Pular para o conteúdo principal
Sacre Investimentos
Mundo
19/06/2026
3 min

Rivais nos gramados mas aliados fora: os laços diplomáticos entre Brasil e Haiti

Rivais nos gramados mas aliados fora: os laços diplomáticos entre Brasil e Haiti

O Brasil enfrenta o Haiti hoje, às 21h30, em busca da nossa primeira vitória na Copa de 2026.  Com cerca de 200 mil haitianos, muitos dos quais já são naturalizados, a diáspora haitiana no Brasil é uma das maiores do mundo.

A amizade entre os países já remonta a décadas e, apesar de hoje sermos rivais em campo, o Brasil e o Haiti compartilham uma relação marcada por amizade, ajuda, acolhimento e paixão pelo futebol. Após o terremoto que devastou o país em 2010, forças brasileiras compunham grande parte das missões humanitárias e de paz da ONU no país, abrindo, no processo, as portas do Brasil a milhares de imigrantes haitianos que perderam suas casas e empregos no desastre.

O gesto de acolhimento, todavia, não foi a primeira manifestação de amizade e cooperação entre as nações.

Durante sua participação no Fórum Rumos do Brasil, promovido pela revista Veja na última segunda-feira, 15, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), destacou os laços construídos entre Brasil e Haiti ao longo das últimas décadas.

Militar de formação e integrante da missão brasileira no país caribenho, Tarcísio afirmou que a experiência contribuiu para aproximar as duas sociedades e ressaltou os desafios históricos enfrentados pelos haitianos.

“É um país muito sofrido, de gente boa, de pessoas bacanas. Teve um processo de independência muito sofrido, e isso repercutiu ao longo da história”, afirmou o governador paulista. “Quando a gente andava lá em Porto Príncipe, ouvia Ronaldo para todo lado. Pena que a natureza não me deu talento”, brincou.

Unidos pelo esporte

O atacante haitiano número 15, Ruben Providence, comemora após marcar um gol durante um amistoso internacional de futebol entre Haiti e Nova Zelândia no Estádio Inter Miami CF em Fort Lauderdale, Flórida, em 2 de junho de 2026.

O atacante haitiano número 15, Ruben Providence. O Haiti tem tanta paixão pelo futebol quanto o Brasil, e um carinho especial pela Seleção Brasileira (CHANDAN KHANNA / AFP)

Nossos laços com o Haiti são ainda mais antigos. Já em 2004, o Brasil atuava como a principal força em missões de estabilização no Haiti — em específico, a Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), que teve como comandante o general brasileiro Augusto Heleno. A operação durou de 2004 a 2017, e viu combate intenso às forças de gangues armadas e violentas no país.

No mesmo ano, a Seleção participou do chamado "Jogo da Paz", um amistoso contra o Haiti, disputado em Porto Príncipe, capital do país, em meio a um período de intensa estabilidade política. Hoje, 22 anos mais tarde, o país poderá provar o seu valor novamente em campo; é sua primeira aparição no torneio em 52 anos.

Apesar da goleada de 6-0, o jogo virou um monumento à amizade entre os países e, além disso, consolidou uma admiração imortal pela seleção brasileira entre os haitianos.

Ecoando o sentimento que persiste até hoje, o técnico do Haiti, o francês Sébastien Migné, disse em uma entrevista de imprensa nesta quinta, 18, que os jogadores haitianos não deveriam tratar a Seleção como "deuses", mas que a admiração é profunda

"Vou falar do meu filho, mas também de muitos outros jogadores. Eles amam o Vinícius [Vini Jr], e amanhã vamos enfrentar esse tipo de jogador. Isso é incrível pra nós. Temos muita sorte, muitos gostariam de estar no nosso lugar. Muitos times não se classificaram pra Copa do Mundo e amanhã vamos jogar contra um dos melhores times."

AutorMatheus Gonçalves
FonteExame
Distribuído por