Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
Mundo
29/05/2026
3 min

Risco-país da Argentina está perto do menor nível do governo Milei; entenda

Risco-país da Argentina está perto do menor nível do governo Milei; entenda

O risco-país da Argentina voltou a cair nesta sexta-feira, 29, e atingiu 488 pontos, aproximando-se do menor nível registrado durante o governo do presidente Javier Milei.

O indicador, que mede a percepção do mercado sobre a capacidade de um país honrar suas dívidas, pode ajudar a recolocar a Argentina no radar dos mercados internacionais e ampliar a confiança de investidores estrangeiros, especialmente dos Estados Unidos.

O dado representa a sétima queda consecutiva do índice e ficou próximo da mínima de 483 pontos registrada em 28 de janeiro deste ano, segundo o jornal Clarín.

O cálculo do risco-país

Orisco-país é calculado a partir do diferencial de juros que a Argentina precisa pagar acima dos títulos do Tesouro dos EUA, considerados os ativos mais seguros do mundo.

AOrganização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) explica que as classificações de risco-país refletem a probabilidade de um país não conseguir quitar sua dívida externa.

O cálculo leva em conta fatores como estabilidade econômica, capacidade de pagamento, vulnerabilidade financeira, ambiente institucional e riscos de restrições cambiais ou crises políticas e sociais.

O Brasil, por exemplo, tem um risco-país que gira em torno de 150 pontos, menos de um terço do valor argentino mais baixo.

Argentina consegue valorizar seus títulos soberanos

A queda recente do indicador argentino foi impulsionada pela valorização dos títulos soberanos em dólar.

Nesta sexta-feira, 29, os bônus argentinos avançaram 0,50% em Wall Street, enquanto o risco-país acumulou retração de 13,9% no mês. As ações argentinas negociadas em Nova York também operaram em alta, lideradas pela Telecom, que subiu 6%.

Na Bolsa de Buenos Aires, o índice local avançou 0,84%, também puxado pela Telecom, além do Banco Macro e das empresas de energia YPF, Edenor e TGN.

O cenário financeiro favorável começou a ganhar força no início de maio, após a agência Fitch elevar a classificação da dívida argentina para “B-”, com perspectiva estável. A nota indica que a capacidade de pagamento continua vulnerável, embora o país não esteja próximo de um calote.

Além disso, o Fundo Monetário Internacional aprovou a última revisão do programa argentino e liberou US$ 1 bilhão em recursos. Nos últimos dias, o Tesouro argentino também conseguiu renovar 114% dos vencimentos de dívida sem oferecer prêmios elevados aos investidores.

Em relatório semanal citado pelo Clarín, a consultoria IEB afirmou que a queda do risco-país foi favorecida por um melhor cenário global, dados mais positivos da atividade econômica argentina e sinais de maior capacidade de financiamento para os vencimentos da dívida deste ano.

O Banco Central argentino também intensificou a compra de dólares. Apenas na quinta-feira, adquiriu US$ 447 milhões, acumulando US$ 2,526 bilhões em maio, o segundo melhor mês do ano nesse indicador.

Em 2026, as reservas já somam US$ 9,686 bilhões, o equivalente a 97% da meta estabelecida para todo o ano.

Meta de risco-país a 250 pontos

O ministro da Economia argentino, Luis Caputo, e outros integrantes do governo defendem que o risco-país caia para perto de 250 pontos antes que a Argentina volte a emitir títulos internacionais de dívida, de acordo com a Reuters. A avaliação do governo é que ainda existem alternativas mais baratas de financiamento no mercado doméstico.

Especialistas ouvidos pela agência afirmam que uma nova redução do indicador dependerá da continuidade do ajuste fiscal defendido por Milei, da acumulação de reservas internacionais e do avanço de investimentos ligados ao regime RIGI, voltado a grandes projetos de energia e mineração.

AutorPaloma Lazzaro
FonteExame
Distribuído por