Ri Happy pede recuperação extrajudicial 48 dias após mudar de dono
Dona das redes Ri Happy e PBKids foi comprada pela BluSun Capital Partners em agosto; empresa busca renegociar dívidas e afirma que lojas seguem funcionando normalmente

A Ri Happy, uma das maiores varejistas de brinquedos do Brasil, protocolou um pedido de recuperação extrajudicial no domingo, 18, apenas 48 dias depois de anunciar uma mudança de controle. A medida faz parte de um processo de reestruturação financeira que busca renegociar dívidas e reorganizar as contas da companhia.
Dona das redes Ri Happy e PBKids, a empresa foi adquirida no final de agosto pela BluSun Capital Partners, companhia brasileira de capital fechado que assumiu 100% do negócio. A operação também marcou o retorno de Héctor Núñez à presidência da varejista, onde já havia trabalhado por mais de nove anos.
Segundo a Ri Happy, o pedido de recuperação extrajudicial já conta com adesão expressiva de credores. A empresa, porém, não informou o valor total das dívidas envolvidas na negociação nem as condições propostas para o pagamento.
A recuperação extrajudicial é um mecanismo que permite às empresas negociar diretamente com determinados credores um plano de reestruturação de dívidas. Diferentemente da recuperação judicial, o processo permite uma negociação mais direcionada, sem envolver necessariamente todos os credores.
Apesar da renegociação financeira, a Ri Happy afirma que suas lojas físicas e canais digitais continuam funcionando normalmente. A companhia também mantém os preparativos para a Black Friday e o Natal, dois dos períodos mais importantes para o varejo de brinquedos.
O que mudou na Ri Happy após a venda?
Em 31 de agosto, a BluSun Capital Partners anunciou a aquisição de 100% do Grupo Ri Happy. Os termos financeiros da operação não foram divulgados.
Héctor Núñez voltou ao comando da varejista. O executivo tem mais de 25 anos de experiência no varejo e em grandes empresas. Antes, foi CEO do Walmart Brasil, integrou o conselho da Vulcabras e ocupou a presidência da Novonor, antiga Odebrecht.
Núñez substituiu Thiago Rebello, que estava na Ri Happy havia quase quatro anos e assumiu a presidência em 2024.
Menos de dois meses depois, a nova gestão anunciou medidas para reorganizar as contas e melhorar a eficiência da operação.
Entre as iniciativas estão ajustes nas equipes corporativas, a preparação para uma mudança de sede e a revisão da estrutura de custos. A companhia não informou quantos funcionários foram afetados nem a economia esperada com essas decisões.
A nova equipe executiva também conta com Carlos Fernandes como diretor de operações, Diego Motta como diretor financeiro, Sandra Haddad na diretoria comercial, Alexandra Carrão na área de gente e gestão e Robledo Castro à frente das áreas de tecnologia e transformação digital.
O objetivo, segundo a empresa, é melhorar a eficiência operacional, preservar a liquidez e adequar a estrutura de capital às necessidades do negócio.
Por que a Ri Happy pediu recuperação extrajudicial?
No comunicado divulgado nesta segunda-feira, 19, a Ri Happy atribui os desafios enfrentados pelo negócio a uma combinação de fatores que pressionam o varejo brasileiro.
Entre eles estão os juros elevados, as mudanças nos hábitos de consumo, o aumento da concorrência e os efeitos acumulados da pandemia.
A companhia não detalha, porém, quanto cada um desses fatores contribuiu para sua situação financeira.
O plano também prevê maior disciplina de custos, gestão de liquidez e fortalecimento das relações com fornecedores, franqueados, administradoras de shopping centers e instituições financeiras.
A preocupação com esses parceiros ganha importância diante da proximidade do Natal, período em que o varejo de brinquedos concentra parte relevante de suas vendas.
A Ri Happy afirma que pretende manter o funcionamento das lojas e a continuidade das operações enquanto negocia com os credores.
O pedido coloca mais um desafio na mesa de Núñez, que voltou à Ri Happy com a missão de reorganizar um negócio que já vinha tentando ganhar eficiência operacional. Agora, além de melhorar o desempenho das lojas, a nova gestão terá de encontrar uma solução para o endividamento da varejista.
