 5,6048 na máxima do dia.
Nesta manhã, a cotação oscilava entre R$ 5,34 e R$ 5,412. Às 9h15, o dólar comercial era negociado a R$ 5,376 na compra e R$ 5,377 na venda.
Juros futuros cedem em toda a curva
Os juros futuros, que subiram com força na segunda-feira e ajudaram a derrubar as ações de empresas mais dependentes de crédito, também dão alívio nesta abertura. O maior recuo está no meio da curva. A taxa do DI para janeiro de 2029 caía de 15,25% para 15,13%, uma queda de 0,12 ponto percentual.
Nos demais vencimentos, o movimento é mais discreto. O DI para janeiro de 2027 recuava de 13,72% para 13,69%, o contrato para janeiro de 2031 passava de 15,24% para 15,18%, e o de janeiro de 2033 cedia de 15,25% para 15,22%.
EWZ sobe em Nova York depois de perder quase 20%
Lá fora, o iShares MSCI Brazil (EWZ), principal fundo de índice de ações brasileiras negociado em Nova York, subia mais de 1% no pré-mercado, a US$ 34,53, por volta das 8h17 no horário local. Na segunda-feira, o ETF desabou 19,82%, a US$ 34,15, uma queda maior que a do Ibovespa por somar o tombo das ações à desvalorização do real.
Na avaliação de Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, o mercado encerrou a segunda-feira ainda tentando assimilar o resultado das urnas, trocando a imprevisibilidade da eleição pela cautela com a política econômica do novo mandato. Em relatório, o UBS avaliou que o mercado segue cético e cobra sinais concretos de ajuste fiscal. O Citi, por sua vez, listou dez ações para o cenário de Lula reeleito.
