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Sacre Investimentos
InvestMercados
05/08/2026
4 min

Riachuelo tem lucro recorde de R$ 168 mi no 2º tri, apesar de vendas menores

Resultado foi impulsionado pelo ganho de margem no vestuário e pela evolução da Midway, enquanto vendas em mesmas lojas desaceleraram

Riachuelo tem lucro recorde de R$ 168 mi no 2º tri, apesar de vendas menores

A Riachuelo (RIAA3) encerrou o 2° trimestre de 2026 com lucro líquido recorde para o período, impulsionada pela melhora da rentabilidade da operação de moda e pelo desempenho da Midway Financeira. Entre abril e junho, a companhia registrou lucro líquido de R$ 168 milhões, alta de 36,2% na comparação anual, o maior resultado já alcançado pela empresa em um segundo trimestre, de acordo com balanço divulgado nesta quarta-feira, 5.

O resultado, porém, veio acompanhado de um sinal de desaceleração no ritmo de vendas. O indicador de vendas em mesmas lojas (SSS, na sigla em inglês) de vestuário avançou 7,8% no trimestre, mantendo a sequência de 12 trimestres consecutivos de crescimento, mas abaixo dos 10,1% registrados no primeiro trimestre e da alta de 15,8% observada no segundo trimestre de 2025.

Segundo o CEO André Farber, a perda de ritmo foi influenciada principalmente pelo efeito da Copa do Mundo sobre o fluxo das lojas, especialmente nos shoppings. O movimento também foi observado em outras varejistas de moda, como a C&A, que apontou impacto dos jogos de futebol sobre a circulação de consumidores.

"Se tirassemos o efeito Copa, teríamos crescido acima de 10%", afirmou Farber à EXAME.

Segundo Farber, dias de jogos da seleção historicamente reduzem as vendas do varejo físico. "Nos dias de jogo do Brasil, a venda é bem menor. É bem esperado, ao longo de todas as Copas sempre acontece isso. Tem o fator físico do fechamento das lojas e a queda do fluxo", disse.

Ebitda cresce 12,7% e margem atinge maior nível em 12 anos

Além do lucro recorde, o principal destaque operacional do balanço foi o avanço do Ebitda consolidado, indicador que mede a geração operacional de resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização.

A Riachuelo registrou Ebitda de R$ 461 milhões no segundo trimestre, alta de 12,7% em relação ao mesmo período de 2025. A margem Ebitda ajustada chegou a 17,1%, maior nível para um segundo trimestre em 12 anos.

O desempenho foi puxado principalmente pela operação de vestuário. O Ebitda de mercadorias atingiu R$ 342 milhões, crescimento de 14,7% na comparação anual, enquanto a margem Ebitda da unidade chegou a 17%, o maior patamar em 11 anos para o período.

Para Farber, a combinação entre crescimento de vendas e expansão de margens explica a evolução do resultado. "A nossa margem está melhorando como um relógio. Foram 1,9 ponto percentual de melhora de margem de vestuário de novo versus o segundo trimestre do ano passado. Em três anos, são quase 6 pontos percentuais de melhora", afirmou.

A margem bruta de vestuário atingiu 59,2%, recorde para um segundo trimestre e o 11º trimestre consecutivo de expansão.

A receita líquida consolidada da Riachuelo totalizou R$2,7 bilhões, o que representa um aumento de 3,3% comparado ao segundo trimestre de 2025.

No segmento de moda, a companhia combinou crescimento das vendas com aumento de rentabilidade, mesmo diante da desaceleração do SSS. Segundo Farber, a empresa tem observado ganho de participação de mercado nos últimos trimestres.

"Estamos vendo consistentemente pelas nossas medidas internas que a gente tem ganhado share no mercado. A evolução da nossa proposta de valor, a melhora da nossa operação, do nosso processo e da nossa cadeia têm fortalecido essa percepção", afirmou.

Na área financeira, a Midway manteve crescimento mais moderado. A unidade registrou alta de 7% na receita bruta e Ebitda de R$ 119 milhões, avanço de 7,2% em relação ao segundo trimestre de 2025.

Custos e despesas: disciplina operacional sustenta margem

A expansão da rentabilidade também foi resultado de uma maior disciplina operacional. A companhia destacou ganhos de eficiência e controle de despesas como fatores que ajudaram a ampliar a margem Ebitda. As despesas operacionais, contudo, somaram R$ 953,6 milhões, aumento de 3% comparado ao ao segundo trimestre do ano passado, de R$ 925,7 milhões.

Segundo o CFO Miguel Cafruni, o trimestre refletiu "crescimento das vendas e expansão da rentabilidade com disciplina na gestão de despesas e na alocação de capital". Em meio a um cenário de juros elevados e famílias mais endividadas, a companhia manteve uma postura conservadora na concessão de crédito da Midway, priorizando a qualidade da carteira.

Sobre o ambiente de consumo, Farber afirmou que o inverno não teve papel determinante no desempenho do trimestre. "Não acho que o inverno merece um destaque sendo muito bom ou muito ruim. Acho que está dentro das expectativas e nós nos preparamos bem para ele", afirmou.

Para o segundo semestre, a empresa mantém a estratégia de investimentos em expansão e modernização da rede, com previsão de 15 a 20 inaugurações e reformas até o fim do ano, incluindo novas lojas dentro do conceito "Incrivelmente Brasil".

AutorClara Assunção
FonteExame
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