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EXAME AgroCMDT
06/10/2026
5 min

‘Resultado mostra falência da relação de Lula com o agro’, diz presidente da FPA

Reeleito pelo Paraná, Pedro Lupion (PP) projeta crescimento da bancada do agro na Câmara e discutirá com Flávio Bolsonaro a atuação da FPA no 2º turno

‘Resultado mostra falência da relação de Lula com o agro’, diz presidente da FPA

O resultado do primeiro turno das eleições, que colocou o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) à frente do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo segundo turno, mostra a “falência” da relação do governo Lula com o agro, avalia Pedro Lupion (PP), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), principal representação do setor na Câmara dos Deputados.

Segundo o parlamentar, reeleito pelo Paraná, a relação entre o Executivo, a FPA e o setor agropecuário ao longo dos quatro anos da gestão petista foi marcada por pouco diálogo. No 1° turno das eleições, que aconteceu domingo, 4, Flávio Bolsonaro conquistou 47% dos votos, ante 45% de Lula.

“A falência clara do apoio, das iniciativas e da relação com o setor agropecuário do governo Lula foi o resultado eleitoral. Paulo Teixeira, que foi ministro do Desenvolvimento Agrário, e Fávaro, da Agricultura, não se elegeram. Tudo demonstra a insatisfação do setor com o governo Lula”, disse Lupion em entrevista à EXAME.

O resultado das urnas no domingo, 4, também fortaleceu a FPA no Congresso. Segundo Lupion, a expectativa é de que a bancada ligada ao agro na Câmara cresça dos atuais 294 deputados para cerca de 330 parlamentares em 2027. A frente também comemora o fortalecimento de sua representação no Senado.

De acordo com o parlamentar, 18 deputados ligados à FPA foram eleitos senadores. Com a chegada desses nomes e a possível adesão de novos parlamentares à frente, o grupo poderá alcançar cerca de 50 senadores na próxima legislatura.

“Nossa conta está dando 330 hoje, parlamentares eleitos que têm afinidade com a pauta, 150 e poucos que já são, mais alguns que podem entrar e se filiar à frente quando tomarem posse”, afirmou.

Durante os quatro anos da gestão petista, a relação da FPA com o governo Lula foi marcada por distância política e conflitos em temas como política ambiental, reforma agrária, terras indígenas e regulação. Ao mesmo tempo, houve uma relação pragmática de negociação em pautas de interesse do agronegócio.

A frente pressionou o governo por medidas relacionadas a crédito rural, Plano Safra, renegociação de dívidas, seguro rural, infraestrutura e abertura de mercados, mantendo canais de diálogo mesmo quando atuava como oposição em outras frentes.

Do lado governista, por sua vez, integrantes do governo criticavam a FPA por sua maior proximidade política com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Nos últimos quatro anos, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Brasil bateu recorde de abertura de mercados para produtos agropecuários. Foram 601 mercados, com potencial de incrementar em até US$ 37,5 bilhões por ano a balança comercial em um período de cinco anos.

Lupion, no entanto, afirma que o avanço na abertura de mercados não compensou as dificuldades financeiras enfrentadas pelos produtores.

“Não adianta nada a gente ter milhões de mercados abertos se o produtor não tem dinheiro para comer. O agricultor não consegue plantar, não consegue colher, não tem investimento no setor, não consegue fazer sua safra, não consegue organizar o seu dinheiro, não consegue plantar a próxima safra”, disse.

Uma análise de Marco Antonio Faganello, do Centro de Política e Economia do Setor Público (Cepesp), da Fundação Getulio Vargas (FGV), com dados preliminares do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do IBGE, reforça a percepção de que o desempenho de Lula foi pior em municípios com maior peso da agropecuária na economia local.

Nos municípios em que o setor responde por mais da metade da economia, a queda típica foi de 8,8 pontos percentuais. Onde o agro representa menos de 5% da atividade econômica, a redução foi de 3,9 pontos.

Segundo a estudo, a relação se mantém mesmo quando são comparadas cidades do mesmo estado, de porte semelhante e com perfil de renda próximo.

A ampliação da bancada ocorre em meio à tentativa da FPA de aumentar seu peso tanto na definição da agenda legislativa quanto na interlocução com o próximo governo.

Um dos primeiros grandes testes deverá ser a discussão do Orçamento. Plano Safra, seguro rural, crédito, renegociação de dívidas, infraestrutura e defesa agropecuária dependem de recursos públicos e, portanto, de negociação política no Congresso.

No próximo ano, com uma bancada maior, a FPA deverá ampliar sua capacidade de pressionar por recursos e influenciar a definição de prioridades para o setor agropecuário.

FPA e Flávio Bolsonaro

A FPA já anunciou formalmente apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro no segundo turno. Na quinta-feira passada, 1º, a entidade já havia se posicionado a favor do senador.

“Já declaramos apoio para o Flávio. Isso foi feito oficialmente na semana passada”, afirmou Lupion.

Nesta terça-feira, 6, a FPA deve se reunir com o senador para discutir como atuará nas próximas três semanas que antecedem o segundo turno.

“Nós vamos agora começar a organizar isso, ver qual vai ser a nossa participação, se ele vai querer que a gente faça eventos, mobilizações, posicionamentos, agregar o máximo de pessoas possíveis a esse projeto”, afirmou.

Segundo Lupion, o objetivo é ampliar o envolvimento de diferentes segmentos ligados ao agronegócio na campanha.

“Buscar claramente avançar com essa pauta e colocar o máximo possível do nosso setor junto com ele, não só produtores, mas também as entidades, as empresas, as indústrias, colocar todo mundo apoiando esse processo todo”, disse.

A participação da FPA no segundo turno também deve estar ligada à construção de uma agenda para um eventual governo de Flávio Bolsonaro. O presidente da frente afirma que participou diretamente da elaboração das propostas para o setor agropecuário no plano de governo do candidato.

Entre os principais temas estão crédito rural, endividamento dos produtores, financiamento privado e mudanças no modelo do Plano Safra.

“Precisamos dar um freio de arrumação e entender, num futuro governo Flávio, obviamente ganhando as eleições primeiro, como começar a organizar principalmente as questões de crédito, trabalhar seriamente essa questão do endividamento, buscar soluções para colocar crédito mais barato na praça, fazer valer a lei de seguros e conseguir fortalecer o financiamento privado, diminuir a dependência do Estado”, afirmou.

AutorCésar H. S. Rezende
FonteExame
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