Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
InvestMercadosACS
20/10/2026
4 min

Revanche das varejistas em crise: Americanas e Casas Bahia disparam mais de 20% na B3

Uma deixa a recuperação judicial, a outra teve o pedido aprovado por acionistas: vale investir?

Revanche das varejistas em crise: Americanas e Casas Bahia disparam mais de 20% na B3
  • Americanas (AMER3) chegou a subir 25,6% nesta terça-feira, 20, um dia depois de a Justiça encerrar sua recuperação judicial
  • Casas Bahia (BHIA3) avançou até 18,5% após acionistas ratificarem o pedido de recuperação judicial da varejista
  • Para analista da Acta Partners, juros mais baixos aliviam as empresas, mas não resolvem a ineficiência operacional
  • Magazine Luiza (MGLU3) lidera as altas do Ibovespa, com ganho de mais de 12%

As ações de duas das varejistas em situação mais delicada da bolsa brasileira estão tendo um dia de forte valorização. Americanas (AMER3) chegou a subir 25,6%, na máxima de R$ 7,50, enquanto Casas Bahia (BHIA3) avançou até 18,5%, a R$ 1,41. Por volta das 15h, os papéis da Americanas subiam 19,77%, a R$ 7,15, e os da Casas Bahia ganhavam 16,81%, a R$ 1,39.

Os dois movimentos têm gatilhos distintos. No caso da Americanas, a ação já abriu o pregão em R$ 7,36, um salto de mais de 23% em relação ao fechamento anterior, de R$ 5,97. Os papéis movimentavam R$ 45 milhões até o meio da tarde, em quase 7 mil negócios. A Casas Bahia abriu estável, a R$ 1,19, e foi ganhando força ao longo do dia, com volume de R$ 23,7 milhões.

Americanas deixa a recuperação judicial

A Justiça do Rio de Janeiro decretou nesta segunda-feira, 19, o fim da recuperação judicial da Americanas, iniciada em janeiro de 2023 após a revelação de um esquema bilionário de fraudes contábeis. A decisão abrange também as subsidiárias B2W Digital Lux, JSM Global e ST Importações e ainda está sujeita a recursos.

A sentença reconheceu o cumprimento das obrigações do plano com vencimento nos dois primeiros anos após sua homologação. O plano havia sido aprovado por 91% dos credores. A companhia informou ainda que, no primeiro semestre de 2026, as vendas nas mesmas lojas cresceram 9,3% e a eficiência operacional teve incremento de R$ 500 milhões. Na véspera, as ações já haviam fechado em alta de quase 7%.

Casas Bahia ainda depende da Justiça

Do lado da Casas Bahia, os acionistas aprovaram, em assembleia nesta segunda-feira, 19, a ratificação do pedido de recuperação judicial apresentado em 16 de agosto, com passivo de cerca de R$ 17,3 bilhões. O aval dos investidores, porém, não equivale à autorização para o processo, que segue sob análise da Justiça de São Paulo.

Enquanto aguarda a decisão, a varejista conta com proteção concedida em 28 de agosto, que suspende por 180 dias ações e execuções contra o grupo e as subsidiárias incluídas no pedido. A empresa atribui suas dificuldades a problemas na integração das operações, a investimentos em tecnologia, logística e digitalização e ao custo elevado do crédito em um ambiente de juros altos.

Analista vê alta com ceticismo

Para Júlio Vieira, analista da Acta Partners, a disparada não muda o quadro estrutural das duas companhias. Ele reconhece uma redução mínima de incertezas com a saída da Americanas da recuperação judicial, mas avalia que "são duas empresas que ainda possuem um descompasso muito grande em manter o ativo operacional solvente". Na visão do analista, ambas seguem perdendo participação de mercado para concorrentes locais e chineses.

A perspectiva de queda dos juros ajuda, mas tem alcance restrito sobre o lucro final. "Você pode ter uma redução drástica da despesa financeira, mas como são empresas ineficientes bastante intensivas em capital, não vejo como oportunidade de alocação", afirma.

Vieira enxerga alguma vantagem para a Americanas. "A [Americanas], dado que tem capital mais firme dos sócios, pode ser uma potencial sobrevivente e até voltar a ganhar mercado no futuro, mas isso não vai ocorrer de forma automática", diz. Para ele, o cenário de bom desempenho para as duas ações é restrito. "O único cenário que enxergo elas tendo boa performance é enxergar um juro de um dígito baixo no Brasil."

Varejo puxa o Ibovespa

O bom humor com as varejistas acompanha o desempenho do setor no pregão. Magazine Luiza (MGLU3) registra a maior alta do Ibovespa, com avanço de mais de 12%. O índice subia cerca de 1,5% por volta das 15h, com investidores atentos às pesquisas eleitorais e à temporada de balanços, em um dia de ganhos concentrados em empresas ligadas ao consumo e à economia doméstica, além de bancos e construtoras.

AutorMitchel Diniz
FonteExame
Distribuído por